A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou hoje (16) ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra 39 acusados de participarem dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.
No documento, o subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos pede a condenação dos acusados que invadiram o Senado e a prisão preventiva (por tempo indeterminado) dos envolvidos. Foi solicitado ainda o bloqueio de bens no valor de R$ 40 milhões para reparação dos danos provocados pela depredação.
O subprocurador defende ainda a decretação de medidas cautelares contra os denunciados, como proibição de deixar o pais sem autorização judicial. além da manutenção de postagens em redes sociais que mostram os acusados participando dos atos.
No entendimento de Santos, os investigados usaram violência e grave ameaça para “depor o governo legitimamente constituído”.
“O ataque às sedes dos Três Poderes tinha por objetivo final a instalação de um regime de governo alternativo, produto da abolição do Estado Democrático de Direito”, afirmou.
Os denunciados vão responder pelos crimes de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Ataques – Desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito em segundo turno, no final de outubro do ano passado, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro demonstram inconformismo com o resultado do pleito e pedem um golpe militar no país, para depor o governo eleito democraticamente. As manifestações dos últimos meses incluíram acampamentos em diversos quartéis generais do país e culminaram com a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro. (Agência Brasil)
Últimas do Brasil
Menos de 4% das crianças abaixo de 5 anos foram imunizadas contra Covid no Brasil
Até o início deste ano, apenas 3,9% das crianças brasileiras de até 5 anos – ou seja, 584.456 meninos e meninas – haviam completado o esquema vacinal primário de duas doses ou dose única contra a Covid-19, segundo a plataforma LocalizaSUS do Ministério da Saúde. Os dados são preocupantes e refletem o cenário de 2022, quando o país registrou uma morte por dia em crianças de seis meses a 5 anos em decorrência da doença. A vacinação do público de 3 a 5 anos é aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde julho do ano passado com a CoronaVac, e crianças a partir de seis meses podem receber o imunizante da Pfizer desde setembro.
Em 2022, o Butantan entregou 12 milhões de doses da CoronaVac para a imunização de crianças e adolescentes, cumprindo o que foi encomendado pelo governo federal. A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Ethel Maciel, afirmou nesta sexta (6/1) que o estoque de imunizantes contra Covid-19 para crianças de até 5 anos está esgotado, e que o contrato com o instituto deve ser retomado em breve, segundo informações da Agência Brasil.
Uma das principais consequências da Covid-19 é a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Enquanto os casos de SRAG em crianças de até 5 anos subiram de 10.504 para 14.852 entre 2021 e 2022 (41,3%), o número de casos no público de 6 a 19 anos, que teve uma cobertura vacinal maior, caiu de 9.396 para 5.994 (36,2%). Cerca de 30 milhões de indivíduos de 5 a 19 anos foram completamente imunizados até o início deste ano, o equivalente a 68% dessa faixa etária.
Outra prova do impacto positivo da vacinação na população infantil está na queda de mortes: em 2021, foram 796 óbitos no público de 6 a 19 anos, e o número caiu para 330 em 2022 (uma redução de quase 60%). O total geral de mortes por SRAG no Brasil nos últimos dois anos teve uma queda expressiva de 84% (372.954 para 59.409), uma provável consequência da cobertura vacinal contra Covid-19 dos adultos.
De acordo com a diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, a imunização é a principal arma para combater os casos graves e mortes de crianças pela Covid-19. Em entrevista ao Portal do Butantan, ela ressaltou que diversas evidências científicas mostram que a vacina pode prevenir sintomas graves e evitar, inclusive, casos de covid longa – condição na qual os sintomas persistem por até um ano.
Uma pesquisa conduzida no Chile durante o surto da variante ômicron do SARS-CoV-2 mostrou uma efetividade de 69% da CoronaVac contra internação de crianças de 3 a 5 anos. Dados de farmacovigilância do país andino apontam que a vacina foi a mais segura para as crianças e teve a menor taxa de eventos adversos registrada (10,67 notificações a cada 100 mil doses).
Apesar da média de óbitos diários por Covid-19 no Brasil apresentar estabilidade, a alta de casos observada nos últimos dois meses e atual média de 21 mil casos por dia deixam claro que o vírus continua sendo um problema de saúde pública e que, nesse cenário, os não vacinados são os que correm mais risco.
