Nome de Allyson Bezerra aparece mais de 20 vezes em investigação sobre roubos na Saúde

Prefeito é citado diversas vezes por suspeitos, inclusive em diálogos sobre a divisão do produto do roubo

por Ugmar Nogueira
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O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil) ainda vai ter que lutar muito para tentar desvincular seu nome do rumoroso caso de roubo de verbas da saúde da prefeitura. No atual estágio das investigações, a Polícia Federal (PF) tem certeza de que a roubalheira acontecia. O foco agora é para provar a participação de cada um dos envolvidos na organização criminosa.

Embora a mídia allysista queira passar a ideia de que os áudios presentes nos autos da operação o inocentem, na verdade, o que eles mostram é a proximidade do gestor com os principais suspeitos de operarem de forma direta o esquema. Há, inclusive referências à suposta propina recebida pelo prefeito.

Na decisão que autorizou a megaoperação da PF e da Controladoria Geral da União (CGU) e que alcançou Allyson, o nome dele aparece mais de 20 vezes.

Na primeira delas, os investigadores aduzem que a proximidade entre Allyson e Oseas Monthalggan – sócio da Dismed – reforçam a suspeita de ilegalidades na relação entre a prefeitura de Mossoró e a citada empresa. É o trecho abaixo:

Tal suspeita era reforçada pela proximidade política entre OSEAS MONTHALGGAN, sócio da DISMED, e ALLYSON BEZERRA (prefeito municipal de Mossoró), conforme ilustrado na seguinte postagem da rede social Instagram.

Nas transcrições sequenciais, os investigadores reafirmam a proximidade política e social entre Allyson e Monthalggan e, no passo seguinte, detalham o que ficou conhecido como a “Matemática de Mossoró”, que nada mais era que a forma como os criminosos dividiam o suposto produto do roubo. Nesse trecho, o nome de Allyson aparece mais duas vezes, inclusive com os acusados revelando que ele receberia 15% de propina, nada menos que R$ 60 mil de um total de 400 mil pagos pela prefeitura à Dismed.

Os autos trazem ainda o nome de Allyson como provável integrante da organização criminosa e o seu cuidado para se manter oculto nas negociatas ilegais.

Os trechos são os que seguem abaixo:

Com relação ao trecho acima transcrito, além do contexto geral do diálogo fazer referência à participação de Allysson Bezerra nos esquemas de corrupção, a assertiva revela o cuidado que este demonstra para se manter oculto nos esquemas de corrupção. Como será visto a seguir, o nome de Allysson Bezerra é, ainda, citado em diálogos referentes ao planejamento do grupo criminoso para futuro favorecimento da campanha de seu vice-prefeito MARCOS ANTONIO BEZERRA DE MEIDEIROS, cotado a ser seu sucessor na Prefeitura de Mossoró. Em tais diálogos, o grupo arquiteta a divisão de valores de propina, a fim de que sejam acumulados para eventual financiamento de campanha.

O nome de Allyson também aparece no diálogo em que Moab e Oseas (sócios da Dismed) falam sobre juntar dinheiro de propina para bancar campanhas eleitorais.
Os trechos seguem abaixo
Contexto anterior: Os sócios OSEAS e MOABE conversam sobre “combinar com MARCO”,
para “criar moral com o HOMEM”, e sugerindo que fosse juntando “PROPINA” para futura
“campanha”.
[…]
OSEAS: …Vamos dar o exemplo…
MOABE: Agora assim. Devia ter feito MARCO o seguinte: MARCO, você diz que quer esse
valor. Como você…aí você tem que se organizar!
OSEAS: Eu já disse duzentas vezes!
MOABE: Mas…Ele vai cobrar o valor. Eu tenho que dar aqui a você duzentos mil de
PROPINA hoje. Aí eu pago cem (R$ 100.000,00) você está entendo e cem…você guardando
pra sua CAMPANHA.
OSEAS: É!
MOABE: Agora, aquele negócio, porque…Você chegando na campanha ou na campanha de
ALLYSON, você chegou na campanha de ALLYSON independente de qualquer coisa, você
vai dizer assim. ALLYSON…[trecho inaudível]…vai desconfiar de que ele está roubando…
OSEAS: Não, …a campanha dele não…
MOABE: Ele tem que se preocupar com a campanha dele (MARCO)
[…]
MOABE: Agora assim, por outro lado, por outro lado, eu não sei se o cabra roubar e dar o
dinheiro dele mesmo, por exemplo, porque ele não vai querer fazer por enquanto a campanha
de MARCO…de ALLYSON, certo? Mas o cara ir tirando aos pouquinhos e o cabra vai
levando pra casa, tá entendendo? Tirou trinta, aí vai dar cem conto, cento e cinquenta, você
está entendendo? Vai tirando esse dinheiro e guardando. Quando for no final, quando for pra
começar tá aqui MARCO, aqui é um extra pra você, eu vou dar isso aqui a você, mas…
OSEAS: Pra campanha!

Em vários diálogos captados pelas escutas realizadas pelos investigadores, o nome do prefeito Allyson Bezerra aparece sendo citado por Moab Zacarias Soares (ex-vice-prefeito de Serra do Mel) e Oseas Monthalggan, ambos sócios da Dismed, e, segundo a PF, alguns dos principais integrantes da organização criminosa. Os dois inclusive estão com medidas restritivas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
A aparição do nome do prefeito sendo citado reiteradas vezes pelos demais suspeitos levam a PF a concluir que Allyson Bezerra estava no topo do esquema criminoso de roubo de dinheiro de dinheiro da saúde de Mossoró.
A conclusão dos investigadores segue abaixo:
Nesse trecho da representação, a Autoridade Policial revela a posição que cada
investigado ocupa na estrutura descrita pelos diálogos captados. No topo, estariam os agentes
políticos — ALLYSSON LEANDRO BEZERRA SILVA e MARCOS ANTÔNIO BEZERRA
DE MEDEIROS — que, segundo as conversas captadas, receberiam propina em percentuais
definidos sobre os contratos. No nível intermediário, estariam os gestores administrativos —
JACQUELINE MORGANA DANTAS MONTENEGRO, ALMIR MARIANO DE SOUSA
JÚNIOR e POLIANA REZENDE DANTAS —, que garantiriam as condições institucionais
para funcionamento do sistema. No nível operacional, estariam os fiscais e gestores de contrato
— SAMANTA SOUZA MARQUES e DIEGO PATRÍCIO DE CARVALHO —, que
viabilizariam concretamente as entregas parciais mediante atestados. Externamente à
administração pública, estariam os empresários — OSEAS MONTHALGGAN FERNANDES
COSTA e JOSÉ MOABE ZACARIAS SOARES —, que operacionalizariam o esquema no
âmbito privado.

Veja aqui a decisão judicial que autorizou a operação Mederi

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