Como todo debate, o promovido pela InterTV Cabugi não permitiu que os candidatos falassem tudo o que a população esperava ouvir. Principalmente quando entre os debatedores há um mentiroso contumaz, como o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que fugiu de todas as perguntas para os quais há tempos o povo potiguar espera respostas.
O Boca da Noite fez um levantamento de assuntos e temas importantes sobre os quais o tempo não permitiu que Allyson e Cadu de Lula (PT) se alongassem.
Educação
Allyson acusou o Estado do Rio Grande do Norte de ter um dos piores Ideb´s do país. O ex-prefeito de Mossoró “esqueceu” de dizer que foi na gestão dele que o Ideb de Mossoró voltou para o mesmo índice dos tempos da ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP), e que o Ideb do Estado avançou na gestão da governadora Fátima Bezerra. Allyson inclusive foi repreendido pelo MP que comprovou a distorção que ele fez nos dados.
Ainda sobre educação, Allyson poderia ter dito as razões pelas quais o teto de três escolas de Mossoró desabou durante sua gestão e a atual. Inclusive, o caso mais recente ocorreu poucos dias após uma reforma feita pela prefeitura. Sobre desabamentos, também foi registrado caso na UPA.
Obras
Em relação a obras, Cadu de Lula não lembrou a Allyson, e Allyson esqueceu de dizer que a construção do Anel Viário 15 de Março teve 90% dos recursos bancados pelo Governo Lula.
Como foi em sua primeira gestão, Allyson também não lembrou que ele fez uma aditivo de R$ 500 mil na obra do Memorial da Resistência depois que os serviços já tinham sido concluídos.
O ex-prefeito não quis falar sobre as suspeitas de propinas nas obras tocadas por sua gestão. Francisco Erinaldo, irmão de fé do ex-prefeito, o acusou de cobrar 4% dos valores dos serviços para poder receber o que a prefeitura .
Allyson disse que entrega obras e, nesse aspecto, poderia ter citado a reforma do Teatro Dix-huit Rosado, que registrou um incêndio logo após a gestão do ex-prefeito ter gasto quase R$ 3 milhões nos serviços.
Allyson questionou Cadu de Lula sobre aumento no número de homicídios no Estado e o candidato governista não lembrou que o Rio Grande do Norte é o mais seguro do Nordeste e o quarto do país.
Também nessa área, Allyson poderia explicar porque a da Guarda Municipal se transformou numa espécie de milícia dele, acusada, inclusive, de espancar e sequestrar jornalista.
Violência contra a mulher
O ex-prefeito de Mossoró falou sobre violência contra a mulher. Ele mesmo poderia ter explicado que uma das razões do crescimento desse fenômeno mosntruoso é o discurso de ódio pregado contra as mulheres pelo bolsonarismo, ideologia política da qual ele é parte. E Cadu de Lula poderia ter dito que Allyson Bezerra se recusou a regulamentar a Lei nº 3.958/2022, que garante reserva de vagas em empresas terceirizadas para mulheres vítimas de violência doméstica.
Perseguição
O tema perseguição, que Allyson levou ao debate de forma desonesta e fora de contexto e, pior, com ataques a familiares da candidata a vice-governadora. O ex-prefeito é, reconhecidamente, um carasco para o servidor exatamente por ser perseguidor. Os servidores que não votam nele tem suas licenças represadas, seus benefícios negados e suas vidas devassadas. A gestão municipal, deixada por Allyson nas mãos de um parente, segue perseguindo quem não vota com o ex-prefeito.
As suspeitas na prefeitura de Mossoró são, inclusive, de que há troca de liberação de benefícios para servidores por apoio à candidatura do ex-prefeito.
Transparência
Sobre nota de transparência e de capacidade de investimento, Allyson não explicou porque falseou relatórios financeiros da prefeitura de Mossoró para conseguir empréstimos milionários e esconder o caos que são as finanças da prefeitura de Mossoró. A acusação é do Tribunal de Contas do Estado.
Cadu de Lula citou que Allyson deixou o Nogueirão no chão. Apesar de ser verdade, Allyson poderia ter rebatido e explicado porque o TCE encontrou tantas irregularidades no processo de permuta do estádio. Cadu não disse que há inclusive suspeitas de fraude na muncipalização do estádio.
E, para finalizar, Allyson ainda não explicou porque sua gestão firmou contrato de R$ 3 milhões com uma empresa-fantasma. O debate de ontem foi uma ótima opottunidade, mas ele não quis aproveitar.
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