Crianças não vacinadas têm 10 vezes mais risco de ter inflamação grave – Além da SRAG, a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) é outra complicação grave e letal da Covid-19 que acomete crianças e geralmente acontece de duas a seis semanas após a infecção. O público pediátrico não vacinado é o mais suscetível a desenvolver o problema, que atinge as vias respiratórias e os pulmões e pode causar distúrbios no coração, levando à morte.
Um estudo conduzido na França mostrou que entre os casos de SIM-P que ocorreram em crianças já elegíveis para vacinação, entre setembro e outubro de 2021, 78,7% foram em indivíduos não vacinados. Outra pesquisa feita na Dinamarca apontou que o risco de SIM-P entre crianças não imunizadas é 10 vezes maior do que naquelas que receberam a vacina.
Até o final de 2022, o Brasil registrou 1.970 casos confirmados de SIM-P e 135 óbitos, um aumento de 37% e 57% em relação a 2021. O maior número de notificações ocorreu em crianças de 1 a 4 anos (37,8%/n = 744), faixa etária que também carrega a maior porcentagem de óbitos (29,6%/n = 40). Quase 60% das crianças acometidas pela síndrome desde o início da pandemia precisaram ser internadas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 20% necessitaram de suporte ventilatório invasivo.
Pelo menos dois deputados federais do Rio Grande do Norte são a favor de atos terroristas e de quem pratica terrorismo contra o estado democrático de direito: o recém-eleito sargento Gonçalves, e reeleito general Girão, ambos do PL. É o que aponta um levantamento feito pelo Intercept Brazil, que identificou 46 deputados federais, bolsonaristas, eleitos em 2022, e que defenderam, incentivaram ou ao menos tentaram justificar de alguma forma os ataques terroristas do último domingo, 8/1.
Dos envolvidos identificados, 10 apoiaram abertamente os golpistas, 24 procuraram disfarçar o apoio, e outros 12 foram contrários às prisões dos terroristas.
Entre os defensores do terrorismo, está o deputado Sargento Gonçalves, do PL do Rio Grande do Norte. De acordo com o The Intercept Brazil, em um vídeo publicado em suas redes sociais, Gonçalves mandou uma mensagem para os “policiais militares de todo o Brasil, em especial aos policiais integrantes das forças de segurança pública do Distrito Federal”, pedindo que eles tivessem “muita sabedoria e serenidade, muita cautela na hora de agir contra os cidadãos que invadiram o Congresso Nacional”.
O deputado incentiva os policiais a serem coniventes com a depredação dos prédios públicos dos Três Poderes e diz que os invasores “não são bandidos”. O Sargento Gonçalves também postou um vídeo do momento em que a multidão invadia o Congresso Nacional e escreveu na legenda que “todo poder emana do povo”.
Já o General Girão, por sua vez, defende que os terroristas fiquem impunes. Girão é apontado como suspeito de financiar os atos antidemocráticos que se espalharam durante o governo Bolsonaro e que foram o apoio para a escalada terrorista do dia 8 de janeiro. Além disso, o deputado chegou a estimular que golpistas se alistassem num falso cadastro do Exército. O objetivo, na realidade, era mobilizar bolsonaristas para tocar o terror no país. Como fizeram em Brasília domingo passado.
Veja a matéria completa do The Intercept aqui.


O Governo Federal divulgou nesta quinta-feira, 12/1, dados referentes aos gastos do cartão corporativo. As informações se referem ao período de 2003 a 2022, o que afasta a hipótese de revanchismo comumente utilizada por bolsonaristas sempre que uma ação do atual governo atinge os atos ilegais e/ou imorais do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Foram revelados apenas os gastos que não são protegidos por sigilo legal. Pela Lei de Acesso à Informação, os dados que coloquem em risco o presidente e vice-presidente, incluindo cônjuges e familiares, deve ser mantido sob sigilo até o término do mandato. Dessa forma, cai por terra a narrativa bolsonarista de que a decisão do governo Lula de tornar público os dados seja “um tiro no pé”.
