Morre o líder revolucionário Luiz Alves

O "Velho" lutou contra a ditadura militar ao lado de sua companheira, Anatália de Melo Alves

por Ugmar Nogueira
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Por Caio César Muniz

 

Nascido em 17 de novembro de 1940, Luiz vinha enfrentando há vários anos um problema de diabetes, que o levaram a se submeter a sessões recorrentes de hemodiálise, acarretando uma questão grave de coração e que agravou a sua função renal e cardíaca. Segundo o boletim médico de internação, o “Velho” veio a óbito hoje devido a um “choque cardiogênico em consequência de insuficiência cardíaca e estenose aórtica.”

Natural de Areia Branca, filho de pai pobre, trabalhador das salinas, uma atividade brutal sob vigilância constante dos patrões que não admitiam qualquer reivindicação de direitos, cedo veio para Mossoró, onde estudou na Escola União-Caixeiral, mas já atuando com outros colegas no movimento estudantil. Concluído o 2º grau, fez concurso para o Banco do Brasil, sendo aprovado e ampliou a sua atuação nos movimentos social e sindical em Mossoró, sendo um dos fundadores da Oposição Bancária de Mossoró e região Oeste Potiguar nos anos 1980.

Em sua trajetória de vida, também passou pelas redações dos principais jornais mossoroenses e sempre foi ligado aos movimentos sociais e políticos de esquerda, sendo um dos principais militantes do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e tendo enfrentado na linha de frente a ditadura militar instaurada no Brasil nos anos 60, pagando por isto um preço altíssimo, como a morte pelo regime, de sua companheira, a professora e militante mossoroense Anatália de Melo Alves.

“Abdicar da luta jamais!”
No ano passado a Liga Operária de Mossoró, presidida pelo sindicalista Gilberto Diógenes publicou o livro “Luiz Alves – Abdicar da Luta Jamais!”, organizado pelo historiador Lemuel Rodrigues. No livro, vários companheiros exaltam a grandeza de Luiz.

“Conheci Luiz após ele sair da cadeia, nas noitadas que a gente passou. Ele era o cara dentro do espectro da esquerda e, para mim, foi um prazer muito grande tê-lo conhecido. Foi muito importante na minha vida no sentido da formação política, era um professor para as questões políticas, nato.” Escreveu Gilberto na ocasião.

“A carga emocional de escrever sobre Luiz Alves foi muito grande. Cada depoimento, anotação, reportagens ou documentários a que assistia sobre a repressão promovida pela ditadura civil-empresarial-militar, me causava angústia e revolta.” Escreveu Lemuel Rodrigues, sobre a escrita do livro, que teve seu título definido a partir de uma frase de Luiz. “Abdicar da luta, Jamais! Jamais abandonar companheiros, jamais deixar cair sua bandeira. Levante-a.”

O velório de Luiz Alves, acontecerá a partir das 18h desta quinta-feira (18), na Central de Velórios Sempre, na rua Melo Franco, 187, no Centro de Mossoró e o sepultamento acontece nesta sexta (27) às 8h no Cemitério São Sebastião, também no Centro de Mossoró.  Em agosto do ano passado, a Liga Operária lançou sua biografia.

 

 

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