O ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil) conseguiu um feito: foi o primeiro chefe do Executivo local a sofrer uma “batida” da Polícia Federal (PF).
Foi no dia 27 de janeiro que policiais federais e agentes da Controladoria Geral da União (CGU) acordaram o ex-gestor na luxuosa mansão do outrora probrezinho, cumpriram mandados de busca e levaram seus pertences e seu discurso de honestidade.
Passados 70 dias do ocorrido, Allyson agora torce pelo esquecimento. Mas não espera apenas que o eleitor não lembre. Age para que ele esqueça. E, para tanto, recorre à censura.
Allyson foi à Justiça e impediu que uma pesquisa eleitoral fosse divulgada. O levantamento cometia o grave pecado de perguntar ao eleitor se ele sabia da existência da Operação Mederi (aquela que pegou o prefeito de pijamas (e, parece, com a mão no dinheiro da saúde dos mossoroenses).
Fosse Allyson o juiz a decidir a demanda, diria, com todo o deboche que caracteriza o seu discurso: que o demandante não tivesse se envolvido em suspeitas. Que não tivesse sido pego com a mão na botija. Que tivesse agido para não figurar como líder de um esquema criminoso, segundo mostra a PF, que segue na sua “cola”, registre-se, pois as investigações continuam.
Mas como é ele o suspeito, como é sobre ele que recaem as investigações, como foi na gestão dele que se descobriu um milionário e criminoso esquema de desvio de dinheiro do povo, Allyson se faz de bobo. Encarna um personagem farsesco. Sem fugir de sua principal característica: a de ditador, censor e totalitário.
Allyson quer que as pessoas não lembrem que sua gestão foi marcada por suspeitas de irregularidades e ilegalidade, e que a Operação Mederi foi a mais forte investigação a alcançá-lo. Impedir ao eleitor a condição de relembrar disso é tão repugnante quanto roubar dinheiro do contribuinte.