Na prática, o que incomoda aos bolsonaristas é que parece não haver justificativa para alguns gastos exorbitantes feitos por Bolsonaro. Para se ter uma ideia de como o governo Bolsonaro praticou excessos, basta citar que foram gastos R$ 626,3 na lanchonete Tony & Thais, na zona sul de São Paulo, entre 2019 e 2022. Apenas no dia 15 de abril do ano passado, foram gastos R$ 62,2 mil.
Bolsonaro tinha uma predileção muito forte por gastar dinheiro em excesso com hospedagem. Em padarias, ele também não tinha pena de gastar o dinheiro do contribuinte. Em Mossoró, por exemplo, onde não ficou em hotel, o ex-presidente gastou R$ 23.638,00. Também chama a atenção que Bolsonaro tenha gasto, em padarias do Rio Grande do Norte, em apenas um dia mais de R$ 70 mil reais.
Nos 4 anos em que esteve à frente da Presidência da República, Bolsonaro gastou mais de R$ 27 milhões. Em valores atuais, mais de R$ 32.6 milhões. A maior parte do dinheiro, 40%, foi gasta em hospedagem. Somente nas viagens que fez ao Guarujá, litoral paulista, Bolsonaro gastou R$ 1,4 milhão em hospedagem.
Há muitos outros gastos elevados – e estranhos. Em alguns gastos, pelo valor empregado, Bolsonaro e sua equipe presidencial teriam comido 5 mil pãezinhos e 450 quentinhas por dia. Num restaurante beira de estrada, em Boa Vista (RR), Bolsonaro gastou em apenas um dia 109 mil reais. Nesse local, a quentinha custa em média R$ 20 reais. Em alguns casos, Bolsonaro fez gastos no cartão corporativo em uma cidade enquanto a agenda dele, na oportunidade acontecia em outra totalmente diferente. Gastos com sorvete e cosméticos, pelo valor elevado empregado, também causam espanto.
A liberação, agora, dessas informações, atende à legislação e à determinações do Tribunal de Contas da União (TCU). Antes da gestão de Bolsonaro, esses gastos eram divulgados rotineiramente pelos presidentes que o antecederam. Além de negar a colocar as informações no Portal da Transparência, Bolsonaro colocou, indevidamente, sigilo de 100 anos sobre esses dados.
Os exageros revelados com a divulgação mostram porque a preocupação de Bolsonaro em colocar o sigilo. Investigações, no entanto, vão apontar como foi possível gastar tanto em alguns itens e locais em tão pouco tempo. Numa padaria, no Rio de Janeiro, por exemplo, o ex-presidente gastou R$ 55 mil apenas no dia 26 de maio de 2019.
A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu hoje (12) o bloqueio de bens de 52 pessoas físicas e sete jurídicas, num total de R$ 6.539.100. Segundo o órgão, os alvos são responsáveis por pagar o fretamento de ônibus para trazer pessoas para participar dos atos de vandalismo ocorridos em Brasília no domingo (8).
O órgão informou se tratar de um valor inicial, baseado na estimativa preliminar de prejuízos materiais calculados somente pelo Senado (R$ 3,5 milhões) e pela Câmara dos Deputados (R$ 3,03 milhões). Restam ainda a contabilização dos danos causados ao Palácio do Planalto e à sede do Supremo Tribunal Federal (STF), amplamente depredados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre os bens na mira do pedido da AGU estão imóveis, veículos e valores em contas correntes. A lista dos alvos do bloqueio foi elaborada com o auxílio da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), incluindo apenas aqueles que contrataram os ônibus que acabaram apreendidos por transportar pessoas que participaram dos atos golpistas.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, argumentou que as pessoas físicas e jurídicas listadas devem responder pelo vandalismo junto com aqueles que praticaram os próprios atos violentos. Ele justifica que “a aglomeração de pessoas com fins não pacíficos só foi possível graças ao financiamento e atuação das pessoas listadas”.
“E sob esse aspecto é de se ressaltar que tais pessoas possuíam plena consciência de que o movimento poderia ocasionar o evento tal como vimos, de modo que a responsabilização civil é medida que se impõe em regime de solidariedade com quem mais deu causa ao dano ao patrimônio público”, acrescentou o AGU.
