* Márcio Alexandre

 

A morte é uma certeza certa. Um destino conhecido. A linha de chegada onde ninguém vai querer estar, mas para onde ir é inevitável.
O fim inadiável. O desembarque que ninguém quer fazer.
Somos o único animal que sabe que vai morrer. E morreremos sem nos acostumar com isso.
Talvez o que mais nos entristeça com nosso fim inescapável não seja não escapar dele.

Parece que o mais nos angustia é não cumprir as jornadas.
Ir sem deixar descendência. Partir sem concluir um projeto. Encantar-se sem dizer adeus.
Das partidas inesperadas, uma das mais doídas é a que resulta da doença. A batalha perdida pra enfermidade. Ter lutado com a dor e não ter adiado o fim certo.
Das incompreensões do mundo, morrer antes de completar o ciclo natural talvez seja a mais inquietante. Morrer deveria ser pelo peso dos anos. Nunca pelas dores das doenças.

 

* Professor e jornalista

 
 
 

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