* Márcio Alexandre
Passaram-se alguns poucos minutos mais das cinco primeiras horas do domingo. Em três locais diferentes da cidade, três grupos de pessoas. Notívagos que consumiram todas as horas da noite anterior.
No primeiro deles, quatro homens entre 45 e 55 anos, numa barraca às margens da via. Tomam cerveja e ouvem música. De Nelson Gonçalves a Zé Ramalho. Conversam, riem e celebram. Estão despidos de aparências e sem a fantasia da ostentação.
Mais adiante, outras três pessoas. Na casa dos 20 e poucos anos. Um homem e duas mulheres. Num desses carrões de dupla tração e muito luxo. Também já sorveram goles do que lhes deixaram “alegres”. Não querem mais o líquido. Querem a adrenalina da estrada.
À beira-mar, o grupo mais numeroso. São 12 rapazes, com idades entre 15 e 18 anos. Num buggy moderno, som na parte de trás e duas garrafas de whisky. Seis ou sete caminham ao lado do bólido. Quatro estão sentados no veículo. Dois ou três se revezam entre ficar em pé nas partes laterais do automóvel. Emitem sons baixos de uma diversão discreta. A música também não tem som alto, uma raridade.
É o final da temporada de veraneio na praia que acolhe a todos. Os que ostentam. Os que curtem a praia sem botar o pé na areia. Os que não saem da areia sem deixar sua marca. Os que marcam o que vale a pena viver. E cada um decide o que é diversão.
* Professor e jornalista

