O ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) é visto como um carrasco para os servidores. Entre os funcionários efetivos da prefeitura de Mossoró, Allyson tem maior rejeição entre os professores. Além de negar direitos, como o reajuste do piso de 2023 e 2025, Allyson também negou coisas simples, como progressões funcionais e licenças para capacitação.
A maior parte dos docentes não apenas repudia a gestão autoritária, perseguidora e ditatorial que Allyson instaurou em Mossoró e que segue sendo tocada por Marcos Bezerra. Muitos demonstravam essa insatisfação publicamente, inclusive com postagens em redes sociais.
Incrivelmente, alguns desses profissionais mudou de postura em relação à gestão municipal. Mas do que isso. Agora, declaram publicamente, inclusive nas redes sociais, apoio à candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Estado. De repente, Allyson virou de carrasco à opção política. Há evidências para mudança tão brusca, radical e repentina.
Denúncias feitas ao Boca da Noite dão conta de que a mudança ocorreu em face de troca. A Secretaria Municipal de Educação (SME) teria condicionado a publicação de licenças, progressões e outros benefícios à declaração pública de apoio à candidatura do ex-prefeito.
Uma das profissionais, que fazia sistemática campanha contra Allyson, foi agraciada no último dia 3, com a concessão de uma licença especial de 3 meses.
Uma segunda servidora “ganhou” dois presentes. Além da concessão de um abono de permanência, a servidora também foi agraciada também com uma licença especial de 90 dias, iniciada dia 2 passado e que se estenderá até o dia 31 de dezembro próximo.
Já uma terceira professora teve publicada uma progressão funcional. Nesse caso, a publicação foi ainda durante o primeiro turno. Mais precisamente em agosto. Logo após o Diário Oficial de Mossoró (DOM) com o benefício ser publicado, veio a mudança. Em quase todos os casos, os benefícios estavam represados. Os pedidos estavam “engavetados” há dois, quatro e até cinco anos.
O Boca da Noite apurou que os benefícios estariam sendo concedidos aos que declararem apoio a Allyson Bezerra. As negociações nesse sentido estariam sendo feitas por uma professora com ligação familiar próxima com o secretário Leonardo Dantas.
Ao mesmo tempo em que concede esses benefícios a alguns por, supostamente, troca de apoio político, a gestão segue perseguindo quem não apoia o ex-prefeito. A professora Maysa Almeida, por exemplo, denunciou que mesmo com a Justiça lhe garantindo o benefício, a gestão Marcos Bezerra se nega a cumprir.
Noutros casos, até mesmo a emissão de documentos simples, como uma declaração de tempo de serviço, que demora 24 horas para ser produzido, somente é emitido para quem não apoia Allyson Bezerra em 30 e até 60 dias.
O Boca da Noite tenta, desde a última quarta-feira, 14/10, ouvir o Secretário Municipal de Educação, Leonardo Dantas, sobre as denúncias. Ele não atendeu nossas ligações e também não respondeu aos questionamentos que apresentamos em mensagem de aplicativo de celular.

