Entre todos os elementos que entram para a definição do índice inflacionário, tem um com peso importante e muito comum a todos os setores: a mão-de-obra. No caso do Brasil, ela está cada vez mais barata, motivada pela redução de direitos trabalhistas e pelo congelamento dos salários.

“Estava analisando a situação da construção civil. Os materiais subiram bastante, mas o aumento do custo da mão-de-obra foi bem mais baixo. Mão de obra é importante na definição do percentual de inflação e ela mal subiu”, diz a especialista.

Lilian Arruda lembra que a mão de obra é parte significativa e quando se analisa demais componentes do setor construção civil, como preço do aço, cimento, todos os produtos, eles subiram muito. “Agora sobem de maneira desigual porque cada um tem um peso diferente na composição do custo”.

O Índice Geral de Preços ao Consumidor (INPC/IBGE) subiu mais que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o dado oficial que o governo usa. Isso acontece porque o INPC é para famílias com até 5 salários mínimos, e o IPCA é para famílias com renda de até 40 salários mínimos.

“Então a inflação do pobre está subindo mais do que a do rico. Isso se dá porque a alimentação tem um peso muito maior para o pobre do que para o rico”, explica, lembrando que o pobre concentra boa parte do orçamento em alimentação, moradia e transporte público. Então tem toda essa composição de fatores que dá aquele resultado final da inflação”, destacando que cada coisa tem um peso diferente na definição do percentual de inflação.

Lilian lembra também que além disso, há itens que vão sendo incorporados ao longo do tempo, como internet, e TV a cabo, novos serviços que vão sendo incorporados ao consumo das famílias

Para se ter uma ideia de como está a situação, basta lembrar que entre o fim de 2019 e o segundo trimestre deste ano, a renda média do brasileiro caiu 9,4%. Entre os mais pobres, essa perda chegou a 21,5%. Os dados são da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Como se vê, além de enfrentar preços altos, o trabalhador sofre ainda com a queda de sua renda, causada também pelo barateamento da mão de obra. Os mais pobres sendo duplamente penalizados pela equivocada política do governo federal.

 

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