Da minha varanda, tomando um café, comecei a observar os pássaros, vendo como eles se entendem, e definem juntos os rumos dos voos… Fiquei pensando que nós humanos, mesmo utilizando a linguagem falada, não nos comunicamos tão bem.

Daí me vieram algumas reflexões sobre a democracia, a política, e, por tabela, a oposição.

Ninguém discorda que a política é um instrumento necessário na vida de todos os  povos. Do oriente ao Ocidente, a política está entranhada na vida das pessoas em todos os momentos: nas rodas de conversas do futebol, do barzinho, dos eventos religiosos, nas redes sociais e em encontros familiares. Não importa. Em todos os lugares a política invade os discursos e gera embates, conflitos e consensos.

Foi dessa máxima que surgiu a oposição.  Na democracia, o papel da  oposição é tão legítimo quanto o papel do governo em garantir as opiniões que indelevelmente enriquecem o debate e, por conseguinte, as decisões.

Allison Bezerra está no décimo mês à frente da Prefeitura de Mossoró. Quase um já ano se passou!

Com preocupação, observo o prefeito e seus auxiliares manterem a mesma logística e plataforma administrativa do governo passado. Passados 9 meses de gestão, ainda não se viu grandes projetos autorais sendo realizados ou mesmo encaminhados para a Câmara.  Porém, vejo que o governo sinalizou obras importantes para a mobilidade urbana da cidade, bem como o resgate do polo industrial de Mossoró.

A maioria das poucas e pequenas obras são tocadas com recursos do Finisa. Há problema nisso? Nenhum, mas há uma questão que é preciso pontuar: assim como o dinheiro estava garantido, as obras também já estavam determinadas. Dessa forma, nada que está sendo feito nesse aspecto tem o DNA da atual gestão.

 

… Voltando ao voo dos pássaros… fiquei pensando… na oposição.

Será que a oposição sincronizou seu o voo ao governo? Ou encontra-se com olhos de Poliana,  aguardando as obras anunciadas serem realizadas? Estaria ela sem plano, sem estratégia e sem o faro fiscalizador?

Um bom gestor (aquele visionário, ambicioso e bem intencionado) ou qualquer  órgão fiscalizador, se compreender a oposição como aliada e considerar que ela é como uma águia, que lá da mais longínqua distância percebe o que pode ser melhorado, ou receber especial atenção, fará da fraqueza uma força inestimada e do inimigo, o seu aliado, por que aponta erros muitas vezes cometidos de forma distraída pelos os gestores ou colaboradores.

A oposição mostra questões que a administração nem sempre consegue visualizar, não por falta de vontade ou capacidade, mas pela incapacidade de enxergar tudo a tempo e hora. Para isso é imprescindível que cada um faça seu papel e reconheça o papel do outro.

Mas isso já é outro mote, para um outro momento, pois envolve nobreza e  grandeza e esses temas são demasiadamente merecedores de uma discussão própria.

Voltando para a questão da oposição, continuo por aqui, torcendo para que ela não se curve à máquina governamental. Por enquanto, a oposição segue pequena numericamente, e com discurso ainda anêmico. A chegada do vereador Zé Peixeiro (PP) talvez ajude a melhorar as ações e as narrativas dos oposicionistas.

De maneira geral, a oposição conta com Francisco Carlos (PP), Marleide Cunha, Didi de Arnor (Republicanos), Larissa Rosado? (PSDB) e Zé Peixeiro (PP). Um sexto nome, que não fecha com o governo, mas que também não soma com a oposição, é Pablo Aires (PSB). No sistema político brasileiro, se denominar independente é quase uma anomalia. Ser independente é ficar em cima do muro. E em política, não há nada mais insípido do que não ter posição definida.

Com 17 vereadores em sua base, espero que o governo não aja com soberba ou indiferença para a visão que a oposição pode alcançar. Já à oposição, cabe sair da inércia e assumir seu papel: fiscalizar, cobrar, acompanhar, denunciar e fazer com que a população tenha em suas mãos uma cidade melhor, com os serviços públicos oferecidos pelas Secretarias funcionando de modo ágil, honesto e eficiente.

Afinal, não era esse o discurso de ambos os lados?

 

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