O chamado ouro negro consolidou-se definitivamente como um dos principais motores da economia brasileira. Em 2024, o Brasil alcançou um feito histórico ao produzir 3,77 milhões de barris de petróleo por dia, um crescimento de 12% em relação a 2023, impulsionado principalmente pela entrada de novas plataformas no pré-sal, que já responde por quase 80% da produção nacional.
O impacto do avanço da produção aparece de forma direta no comércio exterior. Pelo segundo ano consecutivo, o petróleo liderou a pauta de exportações brasileiras, movimentando US$ 44 bilhões em vendas ao mercado internacional, superando produtos tradicionais do agronegócio e da mineração.
Os números tornam-se ainda mais expressivos quando se observa o saldo comercial do setor energético. Considerando a diferença entre exportações e importações de petróleo, derivados e gás natural, o Brasil registrou um superávit de US$ 30 bilhões, o maior da história, reforçando o peso estratégico do setor para o equilíbrio das contas externas do país.
Apesar dos resultados econômicos, o crescimento acelerado da exploração não é consenso. Ambientalistas alertam para os riscos climáticos e defendem a redução de novos leilões, sugerindo que as reservas já descobertas sejam direcionadas apenas a setores onde a descarbonização ainda não é viável.
Do outro lado, representantes da indústria e do setor energético argumentam que o Brasil não pode abrir mão de explorar suas riquezas naturais. Atualmente, a Petrobras dispõe de reservas suficientes para cerca de 13 anos de produção, e o setor defende que esses recursos são fundamentais para financiar a transição energética, gerar empregos e manter a competitividade do país no cenário global.
O avanço do petróleo brasileiro, portanto, vai além dos números recordes. Ele coloca o país diante de um dilema estratégico: equilibrar crescimento econômico, soberania energética e compromisso ambiental em um mundo cada vez mais pressionado pela urgência climática.



