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Respeito às regras do jogo

 

* Márcio Alexandre

Começou a campanha eleitoral. Desde as primeiras horas de hoje que os candidatos já podem, oficialmente, apresentar suas propostas e com elas, convencer o eleitorado a votar neles. Vive-se, agora, o início do último estágio do que se convencionou chamar de Festa da Democracia.

Para que sejam, escolhidos, de acordo com a soberana vontade do povo, os representantes do Executivo e do Legislativo, mais do que nunca será necessário que se respeitem as regras do jogo. Jogo que, infelizmente, já vem sendo desrespeitado.

Sim. Há desrespeito toda vez que se questiona a segurança de algo que nunca foi fraudado. Há desrespeito sempre que se ameaça o adversário. Há desrespeito sempre que se impede a voz do outro. Há desrespeito sempre que se cria benefícios eleitoreiros a pender em favor de um candidato.

Essa será eleição deverá ser, infelizmente, uma das mais enlameadas dos últimos anos. Quem vê a iminência da derrota fará de tudo para não ser derrotado. Esse pleito deverá ser aquele em que mais se acusará. E que aquele que mais mente tentará fazer de suas mentiras verdade.

Será a disputa em que se utilizará do sagrado até para se vender a alma ao inominável. Em que mais se acusará o outro daquilo que o acusador mais faz. O maniqueísmo a favor de falsos cristãos será uma arma forte. E as armas certamente tentarão se colocar como forças a burlar a democracia.

Nunca na história o Mal esteve tão confortável para se fingir de Bem. Bem na cara da população.

Mais do que se nunca, serão a garra, o discernimento e a coragem do povo a garantir que a sua soberana vontade será respeitada, garantindo a lisura do pleito, o respeito ao resultado das urnas e, especialmente, a derrota dos que não admitem perder. Quem desrespeita as regras do jogo não merece saborear o gosto da vitória.

* Professor e jornalista

A falta que eles fazem

* Márcio Alexandre


Tenho uma relação forte com os livros. Tanto com o conteúdo quanto com o continente. O que é e o que tem. Lembro com muito afeto do primeiro que li de uma sentada só: A caminho do Oeste. Aliás, quando descobri que a biblioteca da escola permitia que levássemos eles para casa, levava um por dia.
Comecei com os clássicos infantis. Dos Irmãos Grimm, do Hans Andersen. Depois, “devorei” todos os de Monteiro Lobato que a escola dispunha. Um dos que mais me deixaram em sobressaltos, nas minhas leituras de infância, foi “Vavá, entre o medo e a coragem”, do Jair Vitória.

Sempre que um texto do livro de Língua Portuguesa me chamava a atenção, corria para encontrar a obra completa. Vivia de correr nessas buscas.

Vejo o livro não apenas como uma coisa. É um tesouro. Dos grandes. Dos mais valiosos. Como uma família.
Adoro emprestá-los, mas odeio perdê-los. A relação é de afeto mesmo. Quando algum deles desaparece, sinto antes mesmo de consultar em minha estante. Vou lá apenas para confirmar minha suspeita e aumentar minha angústia.

Cadê a Cecilia? Onde foi parar o Dostoéivski? Com quem está a Martha? Será que devolveram o Hemingway? Emprestei o Mia? Os bichos fugiram com o Orwel? Sequestraram o Elmore? Em que Cortiço se meteu o Álvares? Em que se transformou o Kafka? Quebraram o Machado? Será que o retorno do Harari é breve?

No curso de Pedagogia, um dos primeiros livros que comprei foi “História da Riqueza do Homem”, do Leo Huberman. Emprestei-o. Esqueci depois a quem. Também esqueceram de devolver. Comprei um novo exemplar da obra. Novo empréstimo e novos esquecimentos, e nova perda. Comprei-o pela terceira vez. Está ali, a me espreitar.

