Minha memória, nossas histórias – Parte 1

Montanos mais do que um espaço para tocar música e fingirmos locução; transformamos a ideia em magia

por Ugmar Nogueira
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* Márcio Alexandre 

Início dos maravilhosos anos 90, iniciando o Ensino Médio. Um dos melhores tempos, vivendo com as melhores pessoas. Construí, naqueles dias, com alguns grandes amigos, algumas das memórias mais importantes. E inesquecíveis.

Na Escola Estadual José Martins de Vasconcelos, jornalista que inspirou a alguns dos estudantes daquela escola – a mim inclusive – a seguir o ofício, tivemos um grande evento: a Feira de Ciências. Um acontecimento. Aprendizado e festa. Conhecimento e música. Ciência e poesia. Um deslumbre.

Wendel Abreu, nosso James Dean sem álcool e muita caretice, mente criativa, habilidade tecnológica, deu a ideia – e a concebeu em quase sua totalidade: montar uma rádio escolar. Creio que foi a pioneira. Ou, pelo menos, uma das primeiras. Foi a sensação da escola.

Montanos mais do que um espaço para tocar música e fingirmos locução. Transformamos a ideia em magia. E, como mágica, conquistamos todos. Jovens e adultos. Homens e mulheres. Mocetões e mocetonas. Corações e mentes.

Tinha a rádio, os discos, os CDs, o toca-discos, as cartinhas, os pedidos, mas tinha também a cenografia. Os cartazes feito à cartolina. Pôsteres com imagens dos nossos artistas preferidos e dos discos preferenciais. Um arraso.

Fabiano Souza, fã de Cazuza, fez um texto massa, só com títulos de músicas do poeta do rock. Uma amostra do grande jornalista que viria a ser. As leituras desse escrito se constituíram em saraus nos quais ouvíamos de Fagner a Engenheiros do Hawaii; de Legião Urbana a Cartola; de Alcione a Pixinguinha. E bebíamos. Na fonte, no mangue, na praia. Refletindo, filosofando. Vivendo. Uma festa.

A turma era das melhores: além dos já citados Fabiano e Wendel (artista plástico, cinegrafista), Elisângela Moura (que viria a ser a grande radialista que hoje é); Aclecivam Soares (grande na pena; no tamanho nem tanto); Jandel Franklin (hoje nas entregas de mensagens e objetos); Iranilson Cunha (agora professor de História). E eu? Deslumbrado. Aprendendo. Feliz, extasiado. E querendo que aquilo fosse para sempre. Para mim sempre foi. Sempre será. Felicidade não tem prazo de validade.

* Professor e jornalista

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