Ugmar Nogueira
Ugmar Nogueira
Radialista desde de 1999 com DRT N° 1597 – SRTE/RN – Formado em Saneamento Ambiental e Estudante de Direito. Defensor da boa política, conhecido pela coerência de minhas ações em defesa do cidadão e da democracia.
A FÊMEA – Feira de Empreendedorismo Feminino, chega à sua 7ª edição, consolidando-se como o maior evento de valorização das mulheres empreendedoras e criativas do estado do Rio Grande do Norte. De 07 a 09 de Novembro, o público poderá conferir uma programação intensa e gratuita, aberta a toda a comunidade, celebrando o talento e a força de mais de 100 mulheres empreendedoras participantes, mulheres que transformam ideias em negócios e inspiram novas trajetórias.
Neste ano, a FÊMEA apresenta uma grande novidade: o Festival Mulherada, um espaço dedicado à cultura e à arte feminina, com três dias de shows, desfiles, gastronomia regional e apresentações artísticas que exaltam o protagonismo das mulheres mossoroenses, em todas as suas formas de expressão.
Mais do que uma feira, a FÊMEA é um movimento de inclusão, sustentabilidade e fortalecimento da economia local. Cada edição gera oportunidades, fomenta a economia criativa e cria conexões poderosas entre mulheres que empreendem, produzem, compartilham e transformam no RN.
Evento sustentável e inclusivo, a feira reafirma seu compromisso com o consumo consciente, a acessibilidade e a diversidade. A cada edição, a FÊMEA mostra que é possível empreender com propósito, unir comunidade e promover impacto social positivo.
A entrada é gratuita e aberta ao público, para celebrar o talento, a cultura e a força das mulheres que movem o RN.
📍 Local: Praça de Eventos Gustavo Negreiro, Corredor Cultural , Av. Rio Branco – Mossoró/RN
📅 Data: de 07 a 09 de Novembro das 17:00 as 23:00
💜 Entrada gratuita

Termina nesta sexta-feira (31) a Campanha Nacional de Multivacinação, focada nas crianças e adolescentes de até 14 anos de idade (14 anos, 11 meses e 29 dias). A ação prioriza os imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação 2025, incluindo poliomielite e Covid-19, além do resgate de não vacinados contra HPV, febre amarela e sarampo.
No sábado (18) as secretarias de Saúde do Estado e do município de Natal, em parceria com o Ministério da Saúde, realizaram uma ação conjunta para marcar o Dia D da Multivacinação no Rio Grande do Norte e na capital. Os secretários Alexandre Motta e Geraldo Pinho participaram pela manhã da vacinação na Unidade Básica de Saúde Rosângela Lima, no bairro Planalto, Zona Oeste da capital.
A campanha de Multivacinação foi aberta no início de outubro e a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) encaminhou nota técnica aos municípios do RN com todas as orientações necessárias à execução da campanha. Cada criança ou adolescente é avaliada individualmente e receberá as vacinas necessárias de acordo com sua situação vacinal. É preciso levar documento de identificação e a caderneta de vacinação.
Operadora de plano de saúde é processada por negar assistência a crianças com transtorno do espectro autista
O Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (MPRN), por meio das Promotorias de Defesa do Consumidor e da Pessoa com Deficiência de Natal, ajuizou uma Ação Civil Pública por danos morais coletivos contra a operadora Humana Saúde Nordeste Ltda., em razão da interrupção abrupta de terapias essenciais a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) após o descredenciamento de clínicas especializadas que prestavam atendimento aos beneficiários do plano.
A investigação teve início a partir de denúncias de famílias e da Associação Brasileira de Apoio à Pessoa com Deficiência (ABAPED), relatando que a operadora havia descredenciado, entre junho e julho de 2024, as clínicas Cliap, Reability Center e Polaris, sem garantir alternativas equivalentes de atendimento. O caso foi apurado em um inquérito civil.
