A Polícia Federal não tem dúvida: a gestão Allyson Bezerra (União Brasil) abrigou um grande e recorrente esquema de desvios de recursos públicos da saúde. Interceptações telefônicas, escutas ambientais e relatórios do Controle de Atividades Financeiras (COAF) provam isso.
“O volume de recursos públicos envolvidos, somado ao volume de dinheiro em espécie sacado pelas empresas, por si só, já constituiria circunstância digna de suspeita acerca da licitude da relação mantida com o ente municipal”, destaca trecho da decisão que autorizou a megaoperação que teve entre seus alvos o prefeito de Mossoró
Adiante, os investigadores reforçam que a “suspeita era reforçada pela proximidade política entre OSEAS MONTHALGGAN, sócio da DISMED, e ALLYSON BEZERRA (prefeito municipal de Mossoró), conforme ilustrado na seguinte postagem da rede social Instagram”.
As investigações seguem para dimensionar qual o tamanho da participação do chefe do Executivo municipal no esquema fraudulento.
Até agora, o que se sabe é que numa das conversas interceptadas pela Polícia Federal, entre o ex-vice-prefeito de Serra do Mel, José Moab Zacarias Soares e Oseas Monthalggan Fernandes Costa, ambos sócios da Dismed, discutiu-se sobre a “Matemática de Mossoró”. Trata-se da operação aritmética criminosa na qual os dois definiam quando cada envolvido nos desvios ganhariam. O diálogo é o seguinte:
OSEAS: …Olhe, MOSSORÓ, eu estudando aqui com NENEN, o exemplo…[inaudível]…como é a MATEMÁTICA DE MOSSORÓ. MOSSORÓ tem uma Ordem de Compra de quatrocentos mil (R$ 400.000,00). Desses quatrocentos, ele entrega duzentos (R$ 200.000,00)!
MOABE: Certo!
OSEAS: Tudo a preço de custo! Dos duzentos ele vai e pega trinta por cento (30%), sessenta (R$ 60.000,00), então aqui ele comeu sessenta (R$ 60.000,00)! MOABE: Certo!
OSEAS: Fica cento e quarenta (R$ 140.000,00) pra ele entregar cem por cento (100%). Dos cento e quarenta ele ganha setenta (R$ 70.000,00). Setenta com sessenta é meu, cento e trinta (R$ 130.000,00). Só que dos cento e trinta nós temos que pagar cem mil (R$ 100.000,00) a ALLYISON e a FÁTIMA, que é dez por cento (10%) de FÁTIMA e quinze por cento (15%) de ALLISSON. Só ficou trinta mil (R$ 30.000,00) pra a empresa! 13/05/2025.
O prefeito nega as acusações e diz que não tem proximidade com Oseas Monthalgan, sendo a relação com ele advinda apenas de questões eleitorais pontuais.
A PF arremata ainda:
“Existe ainda a evidência da proximidade política e social entre ALLYSSON LEANDRO BEZERRA SILVA e OSEAS MONTHALGGAN FERNANDES COSTA, sócio da DISMED. Uma postagem na rede social Instagram, datada de 11 de abril de 2024, mostra ambos juntos,
em fotografia que revela relacionamento cordial entre ambos. Embora a proximidade política, por si só, não caracterize indício de ilícito, ela ganha relevância como indício de possível favorecimento nas contratações públicas quando analisada em conjunto com os demais elementos, especialmente considerando que a DISMED é a principal beneficiária de recursos da Prefeitura de Mossoró, tendo recebido mais de R$ 13,5 (treze e meio) milhões entre 2021 e 2025”.
Pelo relatório da PF, o prefeito de Mossoró aparenta segurança em não ser arrolado no caso porque demonstrava preocupação em se manter oculto dentro do esquema. O próximo diálogo presente investigação é elucidativo a esse respeito:
OSEAS: O problema porque é o seguinte: os cara… [inaudível]… se eu fosse prefeito, meus funcionários por exemplo… ah, esse prefeito é ladrão, quem rouba é ele, pode falar, não me importa não! Aí os cara é um cuidado, não porque ninguém pode saber não….
Sobre o trecho acima, os investigadores fazem a seguinte conclusão:
“Com relação ao trecho acima transcrito, além do contexto geral do diálogo fazer referência à participação de Allysson Bezerra nos esquemas de corrupção, a assertiva revela o cuidado que este demonstra para se manter oculto nos esquemas de corrupção”.

