UnB foi a primeira universidade federal a adotar sistema de cotas raciais UnB reserva vagas para negros desde o vestibular de 2004 Percentual de negros com diploma cresceu quase quatro vezes desde 2000, segundo IBGE

MEC e CNTE debatem nova regra de reajuste do piso docente

Discussão em Brasília busca substituir critério atual, atrelado ao VAAF, por mecanismo que garanta previsibilidade e impeça o achatamento das carreiras nos municípios

por Ugmar Nogueira
A+A-
Reiniciar

 

Por Assessoria de Comunicação SINTE Mossoró

O Ministério da Educação (MEC), em mesa de negociação com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e representantes dos gestores municipais (Undime), avança nas discussões para alterar a Lei do Piso (Lei 11.738/2008). O objetivo central é estabelecer um novo índice de correção anual para o salário-base do magistério, substituindo o atual mecanismo que tem gerado insegurança jurídica e servido de pretexto para o descumprimento da lei por parte de prefeitos e governadores.

A revisão do critério de reajuste é uma demanda histórica tanto da categoria quanto dos gestores, mas por motivos opostos. Enquanto a Confederação Nacional de Municípios (CNM) pressiona historicamente pela desvinculação e redução dos índices, a CNTE luta para assegurar uma fórmula que garanta aumento real (acima da inflação) e proteja a estrutura dos Planos de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR).

O problema do modelo atual

Atualmente, o reajuste do Piso é calculado com base na variação do Valor Aluno Ano do Ensino Fundamental (VAAF) do Fundeb. Embora esse mecanismo tenha garantido reajustes expressivos em anos recentes, (como os 33,24% em 2022 e quase 15% em 2023) ele apresenta alta volatilidade.

Essa oscilação é utilizada politicamente por gestores municipais para alegar “colapso fiscal” e negar o repasse integral aos trabalhadores e trabalhadoras em educação, ou pior: aplicar o reajuste apenas no nível inicial da carreira, achatando a remuneração de educadoras/es com mais tempo de serviço e qualificação. Em 2024, por exemplo, a variação foi de apenas 3,62%, abaixo da inflação acumulada, o que resultou em perda de poder de compra para a categoria.

As propostas na mesa

O Grupo de Trabalho criado pelo MEC analisa cenários que buscam equilibrar a valorização da trabalhadora e do trabalhador com a sustentabilidade fiscal. As principais propostas em debate alinham-se à política de valorização do Salário Mínimo, retomada pelo Governo Federal:

  1. INPC + Crescimento do PIB: Correção pela inflação (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) somada a um percentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores.
  2. INPC + Crescimento das Receitas: Correção inflacionária mais um ganho real atrelado ao aumento da arrecadação de impostos ou do próprio Fundeb.

Para o SINTE e a CNTE, qualquer alteração na lei deve respeitar premissas inegociáveis:

  • Garantia de que o piso seja o vencimento inicial das carreiras (respeitando o nível e a classe);
  • Manutenção do poder de compra frente à inflação;
  • Mecanismos de proteção contra o achatamento da tabela salarial.

Disputa de narrativas e alerta à categoria

É fundamental que os trabalhadores e trabalhadoras em educação compreendam que a mudança no cálculo não é apenas uma questão técnica, mas uma disputa política.

A “previsibilidade” defendida pela Frente Nacional de Prefeitos muitas vezes esconde o desejo de desvincular o piso do crescimento das receitas da educação, transformando o reajuste em mera reposição inflacionária. Contra isso, a postura das entidades sindicais é firme: a Lei do Piso existe para valorizar o magistério, não para ajustar o caixa das prefeituras às custas do salário do servidor.

O ministro da Educação, Camilo Santana, sinalizou que o projeto de lei com as novas regras deve ser enviado ao Congresso Nacional em breve. Até lá, a mobilização permanece essencial. Não aceitaremos retrocessos travestidos de “responsabilidade fiscal”. O Piso é lei, é conquista e deve ser respeitado como patamar civilizatório da educação pública.

Publicidade

Postagens relacionadas

Deixe um comentário

* Ao usar este formulário, você concorda com o armazenamento e o manuseio dos seus dados por este site.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Assumiremos que você está ok com isso, mas você pode optar por não participar se desejar. Aceitar Leia mais