Com o descredenciamento, a Humana concentrou os atendimentos na clínica própria Janela Lúdica, que, segundo laudo técnico elaborado pela Central de Apoio Técnico Especializado do MPRN (CATE/MPRN), não possuía estrutura suficiente nem diversidade terapêutica equivalente às clínicas anteriormente disponíveis. O relatório apontou redução no número de terapias, existência de filas de espera, substituição de sessões individuais por atendimentos coletivos e prejuízo à continuidade dos tratamentos — fatores que configuraram desassistência a um público considerado hipervulnerável.
Além do ajuizamento da ação civil pública, o MPRN também encaminhou representações à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e ao Procon Municipal de Natal, requerendo a instauração de processos administrativos para apuração e sanção das irregularidades cometidas pela operadora, conforme os documentos oficiais encaminhados pelas Promotorias de Justiça competentes.
Nas representações, o MPRN sustentou que a Humana Saúde violou normas consumeristas e regulatórias ao realizar o descredenciamento sem assegurar a substituição equivalente dos prestadores de serviço, contrariando as Resoluções Normativas nº 566/2022 e nº 567/2022 da ANS, além de infringir o Código de Defesa do Consumidor e a Lei nº 9.656/98 (Lei dos Planos de Saúde).
O MPRN também ressaltou que a Lei nº 12.764/2012 (Lei Berenice Piana) e a Lei nº 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão) impõem às operadoras o dever de garantir o atendimento contínuo e equivalente às pessoas com deficiência, especialmente às crianças com TEA, cuja evolução clínica depende de terapias precoces, intensivas e ininterruptas.
Diversas decisões judiciais individuais já reconheceram a irregularidade da conduta da Humana Saúde, determinando a retomada imediata dos tratamentos nas clínicas descredenciadas, especialmente na Cliap. Ainda assim, relatos colhidos pelo MPRN apontam descumprimento de liminares e persistência de filas de espera, configurando reiterado desrespeito ao direito fundamental à saúde e à dignidade da pessoa humana.
Na ação civil pública, o MPRN requer a condenação da operadora ao pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 1 milhão, a ser revertida ao Fundo Estadual de Defesa dos Direitos Difusos, com o objetivo de reparar o abalo social causado e inibir práticas semelhantes por outras operadoras de planos de saúde.
A atuação conjunta judicial, administrativa e regulatória do MPRN busca reafirmar que a saúde suplementar deve respeitar o direito das pessoas com deficiência e garantir a continuidade terapêutica, especialmente quando se trata de crianças com TEA, cujo desenvolvimento depende de estímulos constantes e acompanhamentos especializados.
Pré-candidata, primeira dama usa eventos da prefeitura para potencializar próprio nome junto ao eleitor
A pedagoga Cíntia Pinheiro não ocupa, oficialmente, nenhum cargo na estrutura administrativa da prefeitura de Mossoró. Ao menos que se saiba. A gestão Allyson Bezerra (União Brasil) é pródiga em executar, de forma obscura, atos administrativos que é difícil – ou quase impossível – saber quem são, de fato, seus auxiliares.
Mesmo sem ocupar qualquer cargo, Cíntia Pinheiro participa de atos oficiais da prefeitura de Mossoró como se a simbólica e protocolar designação de primeira dama lhe legitimasse a agir como se fosse integrante do governo municipal. Há tempos, Cíntia age assim. Nesse ano, suas incursões dessa natureza tem sindo ainda mais recorrentes. Apesar de não tem nenhuma base legal.
Cíntia já substituiu o titular da pasta da Educação em evento no Teatro Dix-huit Rosado, e já “invadiu” salas de aula para falar sobre ações do setor, mesmo sem ocupar posto oficial ou atuar como professora da rede municipal de ensino.
O que aconteceu na manhã dessa segunda-feira, 27/10, foi ainda mais grave. Cíntia falou no cerimonial de assinatura da lei que criou o Fundo Municipal da Pessoa com Deficiência. Atuou como se fosse a prefeita.
O fundo, ligado à Secretaria Municipal da Assistência Social, vai bancar ações na área.
Enquanto Cíntia – pré-candidata a deputada estadual – falava, os titulares da pasta, Shirley Targino (secretária) e Francisco Carlos (secretário-adjunto) foram “escanteados. Não sabe se discursaram. Se o fizeram, ninguém deu notícia. Também é desconhecido o rumo tomado pelo prefeito interino Marcos Bezerra (PSD).
