Por Emerson Linhares *
A incapacidade de figuras políticas, estando no poder ou na iminência de assumir um lugar de destaque, de lidar com a possibilidade de influir no destino de milhares de cidadãos e cidadãs e, com isso, passar para a história da política como um (a) grande líder e gestor (a) é impressionante.
É nesse momento de firmeza, compromisso com a sociedade e verdadeiro espírito público, que se tem a oportunidade de separar as autênticas lideranças dos tíbios e medíocres. É aí que se escolhe fazer a grande política – do compromisso com o interesse público que deixa algum legado para a história – ou a pequena política dos objetivos menores e imediatos.
Esse foi o ponto de uma pequena conversa que tive com meu amigo advogado e professor Cid Augusto, no evento que deu o pontapé nas obras de duplicação da BR-304, no última dia 21, em Assu. Aliás, é digno que se abra um parêntese aqui e enaltecer o esforço hercúleo da governadora Fátima Bezerra (PT) para que essa obra saísse do papel. Um feito histórico e gesto que jamais será esquecido pelo povo norte-rio-grandense.
Voltando para a conversa com Cid, lembrei da mãe dele, Sandra Rosado, que apesar de ter apenas 70 dias para governar Mossoró como prefeita, após a morte de Dix-huit-Rosado em 1996, não fugiu ao compromisso – mesmo tendo recebido diversos conselhos para não assumir o posto. Montou um secretariado monumental, majoritariamente técnico, e fez uma arrojada administração no pouco período que ficou no poder. Aproveitou o momento para escrever seu nome na história de nossa cidade.
Fazendo um corte para a atualidade, nos deparamos com a situação inédita e incômoda de estarmos à beira de uma eleição indireta, caso o hoje vice-governador Walter Alves (MDB) não assuma a cadeira após a renúncia da professora Fátima, que almeja disputar uma das vagas no Senado, projeto macro do Partido dos Trabalhadores. Walter, inclusive, virou vice de Fátima por um acordo nacional entre partidos, apesar da resistência ao seu nome (e sobrenome!) naquele momento.
Estamos às portas da eleição em 2026 e imaginava-se que tudo caminharia dentro dos conformes, com Fátima candidata ao Senado, Walter assumindo o governo e concorrendo a reeleição (o que seria o caminho natural), mas o filho de Garibaldi Alves revela sua pequenez política ao não fazer história, amedrontado por fantasmas e narrativas, contos da carochinha mesmo, sobre supostas dificuldades financeiro-administrativas que poderia abalar sua reputação. Qual governo não tem suas dificuldades, não é mesmo?
Fazendo um retrospecto, Walter Alves disse que assumiria o governo com a renúncia de Fátima, mas não tinha interesse na reeleição. Tranquilo, direito dele. Então o PT coloca na mesa o nome de Cadu Xavier para ser candidato e incontinente recebe a chancela do vice-governador. Numa reviravolta digna de cinema, Walter Alves incorpora a figura do Major-General Benedict Arnold (1741-1801), que na Guerra da Independência dos EUA virou a casaca e abandonou o Exército Continental, que tinha o grande George Washington como seu líder máximo, e desertou para o Exército Britânico. Ou seja, Walter não só não assumirá o governo como não dará mais o apoio para Cadu.
Não quero ser pessimista – e já o sendo-, mas que garantia terá a governadora Fátima Bezerra de que realmente Walter Alves renunciará depois que estiver aboletado na cadeira de governador, posição essa que por hora recusa? Apesar de Walter colocar à disposição do presidente Lula o apoio do MDB aqui no Estado, ele não afirmou que apoiará Fátima ao Senado e de quebra já anunciou que vai apoiar outro candidato ao governo do RN, configurando um movimento pendular de “gostar de Juazeiro e adorar Petrolina”.
Para finalizar, Walter perde uma ótima oportunidade de entrar para a história da política potiguar, abrindo mão de liderar mais uma vitória para o campo progressista. A sua deserção não significa que está tudo perdido, porque a governadora Fátima Bezerra, grande timoneira do RN na atualidade, saber fazer política e sairá vitoriosa mais uma vez, com certeza.
Como diz a própria Fátima ao finalizar seus discursos, hodiernamente, e que virou marca registrada ao lado de “teje entregue”, só nos resta dizer “sigamos” – com menos aliados, mas com uma enorme força de vontade para lutar e vencer.
* Jornalista



