* Márcio Alexandre
A maternidade e a paternidade são um poder-dever. São um obrigação-prazer. É ao mesmo tempo alegria de ter e a urgência de cuidar. E quanto custa?
Quanto custa dar banho? Quanto custa garantir comida? Dar roupa limpa. Quanto custa prover a educação? Quanto custa oferecer o lazer? Quanto custa para o feto virar bebê, o bebê virar criança, a criança chegar à adolescência e o adolescente ficar adulto?. Quanto custa?
Não custa nada. E pode parecer absurdo dizer isso. Mas não tem custo. Porque a matéria-prima para transformar pessoas é o cuidado. E cuidar não tem custo, tem valor.
Valeram a pena nove meses de espera. Valeu a pena o aviso pelas primeiras contrações. Valeram a pena as dores do parto. O incômodo e até sofrimento do resguardo.
Valeram a pena as noites sem dormir. A preocupação com a primeira diarreia, o susto com as febres recorrentes.
Valeu a pena superar o medo da primeira grande queda. O receio da primeira vez longe.
Mas é preciso continuar valendo a pena.
Quantas vezes não achamos que era melhor quando só dormia, comia e fazia cocô na fralda? Mas reclamávamos que às vezes era sem aviso.
Quantas vezes não pensamos que era melhor quando apenas engatinhava, mas sonhávamos que ficassem em pé, e hoje reclamamos que estão correndo. E como correm!!!
Para nós, o desejo era de que a versão “menos trabalhosa” fosse a mais duradoura. Ou que durasse para sempre. Mas esquecemos que quando queremos o mais fácil talvez estejamos impedindo o crescimento, a evolução. E para que eles continuem crescendo, evoluindo, é preciso seguir cuidando.
É necessário olhar os cadernos e vigiar os hábitos; ver os livros e observar os gestos; acompanhar as tarefas e perceber as mudanças.
Não perdemos um filho, um neto, um sobrinho do dia para a noite. Perdemos porque os negligenciamos dias e noites. Manhãs e tardes. Semanas e meses. Perdemos porque deixamos de cuidar.
Porque cuidar dar gasto e trabalho. Mas talvez não haja algo melhor. Com certeza, é a coisa mais necessária, a atividade mais humana e o gesto mais divino. Cuidar é dizer “te amo” com ações.
* Professor e jornalista


BOCA DA NOITE – Do ponto de vista pessoal, porque realizar esse trabalho?
as acompanhadas de uma garrafa de água mineral, suco ou café, muitas vezes roupas e calçados, absorventes íntimos, kits de higiene também, e a gente vê muita gratidão, muitos sorrisos, muitas falas. A gente não coloca fotos deles falando porque a gente acha que é explorar a imagem deles, a gente tira fotos, mas não mostra o rosto, apesar que muitos pedem para tirar fotos deles, querem aparecer e dizem que é importante que a gente mostre para as pessoas perceberem como eles estão e para mais pessoas contribuírem, mas o sentimento que eles passam para a gente é de pura gratidão, pura alegria, pura emoção. A gente começa às 18h3, aos domingos, e muitas vezes muitos deles, muitas delas, dizem que é a primeira refeição do dia que eles estão comendo, muitas vezes a gente chega e eles à estão dormindo porque não tinham o que comer, e pra enganar a fome eles estão dormindo.