Além do vergonhoso ofuscamento do prefeito e dos secretários, um gesto da diretora de Comunicação da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da prefeitura, Larissa Maciel, mostra o uso da máquina pública em favor dos projetos eleitoreiros do prefeito Allyson Bezerra.
Larissa enviou em grupos e lista de transmissão, o discurso de Cíntia Pinheiro. Um desrespeito com a liturgia do cargo.
Em sua fala, a primeira dama declara, desavergonhadamente, que participa da gestão, mesmo sem ter cargo. Em um dos trechos, ela diz: “… É por isso que nós criamos o programa”. Um escárnio com a população. Um deboche com a Justiça.
Veja abaixo o vídeo:
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) obteve a condenação de quatro réus pela prática de ato de improbidade administrativa, em uma decisão resultante da Ação Civil de Improbidade Administrativa (Processo n. 0800454-73.2021.8.20.5111) movida após a deflagração das operações Combustão e Combustão II.
A Justiça potiguar condenou o ex-prefeito Deusdete Gomes de Barros, a ex-secretária de Saúde Nataly da Cunha Felipe de Souza e os ex-secretários de Transporte e Obras Públicas Francisco Ivan de França Dias e Francisco Alex Sandro da Silva “Bão”. Eles foram responsabilizados por enriquecimento ilícito (art. 9º, XI, da Lei n. 8.429/92).
A investigação apurou o abastecimento indiscriminado de veículos particulares com uso de verba pública da Prefeitura de Angicos durante os anos de 2017 e 2018. A apuração constatou a inexistência de liquidação das despesas, a ausência de indicação dos veículos abastecidos e um gasto excessivo de combustível.
O Juízo da Vara Única de Angicos estabeleceu as sanções de forma individualizada, em atenção aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. A condenação impôs, de forma geral, ressarcimento ao erário (valor a ser provado em liquidação), perda da função pública (ou aposentadoria respectiva) e proibição de contratar com o poder público pelo prazo de 10 anos.
Condutas e Sanções Individualizadas:
- Francisco Ivan de França Dias: na função de secretário de Transporte e Obras Públicas, ordenava abastecimentos irregulares a frentistas, inclusive de veículos particulares e para proveito próprio. Falsificou notas fiscais e desviou para si R$ 6.000,00. Por sua participação ativa no desvio de recursos, a condenação inclui a perda dos bens/valores acrescidos ilicitamente de R$ 6.000,00 (atualizado, se maior lesão não for apurada) e multa civil no mesmo valor. Sua suspensão dos direitos políticos foi fixada em 8 anos.
- Nataly da Cunha Felipe de Souza: como secretária de Saúde e ordenadora de despesas, ordenava pagamentos sem prévia liquidação; autorizou abastecimento de carros particulares, inclusive o seu; expediu ordens diretas (bilhetes) para abastecimentos de veículos particulares e beneficiava-se diretamente de valores desviados. Falsificou notas fiscais e desviou para si R$ 25.000,00. Devido ao seu papel central e relevante na manutenção e legitimação do esquema, a sentença impôs a perda dos bens/valores acrescidos ilicitamente de R$ 25.000,00 (atualizado, se maior lesão não for apurada) e multa civil no mesmo valor. Sua suspensão dos direitos políticos foi estabelecida em 9 anos.
- Francisco Alex Sandro da Silva “Bão”: após assumir a função de fiscal do contrato, deu continuidade ao esquema de desvio. Determinava o fornecimento de combustível a veículos oficiais e particulares, inclusive motocicleta de uso pessoal; solicitava a emissão de notas fiscais em valores superiores ao real abastecimento, recebendo o excedente em espécie. Desviou para si R$ 26.000,00. A condenação inclui a perda dos bens/valores acrescidos ilicitamente de R$ 26.000,00 (atualizado, se maior lesão não for apurada) e multa civil de R$ 25.000,00 (atualizada). Sua suspensão dos direitos políticos foi de 8 anos.
