Oposição ainda sem agenda na Câmara Municipal de Mossoró

por Ugmar Nogueira
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Março em Mossoró é recheado de acontecimentos. São vários e notáveis os fatos marcantes nas folhas do calendário da vida. Neste mês, comemoramos o Dia Internacional da Mulher, Dia do Carpinteiro e Dia de São José. Até o aniversário do nosso município transcorre em março, sendo lembrado, mesmo que de forma tímida, por alguns setores.

Na política tem algo também para se “comemorar”. Ou pelo menos para se fazer um registro. Trata-se do décimo quinto mês de gestão do prefeito Alysson Bezerra à frente do nosso município.

A chegada dessa data emblemática coincide com um novo momento da relação do gestor com a Câmara Municipal e com uma grande parte dos mossoroenses. Nesse tempo atual da gestão, o prefeito Alysson inicia uma nova fase, que é a de conviver com as primeiras críticas de forma mais aguda, insatisfações dos próprios aliados e um volume mais alto nas cobranças por parte dos adversários.

Nesse novo cenário posto, o prefeito está refazendo sua infantaria no Poder Legislativo. Além disso, tem sido obrigado a “correr” bastante nos bastidores para atenuar crises e abrandar o fogo que já está avançado em algumas partes, apresentando risco de provocar queimaduras de até terceiro grau em alguns setores da sua floresta política.

Nesses quinze meses de gestão, quem não tem pouco a comemorar é o grupo que faz oposição ao governo Allyson Bezerra na Câmara Municipal. Até agora, esse grupo não tem tido rotina propositiva, não tem norte e se alimenta apenas de narrativas comuns, como denúncias de sujeira num muro de uma escola, queixas de ausência de um médico numa Unidade Básica de Saúde (UBS), dificuldades de pais pra matricular um filho, etc. Filigranas diante de graves problemas que a cidade enfrenta. Quase nada diante do volume de recursos que estão sendo contratados sem que os vereadores exerçam sua função de fiscalizador.

O fato é que nada de novo aconteceu na Câmara Municipal. Muito dessa falta de novidade se deve à forma de fazer política de grande parte dos vereadores, baseada na condenável troca de favores, no toma-lá-dá-cá, na ainda subserviente relação do Legislativo em relação ao Executivo. Some-se a isso a volátil posição de muitos dos parlamentares, que trocam de discurso e de lado ao sabor dos ventos.

Na Câmara de Mossoró, tem vereador que já foi governista, depois virou oposicionista, em seguida se tornou independente para, vejamos só, negociar essa independência com o Palácio da Resistência. Sem uma posição firme dos parlamentares, seja em que bancada estejam, difícil se imaginar a construção de um projeto coletivo.

O resultado disso tudo é que Câmara Municipal dar-se o luxo de ter, além da oposição, um grupo que se diz independente, mas que, mesmo assim, não vem conseguindo emplacar um discurso sugestivo e fiscalizador no Legislativo. A sensação que se tem é que sempre tem um ou outro esperando “o canto da sereia”.

O bloco partidário mais forte, criado até agora, é o “Diálogo e Resistência” que, enquanto Allyson não tinha cooptado (ou recooptado) os vereadores Gideon Ismaias (Cidadania), Didi de Arnor (Republicanos) e Zé Peixeiro (ainda no PP), conseguiu ser o fiel da balança nas negociações relativas à Reforma da Previdência e na pressão para que o prefeito se dispusesse a negociar com os professores o reajuste do piso docente.

A gestão Allyson Bezerra prometeu ser um projeto de mudança. Até agora, infelizmente, essa promessa ainda não se cumpriu. Pior, não dá sinais de que vá ser cumprida.

Na saúde, foi prometida a criação do aplicativo Mais Saúde, através do qual seria oportunizado à população um mecanismo digital para solicitação de exames e consultas médicas.  Ainda na área da saúde, mas na questão animal, é vergonhoso ter que lembrar que mesmo com dinheiro em caixa, a gestão não consegue comprar um castramóvel.

Um governo que prometeu construir escolas e unidade de educação infantil, e que até este momento não conseguiu realizar sequer uma licitação para tais obras.

Um governo que prometeu ser diferente no esporte com criação de “Circuito Esportivo de Mossoró”, o (CEM) além de do Projeto “Mossoró Olímpico” e não apresentou nem um diagnóstico das modalidades esportivas existentes e praticadas na cidade.

Passados quase quinze meses de gestão, o que se vê nas ruas é um levante de cobranças. Impressiona é que mesmo com a população cobrando, parte da imprensa mostrando esses problemas administrativos, a Câmara não consegue emplacar uma marcação mais incisiva, que mostre ao governo que o rumo que está sendo seguido está errado, que aparições demasiadas do gestor nas redes sociais, que sua onipresença na mídia não resolve as demandas que a população tem apresentado.

Inadmissível que a Câmara não consiga sequer aprovar a ida de alguns secretários municipais para esclarecer a aplicação de recursos em áreas vitais da administração. O município está há quase 15 meses em estado de calamidade financeira, contratando sem licitação e gastando sem o devido olhar das estruturas competentes da fiscalização. Nada disso chama a atenção da oposição e do grupo independente.

A Câmara é um deserto de ideias. Governistas propõem muito pouco. Oposicionistas cobram quase nada. Independentes não impõem sua independência. E a população paga o preço. Com raras exceções, o Legislativo mossoroense segue a sua sina de oferecer quase nada aos mossoroenses. Independente de quem esteja ocupando seus assentos.

 

Nosso e-mail: redacaobocadanoite@gmail.com

 

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