Enquanto tracejo essas mal-traçadas, sinto uma nova falta. O Carpinejar não está em seu lugar de costume. Li e reli-o. Há escritas que lhe convidam para uma relida em certas ocasiões. Hoje, gostaria de voltar a conversar com o Carpi. Não o encontrei. Esqueci se o emprestei. Lembro apenas da falta que está fazendo. Como muitos outros que permiti idas. Com afeto e peito apertado. Não retornaram. Me restará novas visitas a livrarias e sebos. Presenciais e virtuais. Porque eles seguem fazendo falta. O papo precisa ser renovado. Principalmente porque foram sem se despedir.

* Professor e jornalista

 

Clamor não é vitimismo

* Márcio Alexandre

O feminicídio é uma praga. Uma atrocidade. Uma brutalidade. Não importa as razões pelas quais ele acontece. Não deveria acontecer. É um crime contra a delicadeza. Contra o bom senso. Contra a sensibilidade. Contra uma das mais belas formas da existência humana: a mulher. Uma torpeza.

Um crueldade contra a qual devem se levantar todas as vozes. De todas as pessoas. Em todos os cantos. Feminicidas, covardes que são, se empoderam com o silêncio. E silenciam quando descobertos. Típico dos cruéis.

Para combatê-los é necessário estar-se vigilante. Em todas as horas. Em todos os locais. Em todos os poderes. Em todos os locais de poder. É preciso estar falando sempre que acontecer. E estar denunciando sempre que se falar.

As violências contra as mulheres crescem todos os dias. No Rio Grande do Norte também. São em média, 8 medidas protetivas autorizadas pela Justiça para evitar que o pior aconteça. E mesmo com tais proteções, ele acontece.

E acontece porque muitos só denunciam quando é conveniente. Quando são atingidos pelas lágrimas dos que choram perdas. Ou quando eles mesmo perderam.

Em Mossoró, temos essa triste realidade. Um detentor de cargo público, bolsonarista, misógino, machista, sempre ignorou os clamores das mulheres vitimadas pela violência praticadas por homens também bolsonaristas, misóginos e machistas. Não necessariamente nessa ordem.

Até que a dor entrou em sua casa. Machucou a todos porque resultou em morte. E a vítima tombou porque teve seus clamores ignorados. Inclusive por quem chora sua partida.

O combate às barbáries não deve ser batalha de ocasião. Não deve ser feita apenas por quem perde. Por quem sofre. Tem que ser campanha permanente. De compreensão e afeto. E principalmente de vigilância.

Esse é um apelo por todas as mulheres vitimadas. Por todos os que contam suas vítimas. Clamor de mulher não é vitimismo.

* Professor e jornalista

Nossa lenta morte diária

* Márcio Alexandre

O artista morre e há uma quase comoção nacional. Há um lamento profundo de todos. Uma dor coletiva. Um sofrimento geral. A pessoa, pública, inteligente, genial, da TV, teve uma trajetória de quase onipresença na vida dos que agora lamentam sua partida.

Mas há tempos não havia mais sequer presença. Há muito não se vivenciava na tela a sua genialidade. Há anos, não se gozava da sua arte no dia a dia. O artista estava recolhido. Pelo peso da idade. Pelo ostracismo que o estrelato reserva aos que envelhecem.

A morte do artista é uma metáfora da vida de todos nós. Aos poucos vamos diminuindo nossa presença. Gradualmente sendo esquecidos em nossa existência. Lentamente morrendo. Na utilidade, na memória, na história. Porque talvez o que nos motive seja o novo. O que nos interesse seja a novidade. O que nos excite seja a jovialidade.

Vamos sendo esquecidos todos dias, até sermos lembrados pela morte. Até parece que escolhemos não lembrar daquilo que não podemos esquecer. Envelhecer é ser invisibilizado. Se tornar invisível é morrer um pouco todo dia. Lentamente.

* Professor e jornalista

Parentesco é um amor que cuida

* Márcio Alexandre

Era pouco mais de 9h da manhã da terça-feira, 26 de julho, dia dos avós. Dois homens conversam na recepção de um hospital de Mossoró. O que aparenta ser mais velho demonstra maior preocupação. O mais novo comenta que talvez seja possível irem embora ainda no final daquele dia. O outro responde que tudo seria mais fácil se todo o problema fosse apenas a estadia.

