* Márcio Alexandre
Matemática, diz-se há tempos, é uma ciência exata. Fruto também do senso comum, essa percepção ecoa a partir das formas práticas com que as pessoas lidam com os números.
Dois e dois são quatro, sabemos. Mas, um mais três também o são.
Nessas operações aritméticas simples, sobretudo na adição, existam várias formas de se chegar a um mesmo resultado.
Noutra direção, situações existem em que para se alcançar uma determinada condição matemática, talvez só existam dois ou três caminhos. Em algumas circunstâncias, apenas uma. Na porcentagem, por exemplo, é assim. Raciocinemos.
Tendo-se 400 (mil ou reais, fica a critério do leitor), 15 por cento disso dá 60 (mil ou reais, escolha à vontade). Talvez não exista outra forma de se chegar ao resultado de 60 quando se extrai 15 por cento de 400.
Continuando nessa conta, quando se tem 60 mil, e dele se encontram 57.600 (cinquenta mil e seiscentos), não há dívida: alguém ficou com 2.400. Sem segredos. Quem dizer: quase sem.
É porque os 60 mil resultantes da operação percentual que fizemos a partir dos 400 mil podem não ser os mesmos 60 mil dos quais foram subtraídos os 2.400. Matemática é exata, mas pode ser cheia de surpresas. Ademais e, logicamente, que sempre podem surgir as mais variadas interpretações quando se utiliza o termo “subtrair”, por ser um vocábulo polissêmico e multissemântico.
Paradoxalmente, a palavra dividir causa mais problemas do que ela. Principalmente quando os envolvidos na equação são muito afoitos. Para esses, é sempre mais urgente multiplicar os ganhos. Para que todos lucrem o máximo possível. Sobretudo porque a porcentagem parece sempre ser o referencial preferido de quem é chegado a uma aritmética ortodoxa.
Que nos desculpem os expert’s em cálculo se tivermos errados nas contas. Não somos tão bons em Matemática, mesmo nascido e criado em Mossoró.
* Professor e jornalista


