Ministério da Educação discute novo cálculo de reajuste do piso do magistério

Intenção é de que a nova fórmula do Piso Salarial dos Professores promova reajustes sem perdas inflacionárias para 2026

por Ugmar Nogueira
A+A-
Reiniciar

Ministério da Educação iniciou negociações com representantes de professores, estados e municípios para alterar a fórmula de cálculo do piso salarial nacional do magistério a partir de 2026. A equipe do ministro Camilo Santana busca um modelo que garanta reajuste anual, preserve o poder de compra dos docentes e, ao mesmo tempo, dê mais previsibilidade orçamentária aos gestores.

Segundo o ministro, um projeto de lei só será enviado ao Congresso se houver consenso entre as entidades representativas dos professores e os governos locais. A principal crítica à regra atual é a forte oscilação dos índices, o que gera anos sem qualquer ganho e outros com reajustes muito acima da capacidade financeira de muitos entes federados.Vagas Professor

Em agenda na Paraíba, Camilo Santana afirmou que o reajuste do piso nacional dos professores da educação básica em 2026 não ficará abaixo da inflação. O índice final, porém, só será confirmado em dezembro, quando estarão consolidados os dados utilizados na fórmula oficial de cálculo.

O governo sinaliza que a diretriz central é evitar perdas salariais para a categoria e manter a política de valorização docente. A fala ocorre em meio à apreensão de educadores, já que estimativas preliminares indicavam possibilidade de aumento limitado, influenciado pela variação do Valor Aluno Ano do Fundeb.

Quanto é o piso hoje e por que fórmula muda – Em 2025, o piso nacional do magistério teve reajuste de 6,27%, alcançando R$ 4.867,77 para jornada de 40 horas semanais, aumento acima da inflação acumulada de 4,77% em 2024. A lei do piso, criada em 2008, é apontada pelo ministro como uma vitória histórica da categoria, por ter reduzido a defasagem em relação a outras profissões com nível superior.

Mesmo assim, dados do Inep mostram que, em 2024, professores da rede pública ainda recebem, em média, 86% do salário de profissionais com escolaridade equivalente. A regra atual determina reajuste anual em janeiro atrelado à variação do valor mínimo investido por aluno nos anos iniciais do ensino fundamental urbano, com base em indicador específico do Fundeb.

Proposta: inflação + crescimento médio do Fundeb – A fórmula em vigor tem sido questionada na Justiça e criticada por sindicatos e gestores por gerar imprevisibilidade extrema, como em 2021, quando não houve reajuste, e em 2022, quando o índice chegou a 33%. Para o MEC, essa volatilidade é ruim tanto para os professores, que podem não ter correção nem da inflação, quanto para estados e municípios, que por vezes assumem aumentos acima da capacidade de pagamento.

Camilo Santana defende que o novo modelo considere, no mínimo, a inflação somada à média de crescimento do Fundeb nos últimos cinco anos. A ideia é suavizar oscilações anuais, preservar ganho real no longo prazo e diminuir o risco de judicialização recorrente na implementação do piso.

Desafios para implementar o piso em todo o país – Apesar de ser referência nacional obrigatória, o piso ainda não é cumprido integralmente em todas as redes de ensino. O ministro reconhece as dificuldades financeiras dos entes federados e lembra que existem ações judiciais em curso por descumprimento das regras de valorização do magistério.

Para enfrentar o problema, o MEC criou um grupo de trabalho com representantes de professores, estados e municípios, encarregado de discutir alternativas de financiamento e mecanismos que reduzam desigualdades entre redes. A expectativa de entidades é que o debate sobre o novo cálculo venha acompanhado de políticas mais amplas de carreira, formação e condições de trabalho. (Fonte: PEBSP)

Publicidade

Postagens relacionadas

Deixe um comentário

* Ao usar este formulário, você concorda com o armazenamento e o manuseio dos seus dados por este site.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Assumiremos que você está ok com isso, mas você pode optar por não participar se desejar. Aceitar Leia mais