O vice-governador Walter Alves (MDB) é quase uma incógnita. Suas últimas ações o colocam na condição de traidor e não confiável. Mas talvez não se restrinja apenas isso, embora isso seja muita coisa. A traição parece ser da política. Não ser confiável, num campo em que a palavra empenhada conta muito, parece ir além disso.
Alçado à condição de vice-governador pela governadora Fátima Bezerra quando caminhava para o limbo da política exigia-se dele um mínimo de dignidade e hombridade. Não demonstrou nem uma coisa nem outra.
Não teve dignidade para dizer em alto e bom som que não era do governo estadual e que não pactuava do projeto de gestão que a governadora Fátima Bezerra planejou com régua e compasso e que executa com coragem, altivez e muito trabalho.
Walter não teve hombridade para honrar o cargo que recebeu. Vice-governador, sabemos todos, não recebe votos. Portanto, esperava-se que seguisse não apenas como sucessor da governadora Fátima Bezerra, mas levando adiante o seu projeto de governo.
No campo político, Walter recebeu de Fátima todas as garantias. Seus indicados a cargos no Executivo foram nomeados pela governadora. Sua pretensão de ser candidato (a qualquer coisa, porque sequer se sabia a que ele desejava concorrer) foi acolhida pela professora Fátima Bezerra na condição de líder do grupo político do qual se pensava que Walter fazia parte.
Walter abandonou tudo isso para dizer que renunciaria à condição de sucessor natural da governadora para que esta, em caso de renúncia, pudesse ser candidata ao Senado.
Fátima foi levada a desistir da postulação. Num gesto de grandeza, Fátima preferiu seguir com o plano que traçou para o Rio Grande do Norte e que inclui a melhoria da segurança pública, o aumento nos indicadores educacionais, a ampliação da oferta dos serviços de saúde e a recuperação da malha viária estadual, entre tantos outros serviços, obras e atividades.
Walter receberia um portfólio histórico para finalizar o mandato que Fátima conquistou e que para ele estava transferindo. O vice-governador não quis. Disse que renunciaria.
Para não entregar o Governo do Estado aos profetas do caos, Fátima decidiu continuar. E Walter não teve a dignidade sequer de renunciar, como disse que faria. Mostrou mais uma vez seu tamanho. Ou a falta de.
Não se sabe porque desistiu de desistir. Não se sabe porque decidiu abandonar um projeto tão exitoso para o Estado. Muito menos a troco de quê. Se as razões forem republicanas, não custa vir a público expô-las.
Seu silêncio não é apenas uma prova de covardia. O vice-governador é quase uma incógnita porque há algo que o define. Walter virou um homúnculo. Assim será lembrado pelo resto de sua vida.
Foto: Potiguar News


