* Márcio Alexandre
Aproximou-se da mulher e revelou, com a força de um bofete:
– Arrasei com sua mãe. Disse que ela precisava voltava para a igreja. Que se ela não for vai ser castigada. Disse a ela que sonhei com sua sobrinha e que se ela não voltar pra igreja, sua sobrinha vai sofrer. Ela vai ter que escolher: ou volta ou vai sofrer as consequências.
Infelizmente, esse fato aconteceu. Lamentavelmente, não é isolado. Ocorre diariamente, em muitos lares de alguns tipos de igreja e revela algo muito cruel: sem violência, ameaça e medo, muitas delas não prosperariam.
Essa abordagem violenta parece ser o modus operandi de muitas delas. Principalmente no trato com mulheres. Talvez para que não revelem outras violências.
A instrumentalização da fé como ferramenta de poder sobre as famílias, sobre os corpos femininos e a vontade soberana das mulheres virou uma triste realidade. E mostra sua face mais horrível quando um evangélico preso por violência doméstica é tratado como um homem abençoado. Não é. E isso precisa ser dito. Mesmo que persigam quem o diz. Mesmo que amaldiçoem quem ousa dizer o óbvio.
* Professor e jornalista

