Saldo negativo em transparência marca a gestão Allyson Bezerra desde o primeiro dia em Mossoró

Negação de informações, decretos sem explicação e embates com a Câmara expõem seis anos de conflitos com a transparência pública

por Ugmar Nogueira
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Mossoró (RN) – O debate sobre transparência na gestão do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) não é novo. Pelo contrário, ele começa no primeiro dia do mandato, em janeiro de 2021, e se estende ao longo de seis anos, acumulando episódios de negação de informações públicas, conflitos com vereadores e decisões administrativas sem explicação clara à sociedade.

Logo no início da gestão, o prefeito decretou calamidade pública financeira, uma medida extrema que causou surpresa e desconfiança. Até hoje, o decreto nunca foi devidamente explicado à população. Apenas o prefeito e sua equipe entenderam que Mossoró vivia, naquele momento, uma situação tão grave que justificasse tal decisão.

Licitações milionárias sob decreto questionado

Durante a vigência desse decreto, licitações milionárias foram realizadas ou renovadas, como contratos de abastecimento de combustíveis que ultrapassaram R$ 5 milhões, sem o devido processo licitatório, amparadas na alegação de calamidade financeira. Além disso, outros contratos em diversas secretarias também foram renovados com base nesse decreto, sem ampla divulgação de sua validade ou critérios, o que reforçou as críticas sobre a falta de transparência.

Enquanto isso, a Câmara Municipal passou a conviver com um cenário recorrente: requerimentos de vereadores solicitando informações básicas da gestão sendo sistematicamente negados.

Ruptura política e denúncia pública

Em dezembro de 2022, o então vereador Cabo Tony Fernandes rompeu com o governo e assumiu a liderança da oposição. Em entrevistas a rádios, jornais e blogs, foi direto:

“Saio de lá porque lá não tem transparência”, afirmou, classificando o prefeito como autoritário, perseguidor e sem transparência no trato com os recursos públicos.

O rompimento marcou o fim do segundo ano de mandato de Allyson e escancarou o desgaste político dentro da própria base.

Vereadores enfrentam muro de silêncio

A vereadora Marleide Cunha, sindicalista e uma das vozes mais ativas da oposição, nunca teve um pedido de informação aprovado, seja na Câmara ou diretamente junto ao Palácio da Resistência. Atualmente, enfrenta dificuldades até para obter dados básicos sobre servidores públicos, como lotação, função e carga horária, informações que deveriam ser públicas por lei.

Além disso, o Legislativo viveu momentos constrangedores. Sessões esvaziadas, vereadores deixando o plenário às pressas para derrubar o quórum e até uma sessão que durou apenas três minutos, após um verdadeiro “toque de recolher” político, entraram para a história recente da Câmara de Mossoró.  veja aqui https://blogismaelsousa.com.br/noticia/vergonha-sessao-da-camara-municipal-de-mossoro-dura-apenas-3-minutos-por-falta-de-quorum-6671fc4ce576a 

Oposição acuada na atual legislatura

Na atual legislatura, o cenário pouco mudou. O vereador Jailson Nogueira (PL) já apresentou 18 requerimentos, todos negados. As vereadoras Plívia e Marleide, assim como o vereador Cabo Deyvison, seguem enfrentando o mesmo bloqueio institucional. A oposição reclama que governa-se sem diálogo e sem prestação de contas.

Ausência em debates

Para completar o quadro, Allyson Bezerra se recusou a participar dos debates eleitorais de 2024. Para adversários e analistas políticos, a ausência foi estratégica: evitar questionamentos diretos sobre sua gestão. O gesto foi interpretado como mais um sinal de resistência ao contraditório e à transparência pública.

Governar exige mais do que discursos nas redes sociais. Exige explicar, responder e prestar contas.
Para muitos mossoroenses, a transparência prometida ainda não chegou.

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