* Márcio Alexandre
Em pleno centro da cidade, sol a pino, temperatura na casa dos 40 graus, nenhuma árvore a oferecer sombra e o alienado, a plenos pulmões, acompanha uma dessas “músicas” de espalhar tristeza.
Nas lojas, a “trilha sonora” da depressão programada é a mesma: acordes de lamentações, harmonia de dar dó, notas de sofrimento e apoteose metafísica. Nada da Terra faz sentido. Basta que a letra da “canção” traga a palavra mágica ou o nome sagrado.
O maniqueísmo religioso alcançou patamares preocupantes. Virou peça de marketing comercial e político. É a grande estratégia para vender discursos e empurrar produtos.
No campo eleitoral, é uma tragédia. Basta o candidato citar um versículo que vira santo. Santo não porque a religião que domina a narrativa atualmente não admite. Vira intocável, sagrado, insuspeito, um Deus na terra.
O negócio é tão sério que o ungido rouba, desvia, persegue, mente, engana, e nada abala sua popularidade. Mesmo superfaturando o contrato com Papai Noel. Aliás, para saquear os cofres públicos, o abençoado posa até com o bom velhinho, toma bebida alcoólica com cantor contratado a peso de ouro e finge simpatia em festa de padroeiro.
Enquanto isso, a cidade, com a tristeza que esse tipo de governante adora que exista, caminha para o buraco. Com dívidas cada vez mais astronômicas, com contratos cada vez mais suspeitos e com cargos cada vez mais desnecessários.
Essa tristeza entorpece, desvia o foco e faz com que os governados culpem os céus ao invés de fiscalizar o gestor. O neopentecostalismo é uma máquina de adestrar tolos. Amém, igreja???!!!
* Professor e jornalista
Ilustração: imagem criada em ChatGPT


