A operação Mederi, desenvolvida pela Polícia Federal (PF) e Controladoria Geral da União (CGU) e que alcançou o o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil) – um dos seus principais alvos – vem causando muitos estragos.
Os principais acusados de envolvimento no esquema de roubo de dinheiro da saúde de Mossoró estão sob medidas restritivas, como uso de tornozeleiras eletrônicas, impedimento de se comunicar entre si, além de apreensão e sequestro de bens. Na parte financeira, pelo menos R$ 1 milhão de reais já foi apreendido, sendo R$ 700 mil com um advogado, R$ 290 com um dos sócios da empresa Dismed (utilizada pelos acusados para cometer os crimes) e R$ 57.600,00 com Almir Mariano, ex-secretário de Saúde de Mossoró, e homem de confiança de Allyson Bezerra.
O prefeito mossoroense não foi atingido – ainda – por medidas restritivas mais sérias, embora alguns aparelhos eletrônicos seus tenham sido apreendidos (celulares e Macbooks), tem sofrido os impactos das investigações que, registre-se, o colocam no topo do suposto esquema criminoso.
Allyson até que tentou disfarçar que não sentiu o baque. Logo após receber a batida dos policiais em sua casa no residencial Ninho, o prefeito fez vídeo para as redes sociais. Demonstrou aparente segurança, fingiu que a situação não era grave, sugestionou que tinha convidados os agentes federais para um café e mentiu que estava colaborando com as investigações.
No entanto, à medida que o efeito do vídeo foi se diluindo no tempo, conforme as suas mentiras foram sendo descobertas e na proporção que a fumaça de suas cortinas foi se dissipando no ar, Allyson passou a dar reais demonstrações do impacto da operação em sua vida e em sua caminhada para a disputa pelo Governo do Estado.
Inicialmente, as aparições – públicas e midiáticas – minguaram. Até mesmo os vídeos nas redes sociais, além de serem em quantidades menores, estão mais sóbrios, com menos pulinhos, gritos mais contidos, sorrisos cada vez mais amarelos e narrativa mais cadenciada. Parece que todo o entusiasmo que motivava as gravações foi levado junto com os celulares e Macbooks.
Nos vídeos, agora, há menos plateia e Allyson parece não querer ser protagonista sozinho. Em alguns, aparece acompanhado de secretários. Num deles, por exemplo, aparece ao lado de Morgana Dantas, secretária de Saúde. Morgana é apontada pela PF como integrante do grupo que teria roubado milhões da Saúde de Mossoró.
Sempre afeito a aparições públicas e performances escalafobéticas, Allyson agora quase não é visto. No carnaval, mergulhou completamente. Ninguém o viu nem sabe de quem o tenha visto.
Até então envolvido em tratativas políticas quase diárias em diversos municípios potiguares e, principalmente, habituê dos órgãos de imprensa aliados – especialmente da capital – Allyson abandonou essas duas frentes.
Quem o acompanha sabe que o principal impacto da Operação Mederi foi a mudança na forma como o prefeito se comunica com seus eleitores. Essa é uma certeza. Mas há uma dúvida. Não se sabe se a metamorfose é resultado do que já veio ou do que ainda está por vir.


