O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o prefeito afastado de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), a mulher dele, Sirlange, e outras 11 pessoas sob suspeita de participação em um esquema de desvio de recursos públicos na área da saúde. A acusação envolve contratos firmados entre a prefeitura e a organização social Iase (Instituto de Atenção à Saúde e Educação). O casal nega irregularidades.
Manga está fora do cargo desde novembro, por decisão do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), tomada durante a fase de investigação. Na denúncia apresentada no fim de janeiro, o Ministério Público Federal atribui ao prefeito os crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Cabe agora à Justiça decidir se aceita a acusação. Se isso ocorrer, os denunciados se tornarão réus. As informações são da Folha de São Paulo.
Segundo os procuradores, o prefeito era “peça-chave” de uma organização criminosa estruturada para desviar verbas municipais por meio de contratos direcionados ao Iase. O caso surgiu a partir de investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Rio Grande do Sul, após a interceptação de um áudio que mencionava Manga logo depois das eleições de 2020. A informação foi compartilhada com autoridades paulistas, que aprofundaram a apuração.
De acordo com a denúncia, houve 2 contratos entre a prefeitura e o Iase. O 1º teria sido firmado sem licitação, com base em uma situação emergencial que, segundo o MPF, não existia. O 2º passou por chamamento público, mas o edital já estaria direcionado à entidade. Em uma das conversas anexadas ao processo, o então secretário de Administração, Fausto Bossolo, disse estar “suando frio” antes de saber o resultado da seleção. Depois de confirmar que o Iase havia vencido, escreveu que ficou “mais tranquilo” e mencionou um “susto”. Bossolo também foi denunciado.
A defesa afirmou ter confiança de que provará a inocência dele e sustentou que a contratação não passou por sua pasta. Os procuradores pedem o confisco de bens dos envolvidos, ressarcimento dos valores apontados como desviados e indenização de R$ 7 milhões à União e ao município, metade para cada ente.
A denúncia sustenta que parte da propina chegava ao casal por meio de intermediários, entre eles o empresário Marcos Mott e o pastor Josivaldo Batista de Souza, concunhado do prefeito. Em buscas, foram apreendidos R$ 646 mil na casa de Mott e R$ 700 mil na residência do pastor. Relatório de inteligência financeira apontou depósitos de R$ 237 mil em cédulas de pequeno valor, algumas danificadas. O MPF afirma ainda que uma planilha paralela atribuída ao pastor registrava entradas e saídas de recursos do esquema. A defesa de Manga declarou que a denúncia decorre de investigação “completamente nul” e afirmou que o prefeito é alvo de perseguição política. O Iase negou irregularidades e disse que demonstrará a legalidade dos contratos nos autos, que tramitam sob segredo de Justiça. O Poder360 procurou a assessoria de Rodrigo Manga para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do tema. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital. (Fonte: Poder 360)
MATEMÁTICA DE MOSSORÓ – Rodrigo Manga é um dos ídolos do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que afirma nas redes sociais se inspirar como gestor no prefeito sorocabano. Por ironia do destino, Allyson está sendo acusado pela Polícia Federal (PF) de ser o suposto líder de um esquema de roubo de dinheiro da saúde de Mossoró.
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