Sobre os alvos do pedido, Messias disse que “ao fretarem veículos para transporte de manifestantes para Brasília, no mínimo assumiram o risco pela prática dos atos ocorridos e pelos danos que deles derivaram”.
Ele frisou a gravidade dos atos praticados, que lesaram o patrimônio público e “resultaram em danos à própria ordem democrática brasileira”. Messias argumentou que o bloqueio é necessário diante do risco de dissipação do patrimônio com demora de uma eventual condenação final, o que poderia inviabilizar o ressarcimento da União.
A petição com a lista completa de pessoas físicas e jurídicas listadas é pública e pode ser encontrada no portal da Advovacia-Geral da União (AGU). (Fonte: Agência Brasil)
As rusgas entre o senador eleitor Rogério Marinho (PL) e o deputado federal Rafael Motta (PSB), acentuadas durante o período eleitoral, seguem rendendo. Rogério e Rafael, além de Carlos Eduardo Alves (PDT), disputaram a única vaga ao Senado em disputa no pleito passado. Rogério saiu-se vencedor.
Bolsonarista de primeira hora, sendo inclusive o candidato do ex-presidente Bolsonaro (PL) ao citado cargo, Rogério fez de conta que o bolsonarismo não é o pai do terrorismo que hoje assola o país e cujos atos mais nefastos foram protagonizados por seus seguidores domingo passado.
Logo após bolsonaristas exaltados terem, de forma aterrorizante, invadido o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), Rogério Marinho foi às redes sociais repudiar os vergonhosos e violentos atos.
“Repudio os atos de vandalismo em Brasília. A democracia não admite depredação e a barbárie. Essas ações terminam justificando o injustificável, ou seja, causarão o recrudescimento de medidas excepcionais que relativizam a Constituição e atacam liberdades individuais”, escreveu Rogério Marinho no twitter.
Rafael Motta respondeu, com uma invertida, a Rogério. “Fala isso pro marginal do seu presidente, que pegou o Guanabara pros EUA curtir a Disney”. Ato contínuo, o senador eleitor bloqueou o deputado federal.
Rafael não se deu por vencido e mandou uma nova mensagem. “Rogério Marinho não aguenta a crítica, nem o embate democrático do debate público. Normal de quem não respeita a democracia”, tuitou o deputado, que finalizou com a hastag: #apelanao.
A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta segunda-feira (9/1), a intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal. O decreto de intervenção federal foi assinado ainda no domingo (8/1) pelo presidente Lula, na esteira dos atos de vandalismo cometidos no Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF) por uma multidão de criminosos de extrema direita. Agora, o texto segue para análise do Senado, onde a sessão para votação está marcada para amanhã, às 11h.

Um acordo foi costurado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, pela votação simbólica. Todos os partidos orientaram pela aprovação do Projeto de Decreto Legislativo, com exceção do PL e do Novo, que liberaram a bancada.
Lira fez uma pequena fala antes da votação. Citou a “angústia” sofrida ao assistir às cenas de ontem e agradeceu à Polícia Legislativa por ter mantido intacto o plenário da Casa, apesar do Salão Verde, onde está a entrada do plenário, ter sido bastante danificado. “Para tudo que aconteceu dentro da Câmara, esse plenário foi preservado como símbolo da nossa democracia”.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Capelli foi nomeado o interventor. Ele terá o controle operacional de todos os órgãos distritais de segurança pública no período. Capelli ficará subordinado ao presidente da República e poderá requisitar recursos financeiros, tecnológicos, estruturais e humanos do Distrito Federal e de órgãos, civis e militares, da administração pública federal para atingir os objetivos da intervenção.(Agência Brasil)
No ano passado, a cesta básica ficou mais cara nas 17 capitais brasileiras analisadas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica, que é divulgada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese).

Em Goiânia, o preço da cesta subiu 17,89% em 2022 na comparação com o ano anterior, maior alta registrada pela pesquisa. Em seguida, apareceram Brasília (17,25%), Campo Grande (16,03%) e Belo Horizonte (15,06%).
As menores altas acumuladas no ano passado foram observadas no Recife (6,15%) e em Aracaju (8,99%).
