“A gente tá pensando muito na criminalização da misoginia, mas só prender não vai adiantar. Se a prisão apenas funcionasse, a gente não tava como a gente tá. Criminalizar a misoginia é para além da punição com o agressor. A gente tem que pensar em educação e, principalmente, nas big techs. É suspensão, é multa, coisas pesadas, porque é a big tech que está entrando nas nossas casas”. A avaliação é de Bruna Camilo, socióloga, cientista política e doutora em Ciências Sociais pela PUC Minas, pesquisadora em gênero e misoginia, que está participando em Natal e Mossoró do seminário “Feminismo Urgente”. Em Natal, o debate foi promovido na quarta-feira (6), no início da noite; e em Mossoró ocorreu na manhã desta quinta-feira (7).
O seminário feminismo Urgente é uma iniciativa é organizada pelo grupo Corpopolítica (UFRN), pela Marcha Mundial das Mulheres, pela DIAAD/UERN, em parceria com a Faculdade de Serviço Social, PROEC/UFERSA, pelo Centro Feminista 8 de Março e pelos mandatos da deputada estadual Isolda Dantas e das vereadoras Brisa Bracchi e Plúvia Oliveira.
Em Natal, a vereadora Brisa Bracchi é um exemplo de como uma mulher pode ser alvo de misoginia. Durante todo seu mandato ela vem sendo atacada por integrantes da extrema direita e chegou inclusive a receber ameaças, caso investigado pelo Ministérios da Justiça. A deputada Isolda Dantas, na Assembleia Legislativa, também já foi atacada por outros parlamentares. “Enquanto feminista, espero que internet não seja uma rua escura, abandonada pelo Estado e arena de violência. Que consigamos, nos espaços virtuais e reais, construir alternativas para que as estatísticas que nos permeiam fiquem cada vez mais no passado”, afirmou Brisa Bracchi.