- Deusdete Gomes de Barros: na condição de Prefeito, ordenava despesas sem prévia liquidação e utilizava de verba pública para custear despesas particulares com combustíveis, abastecendo seu veículo de uso pessoal. Sua participação foi considerada de menor relevância, com menção a apenas abastecimento de veículo particular. As sanções de perda dos valores acrescidos ilicitamente e multa civil serão aplicadas apenas se provados em sede de liquidação. Sua suspensão dos direitos políticos foi fixada em 8 anos.
A sentença determinou, ainda, o lançamento dos nomes dos condenados no Cadastro Nacional de Condenados por Ato de Improbidade Administrativa e por Ato que implique Inelegibilidade (CNCIAI) após o trânsito em julgado.
Além dos mais de 700 mil mortos pela covid-19 no Brasil, há outras 284 mil vítimas indiretas: crianças e adolescentes que perderam os pais, avós ou outros familiares mais velhos que exerciam papel de cuidado em suas residências. O número se refere somente a 2020 e 2021, os piores anos da pandemia. Entre elas, 149 mil perderam o pai, a mãe ou os dois.

A estimativa é de pesquisadores ingleses, brasileiros e americanos, que acabam de lançar um estudo para demonstrar não somente a “magnitude da orfandade no Brasil”, como também “as grandes desigualdades entre os estados”.
Uma das autoras do estudo, a professora do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo Lorena Barberia destaca que os impactos de uma emergência sanitária são identificados primeiro entre as vítimas diretas, mas há também aqueles que são afetados por essas mortes.
“Nós quisemos olhar a vulnerabilidade das pessoas que dependem de quem faleceu. Achamos super importante lembrar que as pessoas acima de 60 anos não só tinham mais chance de morrer, mas, muitas vezes, tinham um papel na estrutura familiar muito decisivo. Muitas crianças e adolescentes dependiam dessas pessoas. Então, pensamos que tínhamos que considerar essas estimativas, tanto de pais e mães como desses responsáveis”.
Professora do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo Lorena Barberia Foto: Wanessa Soares/Divulgação
A partir de modelos estatísticos, alimentados por dados demográficos, como a taxa de natalidade e o excesso de mortalidade ─ mortes acima do esperado ─ em 2020 e 2021, a pesquisa chegou a algumas estimativas:
- Cerca de 1,3 milhão de crianças ou adolescentes, de 0 a 17 anos, perderam um ou ambos os pais, ou algum cuidador com quem elas viviam, por razões diversas;
- Dessas, 284 mil se tornaram órfãos ou perderam esse cuidador por causa da covid-19;
- Com relação apenas às mortes por covid-19, 149 mil crianças e adolescentes se tornaram órfãos e 135 mil perderam outro familiar cuidador;
- 70,5% dos órfãos perderam o pai; 29,4%, a mãe; e 160 crianças e adolescentes foram vítimas de orfandade dupla;
- 2,8 crianças ou adolescentes a cada 1 mil perderam um ou ambos os pais, ou algum familiar cuidador por covid-19;
- Entre estados, as maiores taxas de orfandade são as do Mato Grosso (4,4), Rondônia (4,3) e Mato Grosso do Sul (3,8), enquanto as menores são do Rio Grande do Norte (2,0), Santa Catarina (1,6) e Pará (1,4).
Órfãos reais
Em 2021, Ana Lúcia Lopes, hoje com 50 anos, perdeu o companheiro, o fotógrafo Cláudio da Silva, o que fez com que seu filho, Bento, que tinha 4 anos, ficasse órfão de pai. Ela lembra que esses números dizem respeito a crianças e adolescentes reais, que sofreram e continuam sofrendo com as mortes de seus entes queridos.
Ana Lucia, Claudio e Bento Foto: Ana Lucia/Arquivo Pessoal
Sem nenhum fator de risco para a doença, ele tinha 45 anos e foi infectado durante uma viagem a trabalho. Com sintomas respiratórios, foi internado em uma quinta-feira, entubado na sexta e não resistiu após uma parada cardíaca, na segunda-feira seguinte. Nem pode rever o filho, após os dois meses de trabalho fora de casa.
“Eu contei para o Bento logo que aconteceu. A gente tinha um cachorrinho que morreu um pouco antes. Aí, eu falei para ele que o cachorrinho precisava de alguém lá no céu para cuidar dele e que o papai tinha ido fazer isso. Às vezes ele me via chorando e falava: “Mãe, você tá chorando por causa do meu pai?”.
