Blogueiros, beijoqueiros e afins são convocados para impulsionar narrativa de Allyson sobre megaoperação da PF

Prefeito se esconde para fazer valer seu discurso de vítima, apesar de ele ser investigado, acusado, suspeito

por Ugmar Nogueira
A+A-
Reiniciar

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), um dos principais alvos da megaoperação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria Geral da União (CGU) que apura desvios na saúde, não vai dar esclarecimentos à população de Mossoró. O gestor não quer explicar, ele quer confundir. E ainda tentar lucrar politicamente com o episódio.

Antes de que alguém imagine que é exagero, é importante lembrar que a tarefa está sendo definida como de fato é: megaoperação. É muita gente graúde envolvida (Allyson entre eles), é muito dinheiro desviado. São pelo menos seis prefeituras em que os bandidos meteram a mão no dinheiro do povo.

Pois bem, apesar de toda essa gravidade, Allyson não convocou a imprensa para responder aos questionamentos que um gestor precisa responder num caso tão volumoso. Ao contrário, o prefeito está se escondendo.

Se esconde atrás de uma nota divulgada por seus advogados. Sequer teve a decência de assinar a nota. Misto de covardia e malandragem. Se esconde em estúdios caros para fazer vídeos e enganar desavisados.

Allyson escolheu o caminho no qual ele caminha incólume, messianicamente posto como alguém acima do bem e do mal: a Internet.

Nas redes sociais, postou um dos seus recorrentes vídeos e nos quais acusa todos mundo, mente e faz de conta que não é ele o alvo da operação.

Como cliente da Meta (empresa dona do Instagram e Facebook), o prefeito sabe que seu vídeo vai conseguir mais alcance que a maioria das matérias da imprensa séria que mostrou a operação, seus detalhes e, inclusive, o carro do gestor sendo escoltado pela Polícia Federal.

Para a operação “livra Allyson”, foram convocados muitos: de blogueiros, a beijoqueiros; de ex-vereadores a ocupantes de cargos comissionados; de terceirizados a membros de igrejas evangélicas. De diretores de escolas a ocupantes de cargos em secretarias municipais. De vendidos a vendados.

Quem não foi convocado a falar foi convidado a calar. Gente que posa de jornalista sério e independente, mas que só publicou o fato depois que foi autorizado pelos inquilinos do poder e, claro, dando mais destaque à nota da defesa do que aos fatos em si.

Allyson, com toda a desonestidade intelectual que lhe é peculiar, obviamente, que politizou a operação policial. Se disse perseguido. Roteiro clichê de todos os que são pegos tungando a máquina pública. Ele investigado, acusado, suspeito. Num filme, não seria o mocinho, e sim o bandido.

Nas redes sociais, tem correligionário dizendo até que as notícas sobre a operação são falsas. Nos grupos de zap, a cada instante tem alguém repostando o vídeo em que Allyson acusa a PF de agir politicamente.

Numa coletiva de imprensa, Allyson teria a chance de dizer porque foi alvo da operação se os seus advogados afirmam que ele não é suspeito de nada. Diria quais contratos são investigados, quais valores envolvidos. Diria, por exemplo, quem são “as terceiras pessoas” a quem seus defensores se referem.

Ele não vai fazê-lo. Por quais razões, só ele pode dizer. Prefere recorrer aos puxa-sacos. Aos que vivem de beijar sua testa e lamber suas botas. Isso, no entanto, não o inocentará. Allyson coloca em xeque até a sua própria presunção de inocência.  Talvez o ajude na campanha. Se continuará candidato, será sob o signo da desconfiança.

Por que Allyson Bezerra se recusa a esclarecer à população sobre a operação da PF?

 

Advogados de Allyson Bezerra se manifestam por meio de nota sobre operação da PF contra o prefeito

 

 

Prefeito Allyson Bezerra é alvo de operação da Polícia Federal que apura desvios de dinheiro da saúde

Publicidade

Postagens relacionadas

Deixe um comentário

* Ao usar este formulário, você concorda com o armazenamento e o manuseio dos seus dados por este site.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Assumiremos que você está ok com isso, mas você pode optar por não participar se desejar. Aceitar Leia mais