Não tivemos debate, infelizmente. Debate supõe pelo menos duas vozes antagônicas, defendendo seus projetos. Com respeito a regras, aos demais debatedores, ao público e à democracia. Não foi o que vimos na Band e por culpa dela também. Aliás, é ela a grande responsável por um evento tão chinfrin.
A emissora preparou um ringue e nela colocou um senhor de 80 anos, republicano, democrata, estadista respeitado em todo o mundo. Um presidente que tirou o país do Mapa da Fome três vezes. Um homem com propostas para continuar levando o país a crescer. Lula, um gigante.
Do outro lado, um sujeito com mais suspeitas que propostas; mais processos que projetos. Sobre Flávio, pesam acusações de envolvimento com milícia, roubo de dinheiro do gabinete, lavagem de dinheiro e envolvimento no caso Master.
Um senador que se sujeitou a impedir o julgamento de um monstrou que assassinou com tiros de fuzil uma indefesa criança de 5 anos de idade.
O sujeito é tão desonesto que é acusado até de tomar uma ilha de um jogador de futebol.
Em nome da audiência ou sabe-se lá o que, a Band deu 30 minutos para um espetáculo dos horrores. Lula tentando debater e Flávio se comportando como um criminoso. Achacando e ameaçando. Com caras e bocas de chefe de facção. Com trejeitos de gângster. Com linguajar de canalha. Uma coisa vil e abjeta.
Tão lamentável quanto atuação criminosamente performática de Flávio foi a postura excessivamente complacente e cúmplice da Band. Sem impor um mínimo de limite a quem desrespeitou todas as regras. A quem se impôs como violador do espaço. A Band apequenou-se diante de um bandido. Não se sabe se por medo ou cumplicidade.

