Novo Nogueirão levanta dúvidas: clubes vão pagar para jogar em estádio privado?

Falta de transparência na PPP e ausência de plano de negócios geram críticas em Mossoró

por Ugmar Nogueira
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Novo Nogueirão levanta dúvidas: clubes vão pagar para jogar em estádio privado?

O anúncio da construção do novo Estádio Nogueirão, em Mossoró, reacendeu o debate sobre o futuro do futebol local — mas também levantou uma série de questionamentos sobre transparência, modelo de gestão e impactos para os clubes da cidade.

A proposta, apresentada por uma empresa mossoroense, prevê a construção de uma nova arena por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). No entanto, até o momento, não foram apresentados detalhes fundamentais, como o plano de negócios, os valores totais do investimento e, principalmente, como será a exploração comercial do espaço após a conclusão da obra.

Clubes fora da mesa de negociação

Outro ponto que tem gerado preocupação é a ausência de diálogo com os principais clubes da cidade, como o Potiguar de Mossoró e o Baraúnas.

Até agora, não houve reuniões públicas ou anúncios oficiais sobre possíveis parcerias, condições de uso do estádio ou garantias de acesso para os times locais. Diante desse cenário, cresce a dúvida: os clubes terão que pagar para mandar seus jogos no novo Nogueirão?

A preocupação é legítima. Com a possível transformação do estádio de equipamento público para privado, o acesso tende a seguir uma lógica de mercado — o que pode impactar diretamente as finanças dos clubes e, consequentemente, o futebol mossoroense.

PPP sem clareza e risco para o interesse público

A falta de transparência sobre o modelo de concessão também chama atenção. Em projetos desse porte, é essencial que a sociedade tenha acesso ao plano de negócios, incluindo:

  • Como será feita a exploração comercial das áreas;
  • Quais espaços serão vendidos ou concedidos;
  • Qual o retorno financeiro esperado;
  • E quais contrapartidas serão garantidas ao município e à população.

Até o momento, essas informações não foram apresentadas de forma clara, o que amplia as críticas sobre a condução da PPP.

Especialistas alertam que o papel da incorporadora não se limita à construção do estádio, mas também à comercialização de espaços — o que reforça a necessidade de regras transparentes para evitar que o interesse público fique em segundo plano.

Cobrança por transparência

Sem respostas concretas, o debate segue aberto em Mossoró. Torcedores, dirigentes e a população aguardam esclarecimentos sobre um projeto que pode redefinir o futuro do futebol local.

A pergunta que permanece é direta: o novo Nogueirão será um avanço para o esporte ou um negócio sem garantias para quem realmente precisa dele?

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