O Rio Grande do Norte é visto, nacionalmente, como um estado com políticos de pouca expressão no cenário nacional. Apesar de o RN ter chegado à presidência do Congresso, com o ex-senador Garibaldi Filho (2007 a 2009), e da Câmara Federal, com Henrique Alves (2013 a 2015), a maioria da bancada potiguar, com algumas exceções, sempre ocupou a segunda divisão da política tupiniquim, figurando no que se convencionou chamar de baixo clero.
Nos últimos anos, porém, esse cenário mudou um pouco. Infelizmente, sem ganhos para o Estado. Pior: com prejuízo para uma grande parcela da população. Foi assim, por exemplo, com a ascensão de Rogério Marinho (PL) a esse patamar mais alto da política.
Então deputado, em 2019 Rogério foi o relator da mais catastrófica reforma que o país já experimentou: a trabalhista. A proposta alterou mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), flexibilizando as relações entre patrões e empregados. Além de acabar com a proteção social do assalariado, a reforma gerou desemprego e dificultou o acesso do trabalhador à Justiça.
Rogério Marinho também protagonizou outro fato deprimente e criminoso. Foi na sua gestão como ministro do Desenvolvimento Regional, no governo Bolsonaro (PL), que explodiu o escândalo do Tratoraço, esquema no qual foram gastos R$ 3 bilhões do orçamento secreto em compras superfaturadas de tratores.
Marinho, no entanto, não é o único político a envergonhar o Rio Grande do Norte. Fábio Faria (PP), ex-deputado, entrou com vontade para superar o senador. Seu nome ocupa hoje as manchetes de sites, jornais e programas de TV.
Ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fábio mantinha relação de vergonhosa proximidade (e promiscuidade) com Daniel Vorcaro, o dublê de banqueiro que aplicou o maior golpe no sistema financeiro do Brasil.
Fábio mantinha negócios suspeitos com Vorcaro, mas o que não é mais suspeita é sua atuação como cafetão de luxo. O ex-ministro de Bolsonaro organizava orgias. Em uma delas, acontecida na boite Madame Satã, Fábio (que é evangélico) recrutou 120 mulheres, “só memina nova””, na própria definição de Vorcaro, e que teriam sido seviciadas por cerca de 20 homens, entre eles Davi Alcolumbre (presidente do Senado) e o próprio Vorcaro. Também evangélico, o “banqueiro” chegou à disputada festa fantasiado de Drácula.
Tão vergonhoso como o fato de Fábio Faria ser casado, é a constatação de que um ministro de Estado não agia para construir projetos de desenvolvimento para a nação, mas atuava como rufião.
Triste para os norte-riograndenses descobrirem que elegeram um deputado que, por essa condição foi alçado ao posto de ministro de Estado e, daí e talvez por isso, reduzido a um proxeneta. Fábio Faria fez de sua atuação política um prostíbulo. Degradante.



