A Polícia Federal (PF) e a Controladoria Geral da União (CGU) tem certeza: ele integra, ao lado do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) o topo do esquema criminoso que pode ter roubado milhões da saúde Mossoró. O seu nome aparece 42 vezes na decisão judicial que autorizou a megaoperação Mederi e na qual foram apreendidos aparelhos eletrônicos do prefeito e, até agora, quase R$ 1 milhão em dinheiro com os acusados. Provavelmente produto do roubo.
Para os investigadores, ele “é apontado como ponto de contato para as tratativas ilícitas envolvendo os fornecimentos da empresa DISMED”.
Numa das conversas gravadas pela Polícia Federal, Oseas Monthalggan e Moab Zacarias (sócios da Dismed) reclamaram a ele que todos estaria ganhando pouco no esquema de desvios de dinheiro da saúde de Mossoró.
Os acusados inclusive, segundo a investigação, alimentavam a esperança de que quando ele chegasse à prefeitura, o esquema fosse ainda mais vantajoso para os envolvidos.
Mesmo com todas as evidências e acusações, como apontam a PF e CGU, o personagem acima retratado, o vice-prefeito Marcos Bezerra segue num silêncio enigmático. Não se sabe se é medo, imposição de medida judicial, submissão ao prefeito Allyson Bezerra ou temor de falar o que não deve.
O fato é que Marcos Bezerra teve, diz a PF, participação fundamental para que os desvios de dinheiro acontecessem. E mesmo com acusações tão pesadas recaindo sobre ele, o vice-prefeito prefere o silêncio. Nos meios policiais e jurídicos, a situação do vice-prefeito é vista como mais grave do que a de Allyson, embora os dois sejam vistos pela PF como integrantes do topo do esquema criminoso.
Por enquanto, Marcos Bezerra sente a pressão de ser visto como possivelmente mais culpado que Allyson Bezerra e ao mesmo tempo não poder falar. No entorno do prefeito, o temor é de que Marcos, atualmente impedido pelas circunstâncias – e por forças ocultas – de falar, fale demais quando for obrigado a isso.
Pessoas próximas ao vice-prefeito garantem se for ao chão, dessa vez, não irá sozinho.