“Apesar de tudo, no começo, ele parecia bem. Um tempo depois, quando ele foi mudar de classe na escola, ele começou a chorar bastante, porque não queria perder a professora. Aí, eu perguntei o que ele estava sentindo, e ele disse: ‘Ah, mãe, acho que eu queria o meu pai’. Foi quando ele começou o atendimento psicológico”.
Cláudio recolhia a contribuição previdenciária referente ao seu trabalho como microempreendedor individual, o que garantiu a Bento a pensão por morte e evitou que a família passasse por problemas financeiros. De acordo com outra autora do estudo, a promotora de justiça da cidade de Campinas (SP) Andréa Santos Souza, os problemas financeiros são os mais frequentes em situações de orfandade.
Violações de direitos
Durante a pandemia de covid-19, o trabalho de Andrea Santos Souza, que atua na área de Infância e Juventude na cidade de Campinas (SP), estava bastante focado na proteção das crianças e adolescentes afetados pelo fechamento das escolas, pela miséria pandêmica, ou pela crescente violência familiar. Até que ela percebeu um aumento nos pedidos de guarda, feitos por tios, avós e outros parentes.
“Essas crianças estavam ficando órfãs sem uma representação legal. Pedi aos cartórios que me mandassem todas as certidões de óbito das pessoas que morreram por Covid e que deixaram herdeiros menores. Num primeiro momento, eles disseram que não conseguiam fazer esse recorte, então, eles me mandaram todas as certidões de quem morreu naquele ano de 2020. Foram mais de 3 mil, e foi um trabalho muito triste. Eu, uma estagiária e uma funcionária ficamos olhando certidão por certidão, separando todos os órfãos. Numa primeira leva, nós localizamos quase 500 crianças”, lembra Andrea.
A partir daí, o trabalho duplicou: as certidões continuavam chegando, e, ao mesmo tempo, era preciso localizar todas essas crianças, encaminhá-las para programas de assistência, checar se já constavam no Cadastro Único no Governo Federal e se as famílias já recebiam o Bolsa Família ou o Auxílio Emergencial. Era preciso ainda verificar se elas não estavam sendo vítimas de outras violações, além de terem perdido suas mães e pais.
“A primeira delas é a separação de irmãos, né? As famílias numerosas separam os irmãos. Quanto aos bebezinhos muito pequenos, tem o problema de adoções ilegais. As meninas tinham situações de exploração de todas as formas, trabalho doméstico forçado, casamento infantil, abuso sexual… Em muitos meninos, a gente via o direcionamento para o tráfico ilícito de entorpecente ou exploração do trabalho infantil…”
Além dessas situações mais drásticas, Andréa enfatiza que toda orfandade aumenta a vulnerabilidade, especialmente nos casos minoritários de crianças que perderam tanto a mãe quanto o pai, ou daquelas que já eram criadas por mães solo, quantidade bastante frequente. Os profissionais de saúde que morreram e deixaram filhos eram numerosos, mas, como a pandemia escancarou desigualdades sociais, a maioria dos órfãos era de filhos de trabalhadores de limpeza, alimentação, transporte ou informais, que não puderam parar e se isolar em casa.
Diante de exemplos tão trágicos, a promotora buscava entender melhor a dimensão da orfandade causada pela covid-19 no Brasil, quando as primeiras estimativas globais sobre a tragédia foram lançadas por pesquisadores do Imperial College, de Londres, na Inglaterra, em julho de 2021. Andréa entrou em contato com os pesquisadores, contou sobre a sua experiência localizando os órfãos de Campinas e, a partir daí, passou a colaborar com o grupo de estudos, que é o mesmo responsável pelas novas estimativas.
Cruzamento de dados
Graças ao encontro com Andréa, os pesquisadores puderam comparar o resultado dos modelos estatísticos com os dados da promotoria, e confirmar as semelhanças. Conheceram também outra ferramenta dos registros civis brasileiros, que é quase única no mundo. Desde 2015, as certidões de nascimento já são emitidas em conjunto com o CPF e, quando o documento é registrado, os cartórios associam o número das crianças ao CPF dos pais, o que permite o cruzamento de informações, inclusive em casos de orfandade.
