O vice-governador Walter Alves (MDB) abriu mão de ser o governador do Rio Grande do Norte a partir do próximo mês de abril. Preferiu ficar do lado do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), pré-candidato ao cargo de chefe do Executivo estadual.
A justificativa dada por Walter vai servir de mote para a campanha de Allyson: as supostas dificuldades financeiras enfrentadas pelo erário potiguar.
Por fugir do compromisso institucional – já que é o primeiro na linha sucessória em caso de vacância do cargo -, Walter está sendo chamado de medroso (por não ter coragem de enfrentar as dificuldades que é governar um Estado com problemas) e de traidor (foi convidado pela governadora Fátima Bezerra para ser seu companheiro de gestão e abandoná-la sem justificativa).
Os mais recentes episódios na Terra de Santa Luzia mostram que Walter Alves fez uma escolha errada. Não quis mostrar que tem coragem e agora terá que provar que é favor da honestidade, que não compactua com deslizes de gestores públicos, que não tolera corrupção.
Walter abandonou um governo honesto para se aliar a um pré-candidato suspeito. Saiu do conforto de estar numa gestão que preza pela lisura para ficar com alguém que acumula denúncias por suspeitas de cobrar propina, tendo sido inclusive sido alvo de megaoperação da Polícia Federal (PF).
Em nome de alguém com histórico de suspeitas de superfaturamento de contratos, de irregularidades na gestão, de ter sido acusado de falsear relatórios financeiros e até fraudar o processo de municipalização do Nogueirão, Walter rifou até companheiros de partido.
Ironicamente, quem mais está lucrando politicamente com a operação contra Allyson Bezerra é o vereador Cabo Deyvison (MDB), a principal voz a denunciar as supostas irregularidades cometidas pelo prefeito de Mossoró.
Para agradar Allyson, Walter negou legenda a Cabo Deyvison, que pretende disputar uma vaga de deputado estadual. Agora, com todos os ocorridos, Walter está sendo pressionado pelos fatos. Vai ter que decidir entre quem cobra honestidade (Cabo Deyvison) e quem é acusado de ser desonesto (Allyson). Entre quem quer evitar que roubem e quem é acusado de roubar.
Por enquanto, o vice-governador opta pelo silêncio, esse companheiro cúmplice dos covardes e escudo dos traidores.