O menino, diz o senhor, está com a cabeça em frangalhos. O tom da voz demonstra que chora por dentro. Não foi possível precisar o parentesco dos homens com o menino, embora um aparentasse ser o pai e o outro o avô. E este último expressava mais cuidado, mais atenção e mais zelo.

Pouco tempo depois do diálogo, o rapazinho aparece na recepção. Deve ter uns 12 anos, no máximo, embora tenha um corpo que faça alguns desavisados pensarem que ele é bem mais velho que isso. A fisionomia, no entanto, é de uma criança.

Mesmo com um catéter no pescoço, exprime alegria e contentamento, sentimentos automaticamente transferidos para o rosto dos homens, especialmente do mais vivido. A fisionomia do menino não guarda semelhança com os dos homens. A de serem parentes. Naquele momento. Naquela situação. Naquele preocupação, isso é o que menos importa. Parentesco de verdade é o amor que cuida. De sangue ou não.

* Professor e jornalista

Um crime contra um milagre

* Márcio Alexandre

São 9 meses nutrindo uma esperança. Pouco mais de duas centenas de dias carregando um sonho. Mais de 30 semanas gestando o futuro. Alimentando com afeto, energias e vibrações.

Até o grande dia, muita espera, expectativa e ansiedade. Uma espera que não angustia. Uma expectativa que alegra. Uma alegria que anima. Uma ansiedade que não machuca. Uma gravidez é uma família em estado de felicidade. A grávida, um misto de delicadeza, força e coragem.

O dia do parto é uma bênção. Uma dádiva. Todo o cuidado que se teve, toda a expectativa que se criou, toda a alegria que se viveu se materializando na nova vida que em breve estará nos braços.

A ida à maternidade até o retorno para casa com o bebê é um rito sagrado. O que se vivencia nesse tempo são ações, passos e atos divinizados. Que devem ser imaculados.

No Brasil, infelizmente, nem sempre é assim que acontece. Lamentavelmente, aconteceu o pior. Uma mãe em trabalho de parto sendo partida em sua alma. Violentada em seu corpo. Constrangida em seu momento mais sublime, em seu tempo mais virtuoso.

A mulher numa situação de maior vulnerabilidade. Totalmente entregue aos outros para receber o que é exclusivamente seu. Horripilantemente sendo invadida por um dos que deveriam protegê-la.

O acusado comete um crime contra uma pessoa e macula um momento divino. Mancha o nome e abusa da vida. Age como um monstro que é. É, inegavelmente, um bandido. Um criminoso. Um canalha. Porque não foi um deslize, um engano, uma falha. Foi um grave delito violando uma grata espera. Uma infração gravíssima contra o milagre da vida. 

Fez da sua transgressão individual uma vergonha coletiva. Para todos nós homens. Para todos os que são dignos dessa condição. A todas as mulheres, em qualquer lugar, por qualquer constrangimento, o meu sincero pedido de desculpas.

* Professor e jornalista

De amor e de verdades

* Márcio Alexandre

 

Nunca se falou tanto e, hipocritamente, em amor. Nunca se buscou tanto justificar o amor sem que ele de fato exista no coração de quem diz amar. Há muita gente dizendo. Há muitos poucos amando.

Amor é perfeição, mas tem gente amando apenas os “perfeitos”. Só se ama os da mesma religião. Só se tolera os da mesma opinião. Só se tece loas para quem se submete as medidas de quem diz estar amando. Nunca houve tanto Procusto.

Hoje, a sensação que se tem é que o amor não é sentido. Muito menos amado. Porque há muitos impondo condições para o que não se condiciona.

Amor não combina com mas. Sem tem mas, é porque o amor é de menos. Amo-o, mas ele é pobre. Amo-a, mas ela é chata. Amo-o, mas ele não é hétero. Amo-a, mas ela não é submissa. Amo-o, mas ele é de direita. Amo-a, mas ela não é cristã. Amo-o, mas ele é rebelde. Amo-a, mas ela é questionadora.

Quando se faz ressalvas, não é o amor falando, é alguém fingindo amar. O amor, como diz o poeta, sobreleva os vícios e as virtudes.