Com isso, a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen/Brasil) verificou que, de março de 2020 a setembro de 2021, 12,2 mil crianças de até 6 anos ficaram órfãos por causa da covid-19, com proporções similares de mortes maternas e paternas, e de ocorrências ao longo dos meses. Como os dados da Arpen cobrem apenas as crianças nascidas de 2015 para cá ou aquelas que tiveram a certidão de nascimento reemitida, não seria possível saber a dimensão da orfandade apenas por eles, mas os registros serviram para reforçar a validade das estimativas do estudo.
“O objetivo é lembrar que, mesmo depois do fim da pandemia, nós precisamos de políticas públicas para dirimir as desigualdades provocadas pela pandemia, porque nós sabemos que algumas pessoas saíram em uma situação muito mais vulnerável que outras. Não houve um programa desenhado para essas crianças especificamente, e a sociedade não estava acostumada a essa magnitude de órfãos. Os programas que existem claramente precisam ser fortalecidos, porque temos um grupo novo de crianças e adolescentes, que não era esperado”, reforça a pesquisadora Lorena Barberia. (Fonte: Agência Brasil)
Dois Pesos, duas Medidas: O Silêncio seletivo da crítica diante da agressão à Imprensa
Por Joyce Moura*
O debate público brasileiro, especialmente nas redes sociais, opera frequentemente sob a lógica da seletividade e da conveniência. O caso da governadora Fátima Bezerra (PT), que “se recusou a falar com a jornalista Carol Ribeiro”, e o caso do blogueiro Ronny Holanda, que denunciou ter sido agredido fisicamente e algemado por servidores municipais ligados ao prefeito Allyson Bezerra (União Brasil), oferecem um estudo de caso contundente sobre como a mídia e o engajamento político aplicam “dois pesos e duas medidas” ao tratar de incidentes envolvendo a liberdade de imprensa e autoridades.
O Contraste: Da Crise da “Não-Entrevista” à Crise da Violência
No incidente envolvendo a governadora Fátima Bezerra e a jornalista Carol Ribeiro, a crítica foi imediata, generalizada e intensa. A recusa da governadora em conceder entrevista, uma falha de “diálogo e transparência”, foi prontamente denunciada por veículos de imprensa e profissionais como um ato que fragiliza a relação entre poder público e jornalismo. O mundo político e midiático reagiu com veemência, exigindo reparação e manifestando solidariedade à profissional.
Entretanto, o caso do jornalista Ronny Holanda, em Mossoró, revela uma gravidade infinitamente superior, mas, paradoxalmente, parece ter gerado um silêncio seletivo e um engajamento crítico notavelmente menor em certos círculos. Ronny Holanda não foi apenas ignorado; ele foi, segundo seu relato, agredido pelas costas por um servidor e algemado por guardas municipais sob ordens diretas de um secretário de Segurança.
Se a recusa em dar uma entrevista é uma ofensa à liberdade de imprensa, a agressão física e a prisão por desacato contra um jornalista no exercício da profissão, com o envolvimento direto de agentes públicos, constituem um ataque frontal e violento aos pilares da democracia.
O Fator Político e o Silêncio Cúmplice
A diferença na repercussão e na indignação demonstra que a defesa da liberdade de imprensa muitas vezes é subordinada à agenda e à conveniência política.
A reação massiva no caso da governadora, uma figura proeminente do PT, foi amplificada por críticos e opositores que prontamente usaram o episódio para atacar a gestão. Já no caso de Mossoró, o prefeito Allyson Bezerra, do União Brasil, parece ter sido beneficiado por um silêncio ensurdecedor de parte do establishment e de grupos políticos que poderiam ser seus aliados ou que preferem não antagonizar figuras de oposição ao governo federal.
