Styvenson: de fiscal de bêbado a amigo de estuprador?

Mudança de comportamento do senador chama a atenção e preocupa

por Ugmar Nogueira
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É emblemática a mudança de comportamento do senador Styvenson Valentim (PSDB). Mas é também preocupante.
Ao cumprir seu papel de agente cumpridor da lei, pelo qual era muito bem pago, o então capitão da Polícia Militar ganhou a simpatia do povo, tão carente de heróis num país que adora salvadores da pátria. Mesmo que virem párias.
Como rigoroso fiscal de bêbados ao volante, Styvenson fingiu ser implacável contra erros e crimes. Ganhou uma vaga no Senado com o embuste. Sim, não passavam de lorota as bravatas do senador.
Styvenson passou a fazer quase tudo que antes condenava. Menos dirigir bêbado. Pelo menos.
Styvenson parece ter mantido a sobriedade para votar com consciência num projeto que beneficia criminosos. Ele deve conhecer o projeto do início ao fim. E sabe que ao embarcar nele virou sócio de quem quer ajudar a liberar da cadeia gente de alta periculosidade. E não são apenas os aloprados do 8 de janeiro de 2023.
Styvenson virou amigo de estuprador? Esse foi um dos muitos tipos de bandidos beneficiados com o PL da Dosimetria. Ou, pra ser honesto: o PL da Bandidagem.
Num país com tantos machistas e com registros diários de feminicídios, se aproximar, por ideologia, interesses ou por Projetos de Lei, de estupradores é um cinismo criminoso.
Estupradores, Styvenson deve saber, são muito mais perigosos que motoristas embriagados, embora estes também sejam infratores da lei.
Styvenson virou amigo de estuprador? O que o motivou como a votar a favor da excrescência legislativa, o desvio constitucional? No caso de Styvenson, se aproximar de criminosos, mesmo por meio de um projeto de lei inconstitucional, é ainda mais vergonhoso por causa dá gravidade do discurso, do agravante da pauta.

Ninguém pediu pra Styvenson fazer do cumprimento da lei plataforma pessoal. Foi ele que o quis. E foi com esse discurso que ganhou o Senado. Agora, precisa vir a público dizer porque acha que estupradores são menos nocivos que “bebuns” que dirigem sobre efeito de álcool. O silêncio pode sugerir mais do que amizade com os criminosos que ele ajudou a tornar livres em breve. Principalmente, os estupradores.

Votar num projeto que beneficia criminosos não é só ser cúmplice de uma barbaridade. É sério defensor do bárbaro.

Imagem: Portal O Macaibense

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