Recuperações judiciais crescem 13% e atingem recorde histórico no Brasil em 2025

Levantamento da Serasa Experian aponta liderança do setor agropecuário, seguido por serviços e comércio

por Ugmar Nogueira
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O número de recuperações judiciais em 2025 no Brasil atingiu o maior nível da série histórica, segundo dados da Serasa Experian. Ao todo, foram registradas 2.466 empresas em recuperação judicial, representando um crescimento de 13% em relação a 2024.

O levantamento revela um cenário de maior pressão financeira sobre empresas de diversos setores, com destaque para o agronegócio, que liderou os pedidos ao longo do ano.

Agro lidera recuperações judiciais

O setor agropecuário concentrou o maior número de empresas em recuperação judicial em 2025, com 743 registros — o equivalente a 30,1% do total nacional.

De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o desempenho do setor está diretamente ligado a fatores de risco característicos da atividade. Entre eles estão eventos climáticos adversos, como estiagens e excesso de chuvas, além de pragas e doenças.

A especialista também destaca a influência de variáveis econômicas, como a volatilidade dos preços das commodities, o alto custo de insumos dolarizados — como fertilizantes e defensivos agrícolas — e a exposição cambial. Outro ponto relevante é o ciclo financeiro mais longo do agro, que envolve períodos de safra e entressafra, impactando o fluxo de caixa das empresas.

Serviços e comércio aparecem na sequência

Após o agronegócio, o setor de serviços registrou 739 empresas em recuperação judicial (30%), seguido pelo comércio, com 535 casos (21,7%), e pela indústria, que somou 449 ocorrências (18,2%).

Os dados reforçam que a dificuldade financeira não se limita a um único segmento, mas reflete um ambiente econômico desafiador em diferentes áreas da economia.

Pedidos também cresceram em 2025

Além do número de empresas, o total de pedidos de recuperação judicial — que podem envolver mais de uma companhia — também apresentou aumento. Em 2025, foram contabilizados 997 requerimentos, alta de 5,5% em relação ao ano anterior.

O avanço dos pedidos e dos processos indica um cenário de maior busca por reestruturação financeira por parte das empresas brasileiras diante de desafios como inflação, custo de crédito e instabilidade econômica.

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