A Escala da Violência Ignorada: A crítica, conforme observado pelo post de Bruno Barreto (mencionado em um dos arquivos), se torna “assustadora, covarde e cúmplice” quando ignora a violência real. A agressão física e o abuso de poder (algemamento) são ameaças existenciais à segurança do profissional e à capacidade de fiscalização do jornalismo. Normalizar a violência contra o comunicador em troca de um silêncio submisso ou por “em troca de total em troca de anúncios”, como sugere Barreto, é o caminho mais rápido para a intimidação sistêmica da imprensa local.
O Poder da Narrativa e a Responsabilidade
A inação da Prefeitura de Mossoró, ao não se manifestar ou não afastar imediatamente os envolvidos e a nota do Secretário de Segurança focando apenas no “desacato” reforça a sensação de impunidade e de abuso de autoridade.
Se o governo Lula aprendeu que “comunicação não é gritar mais alto, é fazer ser entendido”, como indica a análise de Gabriel Galvão, o caso em Mossoró nos lembra que o poder da narrativa se desfaz quando a voz é silenciada pela força. A crítica deve ser universal e intransigente quando a liberdade de imprensa é atacada, independentemente da filiação partidária da autoridade envolvida.
A diferença de peso na reação midiática a uma recusa de entrevista versus uma agressão física não é apenas uma falha ética; é um indicador perigoso da fragilidade democrática do nosso debate público, onde a defesa da imprensa livre só se manifesta com força total quando serve a interesses políticos específicos.
*É jornalista.
Foi um encontro de cerca de 45 minutos em que o presidente Lula pediu, mais uma vez, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a suspensão imediata do tarifaço contra as exportações brasileiras, em vigor desde agosto. Participaram do encontro o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Durante a conversa, Donald Trump, inclusive, disse que os dois países vão sim chegar a um acordo. Lula afirmou que não há motivo para desavenças entre os dois países.
“O Brasil tem todo interesse de ter uma relação extraordinária com os Estados Unidos. Não há nenhuma razão para que haja qualquer desavença entre Brasil e Estados Unidos.”
Ele criticou a Lei Magnitsky, que impôs sanções a autoridades brasileiras, principalmente ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como a suspensão de vistos norte-americanos. Segundo Lula, essas sanções são injustas, já que o Brasil respeitou o devido processo legal. Sem perseguições a quem quer que seja.
Lula ainda falou sobre Venezuela. Destacou que a América Latina é uma região de paz. E se prontificou a ser interlocutor na busca de uma solução aceitável para os dois países. Isso porque, nas últimas semanas, os Estados Unidos enviaram tropas terrestres e um porta-aviões para o Caribe. Houve ainda o bombardeio de embarcações com a justificativa de combate ao narcotráfico. O presidente venezuelano Nicolás Maduro alega que o reforço militar tem como objetivo tirá-lo do poder.
Após a reunião Lula-Trump, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, destacou que o norte-americano autorizou sua equipe a iniciar as negociações para revisão do tarifaço ainda neste domingo. A ideia é suspender essa medida durante o período de negociação.
“Presidente solicitou, pediu, reiterou que já tinha sido dito no telefonema e ele concordou que vamos fazer uma rápida negociação e durante esse período haverá a suspensão.”
O cronograma das negociações ainda será definido, mas, segundo Mauro Vieira, “é para tudo ser resolvido em pouco tempo”, disse ele. Também ficou combinado que os presidentes farão visitas aos dois países em data a ser confirmadas.
O QFC venceu mais uma no Campeonato Potiguar da Segunda Divisão e se mantém com 100% de aproveitamento na competição.
Na tarde deste domingo (26), a equipe recebeu o Potyguar Seridoense em duelo pela 5ª rodada e venceu por 2 a 0, com gols de Paulinho e Augusto Potiguar.
Com a vitória, o QFC chega aos 12 pontos na competição e encaminha sua classificação para a próxima fase da competição. O próximo desafio será contra o Visão Celeste, já o Potyguar folgará na rodada.
Mossoró
O Mossoró EC não tomou conhecimento do Visão Celeste e atropelou ao vencer por 5 a 1, em duelo válido pela quinta rodada do Estadual Segunda Divisão.
Baltazar, Wilson, Ju e Jaco (Duas vezes) marcaram para o time mossoroense, Beto descontou para o Visão. Com a vitória, o MEC já está praticamente garantindo no quadrangular.

