A terça-feira, 7 de setembro, foi mais um dia de manifestações em torno do Feriado da Independência. Grande parte dos brasileiros foi às ruas, divididos em dois grupos. De um lado, apoiadores do presidente Bolsonaro (sem partido) defendendo pautas democráticas, como intervenção militar, fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e deposição de ministros daquela Corte. De outro lado, liderados por movimentos sociais e partidos de oposição, outra grande parcela da população gritou por direitos sociais, comida, vacina e democracia.

Os atos antidemocráticos tiveram como ápice as ameaças feitas pelo presidente Bolsonaro às instituições e à democracia. O Blog Na Boca da Noite acompanhou o dia seguinte dos partidos com maior bancada na Câmara Federal às declarações golpistas do presidente. A maioria das agremiações reagiu em tom forte. O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), por exemplo, anunciou inclusive sua saída da base de apoio do governo, migrando para a oposição.

A movimentação dos partidos fortalece a abertura de um possível processo de impeachment do presidente por crime de responsabilidade, principalmente pelo fato de Bolsonaro afirmar que não vai mais cumprir decisões judiciais.

Dos 11 partidos com maior bancada, o Partido Progressistas (PP), que tem o presidente da Câmara, Arthur Lira, como grande aliado de Bolsonaro, se mostrou menos incisivo. “O mais importante agora é olhar para o Brasil além das manifestações da Independência. Perceber que o País do pós-pandemia pode e deve ser muito maior do que uma luta entre facções político-partidárias. Para isso, é fundamental estimular um clima propício aos investimentos, à atração de capitais externos, às nossas exportações e à estabilidade, para recuperarmos os empregos e as empresas que ficaram pelo caminho ao longo desta pandemia”, destacou o PP em nota.

O Partido dos Trabalhadores (PT), que tem, ao lado do PSL, a maior bancada na Câmara, por outro lado, organizou reunião entre os demais partidos para debater a campanha de impeachment de Bolsonaro. “As ameaças golpistas do 7 de Setembro deixaram Bolsonaro ainda mais isolado politicamente na sociedade“, adverte a presidenta nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR)

O Partido Social Democrata (PSD) anunciou a criação de uma comissão de acompanhamento do impeachment, enquanto que o Partido Liberal (PL), com 43 deputados, não se pronunciou publicamente, mas entre seus principais nomes, Flávia Arruda (DF) confidencia a pessoas próximas o desejo de deixar a Secretaria de Governo, e Marcelo Ramos (vice-presidente da Câmara) é um dos principais opositores do presidente no parlamento, afirmando inclusive que hoje já há muitos votos a favor do impeachment naquela Caswa.

Dividido, o Partido Social Liberal (PSL) se manteve silente, mas o vice-presidente da agremiação, deputado federal Bozella, criticou publicamente o líder do partido na Câmara, Major Victor Hugo, que apoiou as declarações golpistas de Bolsonaro. “O Brasil assistiu o presidente da República ameaçar aquilo que nos é mais caro, a democracia, quando disse que não mais cumpriria as ordens do Judiciário, e em mais um gesto de autoritarismo, ameaçou depor na marra o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou o vice-líder

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) também não anunciou publicamente sua posição a respeito das ameaças de Bolsonaro, mas já cogita, internamente, trabalhar a favor do impeachment de Bolsonaro, assim como PSDB, Solidariedade (SDD) e Partido Social Democrata (PSD).

O PSDB, conforme noticiou o Blog Boca da Noite ontem, anunciou a ida para a oposição. Já o Republicanos, um dos mais fiéis apoiadores do presidente, não se manifestou.

O Democratas (DEM) se uniu ao PSL e publicou nota com críticas a Bolsonaro, enquanto que o Partido Democrático Trabalhista (PDT), por intermédio do seu presidente nacional, Carlos Lupi, entrou com nova notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF), na quarta-feira (8), para investigar o presidente, em função das manifestações golpistas no último 7 de Setembro.

O PDT sustenta que o presidente pode ter praticados crimes e exposição da saúde ou vida dos cidadãos a perigo iminente, previstos nos dispositivos do Código Penal (CP).

Por fim, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) também criticou a postura de Bolsonaro e já havia orientado a sua militância a não participar dos atos convocados pelo presidente.

Juntos, os partidos citados acima contam com 405 deputados (quase 80% do total) e 62 senadores (mais de 76%). Veja abaixo a bancada de cada partido na Câmara e Senado:

 

  1. PSL – 53 deputados e 1 senador
  2. PT – 53 deputados e 6 senadores
  3. PL – 42 deputados e 4 senadores
  4. PP – 41 deputados e 7 senadores
  5. PSD – 34 deputados e 11 senadores
  6. MDB – 34 deputados e 16 senadores
  7. PSDB – 33 deputados e 7 senadores
  8. Republicanos – 31 deputados e 1 senador
  9. PSB – 31 deputados e 0 senador
  10. DEM – 28 deputados e 6 senadores
  11. PDT – 25 deputados e 3 senadores

 

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