Quando se considera apenas o mês de dezembro, o valor da cesta básica subiu em 14 das 17 capitais analisadas pela pesquisa, com destaque para Fortaleza (3,70%), Salvador (3,64%) e Natal (3,07%). Só houve queda de preço em Porto Alegre (-2,03%), Curitiba (-1,58%) e Florianópolis (-0,90%).
Em dezembro, a cesta mais cara do país era a de São Paulo, onde saía, em média, por R$ 791,29. Em seguida, estavam as cestas de Florianópolis (R$ 769,19) e Porto Alegre (R$ 765,63). A mais barata era a de Aracaju, onde custava, em média, R$ 521,05.
Com base no valor da cesta mais cara [que em dezembro foi a de São Paulo] e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estimou o salário mínimo ideal em R$ 6.647,63, ou 5,48 vezes maior que o valor atual, de R$ 1.212. (Agência Brasil)

Reunião do Fórum dos Governadores com Lula afirma unidade na defesa da Democracia
“Diante de um episódio tão grave, não poderia ser outra atitude a dos governadores do Brasil se não o de estarem aqui hoje para dizer à sociedade brasileira que nós estamos firmes, em harmonia e em sintonia com os demais poderes na defesa da democracia”. Em reunião do Fórum dos Governadores com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite desta segunda-feira (9/1), a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, reafirmou o compromisso da região Nordeste com a Democracia.
“A região Nordeste se soma às demais regiões do país para dizer que nós não vamos abrir mão do Brasil, que nós temos e que nós precisamos do Brasil da paz, para que possamos de mãos dadas, exercendo aqui o diálogo federativo tão saudável e tão necessário, trabalhar para trazer paz, para trazer emprego, para trazer cidadania para o povo brasileiro”, disse a chefe do poder executivo estadual.
O pedido de reunião foi feito pelo Fórum dos Governadores imediatamente após o decreto de intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal, no início da noite deste domingo (8/1). A medida foi adotada para conter os atos de vandalismo praticados por manifestantes que depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
“Esses atos de ontem não podem ficar impunes de forma alguma. Na verdade, os atos chamados antidemocráticos, e assim são porque são atos golpistas e porque são atos terroristas. Golpistas porque não querem aceitar as regras do jogo, consignada na nossa constituição cidadã. E terroristas porque o que nós vimos ontem foram cenas de vandalismo, depredando o patrimônio público num atentado brutal, violento ao povo brasileiro”, destacou a governadora Fátima Bezerra.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou o ineditismo de um encontro no país que reunisse todos os estados e poderes, e agradeceu a iniciativa dos governadores e governadoras pelo ato de solidariedade ao povo brasileiro e à democracia. “Eu quero agradecer a vocês do fundo do coração, porque esse gesto de vocês aqui é uma demonstração de que aqui nesse país é possível tudo, é possível discordar, é possível fazer passeata, é possível fazer greve, a única coisa que não é possível é alguém querer acabar com a nossa incipiente democracia que tanto sofreu já com o golpe da presidenta Dilma”.
Lula afirmou que não permitirá “que a democracia escape das nossas mãos, porque ela é a única chance de a gente garantir a esse povo humilde que vive na periferia, no meio da rua, o direito de comer três vezes ao dia, o direito de trabalhar”. Ele lembrou aos presentes que essa foi a única razão pela qual voltou a ser candidato a Presidente da República. “É a única razão e não vou deixar isso escapar. Porque quando eu terminar meu mandato eu quero entregar esse país pra vocês um pouco ou melhor ou muito melhor do que o país que eu recebi e com a democracia muito mais consolidada”, enfatizou.
Falando em nome do Fórum dos Governadores, o chefe do poder executivo do Estado do Pará, Helder Barbalho, destacou a simbologia da presença dos 26 estados e o distrito Federal no ato em desagravo aos poderes constituídos do Brasil. “Este fórum se reúne respeitando as diversas matizes políticas que compõem a pluralidade ideológica e partidária do nosso país. Mas todos tem uma causa inegociável que nos une: a democracia. E isto é que motiva que todos nós estejamos aqui. Estejamos aqui não para defender ideias ou pensamentos de direita, de esquerda, mas acima de tudo para que possamos defender a democracia do nosso país. Para que possamos defender as instituições do nosso país”, avaliou.