Mas chama a atenção mesmo é o tanto de gente que se veste com armadura de cristão e fere com a lança dos bárbaros. E o faz usando o Santo nome em vão. Na casa do Pai. Justificando sua pulsão de morte com instrumentos sacros. É difícil acreditar em amor em quem cultiva o caos.

Em nome de certos sentimentos, há quem relativize a barbárie. Há quem aceite redução de direitos. Há quem ignore a dor do outro. Há quem feche os olhos para quem sofre. Há quem desperdice quando tem gente passando fome. Há quem aceita discurso de ódio. E quem os alimente.

Há quem faça gestos de execução. Há quem execute. Há quem discrimine. Há quem tente inclusive defender quem mata, culpando quem morreu. E há quem defenda quem incentiva matança, execute e discrimine. Quem age assim sente um bocado de coisa, mas lamento dizer: não é amor. Amar é aceitar e respeitar até quem não se ama.

* Professor e jornalista

 

Ode à resistência, brinde à amizade

* Márcio Alexandre

Segunda metade dos anos 90. Estudava Pedagogia, curso que concluí com as dificuldades de conciliar estudos e trabalho na imprensa, onde jornais fechavam tarde e abriam cedo. Ela cursava Ciências Sociais. Trabalhávamos no mesmo diário.

Nosso patrão era um entusiasta da educação. Um apaixonado pelo conhecimento. Mas amava mesmo que seus filhos tivessem o melhor ensino e acessassem o maior conhecimento. Isso talvez explique o que fez contra nós.

O dono do matutino começou a criar dificuldades para que continuássemos a estudar. Instituiu horários quase “incumpríveis”. Resistíamos. Seguíamos no nosso propósito. Tínhamos a mesma percepção de mundo, a despeito de exercermos um ofício sob o qual recaía algum glamour. O jornalismo, naquela época, era uma profissão que poderia fazer desavisados se acharem mais do que realmente eram.

Eu e Izaíra Thalita seguíamos com pés no chão. Não nos iludíamos com confetes que jogavam sobre nós. Gente que nos enaltecia sempre com segundas intenções. Nossa intenção maior era aprender. Crescer profissionalmente, tanto no exercício prático do jornalismo quanto na busca por novos aprendizados.

Mesmo percebendo que não nos dobraríamos a seu capricho malfazejo, o homem seguiu com suas invencionices. Não parou em suas maléficas tentativas de nos impedir de seguir como acadêmicos. Todas malogradas.

Uma de suas jogadas mais desleais foi estabelecer um plantão diário. Teríamos que ficar pelo menos ate as 18h, mesmo que já tivéssemos entregue nossas matérias jornalísticas e até mesmo já tendo acompanhado o fechamento de nossas páginas e até das editorias.

Izaíra tinha um simpático Fusca. Um carro bem cuidado e que tinha um toca cd player. Um charme. Lembro até da playlist. Um percurso de papo cabeça e música de qualidade.

Minha colega jornalista passou então a ir direto do jornal para a faculdade. Em sua imensurável grandeza e grande sensibilidade, me ofereceu carona. Diária. Eu já morava no Nova Vida. Dependia de transporte público. Sair do jornal às 18h e estar na UERN às 19h talvez não desse tempo nem se eu tivesse um carro.

Foi assim que consegui concluir o período que me permitir ir adiante e chegar à conclusão do curso. Foi assim que percebi que os resistentes são solidários, amigos e companheiros. Foi assim que percebi em Izaíra uma amiga resistente e de parceria.

Um registro de agradecimento. Um reconhecimento aos que resistem. Sobretudo nesses tempos em que “progressistas” sucumbem se apequenando. E os resistentes se agigantam no silêncio de suas bondades. Valeu, Izaíra Thalita.

* Professor e jornalista

Nosso e-mail: redacaobocadanoite@gmail.com

Um erro necessário

* Márcio Alexandre

O Brasil é hoje o país da inflação. É o país do subemprego. É o país da fome. Do desespero e da desesperança. É um país triste. De uns angustiados por todas essas mazelas e de outros espumando ódio contra quem reclama. O governo atual transformou o Brasil numa tragédia.

Estamos tão mergulhados no fundo do poço que não se pode reclamar de nada. A gasolina baixou o preço ao custo da diminuição das verbas da educação e da saúde. E teve tonto que comemorou essa redução. Mesmo sabendo que vai reduzir os investimentos nesses importantes setores.

Um fato acontecido essa semana, em Mossoró, dá uma noção do quanto o caos é grande. Do quanto os trabalhadores estão sentindo na pele os efeitos de todas as mazelas que esse governo constroi todos os dias, tendo como fiador um bocado de gente com nada na cabeça e maldade no coração.

Um trabalhador de uma clínica, auxiliar de serviços gerais, assalariado, não teve como pagar pelo combustível de sua pequena moto para ir trabalhar. Uma dessas cinquentinhas, cujo consumo é o mínimo. É o meio mais barato de ele chegar ao trabalho.

O patrão, bolsonarista, não dá uma ajuda sequer. Acha que paga muito e cobra pouco, mas ocorre justamente o contrário. O homem, trabalhador, pai de família, duas crianças para sustentar com os menos de mil reais que sobram após os descontos legais no contracheque.

Sem dinheiro para o combustível, faltou também tranquilidade para o sono. Quando dormia, vinha o pesadelo de uma possível demissão. Homem correto, sério e honesto, tentou de todos os jeitos encontrar uma forma de cumprir com a jornada de trabalho. Pensou, refletiu, buscou, tentou e nada. Precisava de uma justificativa forte para evitar uma despedida inevitável.

Viu uma alternativa, mas que contrariava seus princípios. Precisou sacrificá-los em nome da comida para os filhos. Arranjou um atestado médico para justificar três dias de falta por falta de gasolina. Uma espécie de crime famélico.

Como pai, adoraria que esse tipo de estratégia não fosse necessária. Como ser humano, torço que essa tragédia se acabe. Como brasileiro, espero que pelo menos os mais abastados tenham empatia com esses que sofrem. Como cronista, desejaria que esse texto fosse de ficção.

* Professor e jornalista

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Uma alegria gigante

* Márcio Alexandre

Arquibancada cheia. Todas as cadeiras na quadra ocupadas. Pais, mães, tios, tias, irmãos, irmãs, primos, avôs, avós, conhecidos, vizinhos. Todos na expectativa. Pequenos-grandes astros vão se apresentar. Meninos e meninas que são artistas e plateia. Que aplaudem e serão aplaudidos.

Não há tensão, há expectativa. Não há medo, há euforia. Não há nervosismo, há ansiedade. Mas há, sobretudo, alegria. Há olhos de contemplação, de entusiasmo, de felicidade. Nos que veem e nos que são vistos.

No show, há uma igualdade das mais bonitas, das mais verdadeiras e das mais necessárias. Escola democratiza as atenções. A educação empodera o talento.

A dança é a expressão de tudo que pode dar certo. O surdo é o reflexo dessa emoção. Acompanha cada passo, sente cada comando, repete cada gesto. Ri, feliz, porque o som da emoção é a compreensão.

O autista esquece a introspecção. E esbanja em sorriso. Até no passo exala felicidade. Está satisfeito. Se vê. Se encontra e reencontra. E sente prazer nesse reencontrar.

Aquele que a tristeza quer ser sua companhia a deixou órfã. Ela, agora, não o incomoda. Ele, agora, se deleita. É um momento dele, do agora, para o sempre. A satisfação será uma parceira permanente.

Aquela que a indisciplina teima em lhe acompanhar não acompanha o que está errado. Percebe que, na festa, a força é ferramenta de ajuda. É instrumento de colaboração.

Comemoração na escola é celebração da igualdade. É reconhecimento de liberdade. É exultação da fraternidade. É festa que começa grande e finaliza enorme. Que começa pra ser importante e termina para ser inesquecível.

Educação na escola empodera porque é na relação com os outros que o aluno se descobre grande, se percebe capaz e se vê igual a qualquer outro que ele julga gigante. Porque na igualdade todo mundo é imprescindível.

* Professor e jornalista

Nosso e-mail: redacaobocadanoite@gmail.com