Com destaque ao nome da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, a ministra presidenta do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, agradeceu “a iniciativa dos governadores e das governadoras, ou seja, do Fórum dos Governadores por testemunharem a unidade nacional de um Brasil que todos nós queremos, no sentido da defesa da nossa democracia e do Estado Democrático de Direito”. A ministra lembrou os ataques ao Supremo Tribunal Federal. “O nosso prédio foi praticamente destruído, em especial o nosso plenário. Esta simbologia entristeceu de uma maneira enorme, mas quero assegurar a todos que nós vamos reconstruí-lo e que no dia primeiro de fevereiro daremos início ao ano judiciário”, assegurou Weber.
Afirmando que a orientação do Presidente da República é que a responsabilidade penal dos responsáveis pelos ataques às instituições democráticas de direito siga adiante, que não se esgote nas prisões em flagrante já executadas, Flávio Dino colocou o Ministério da Justiça e Segurança Pública à disposição para contribuir com “o melhor modo de enfrentamento do ódio, do medo e do terrorismo: que é calma, ponderação, serenidade e união nacional. Não se combate o extremismo com outro extremismo. Se combate extremismo com contraste. Se combate extremismo sendo diferente dele. E acho que essa é a principal lição que essa reunião traz para todos nós”, afirmou o ministro.
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, agradeceu a simbologia, a unidade e a representatividade dos governadores e governadoras no ato de solidariedade aos poderes, à Constituição e à Democracia. “Quero ressaltar e agradecer o apoio a simbologia a presença e a efetiva ajuda de todos os governadores do Brasil nessa União para demonstrar a população brasileira que as instituições não pararão”, ressaltou o parlamentar um pouco antes da Câmara dos Deputados realizar a sessão para aprovar a intervenção da segurança pública do Distrito Federal. De forma simbólica a casa analisou a matéria no plenário sem a necessidade de o texto passar pelas comissões.
Da mesma forma, Veneziano Vital do Rêgo, presidente em exercício do Senado, afirmou que “dentro, e sem perder os limites que nos são impostos pelo nosso ordenamento nacional, não podemos deixar de punir aqueles que mais uma vez ousaram atentar contra as nossas instituições, contra a nossa democracia e por sequência contra a nossa sociedade”. Segundo o parlamentar, o Senado Federal deverá se reunir, “mesmo sem portas, mesmo em meio aos destroços”, para deliberar sobre a intervenção federal decretada pelo presidente Lula neste domingo. “Nós não nos ajoelharemos”, acrescentou.
Além dos já citados, participaram do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros do Supremo Tribunal Federal Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski, o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, ministros de Estado, senadores, deputados, representação de todos os Estados e Distrito Federal, além de prefeitos.
A convocação de golpistas para os atos terroristas realizados nesse domingo (8/1) ocorreu em várias frentes. E sempre a partir de mobilização com “fundo falso”.
Os terroristas foram estimulados, por exemplo, a se alistar em falso cadastro do Exército.
De acordo com o Uol, “apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) têm divulgado um canal de comunicação do Exército como se fosse um alistamento de civis contra o resultado das eleições. Mensagens que circularam nas redes convidaram a população a se cadastrar em uma lista de emails que os militares usam, na verdade, apenas para enviar um boletim semanal, voltado a reservistas”.
Ainda segundo a publicação, “o Exército criou a página “Reserva pró-ativa”, em 2015, para receber inscrições de interessados em receber o informativo, chamado de “O Veterano”. Mas políticos e influenciadores bolsonaristas promovem
o site como um “cadastramento para civis”, incitando CACs [caçadores, atiradores esportivos e colecionadores] a se inscrever.
O deputado potiguar General Girão (PL), segundo o Uol, foi um dos bolsonaristas que estimularam golpistas a se alistar no tal cadastro.
Girão convocou “cidadãos de bem, treinados e dispostos a defender a Pátria”. A convocação de Girão foi feita em suas redes sociais. O deputado já apagou a mensagem.
O falso alistamento mobilizou cerca de 170 mil golpistas, apenas entre 5 e 20 de dezembropassado. Há suspeitas de que a partir dessa mobilização, muitos bolsonaristas foram estimulados a integrar os atos de terrorismo desse domingo.
Veja a matéria completa do Uol.

