* Márcio Alexandre
Em outubro de 2016, o então presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJ/RN) O desembargador Cláudio Santos defendia, com indisfarçável cinismo, que a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) fosse privatizada. Na tacanha opinião do jurista, que naquele momento alimentava o sonho de ser candidato a governador, privatizar a UERN seria a solução para resolver os problemas da saúde no Estado. Se entusiasmava em apresentar a ideia que significava sepultar o sonho de milhares de jovens de acessar o ensino superior.
Em 2016, o Estado era governado por Robinson Faria (PSD) que executava a pior gestão que o Rio Grande do Norte já experimentou. No lastro da incompetência de Robinson, em 2018 a UERN sofria com descaso do governante, que a encaminhava para o ocaso. Com duas folhas salariais em atraso e sem diálogo com o governo, professores e técnicos faziam greve.
Sem o mínimo para se manter em funcionamento, sob ataques de parte da elite financeira potiguar, a UERN contava com poucas vozes em sua defesa. No interior da instituição, professores, alunos e funcionários viviam sob incerteza e medo.
O tempo passou, Robinson sucumbiu eleitoralmente, mas foi exitoso em seu projeto de destruição do Estado. Deixou, apenas com servidores, uma dívida de quase R$ 1 bilhão. Colapso financeiro e fiscal quase total.
O tempo passou, o povo fez opção pela mudança e os resultados começaram a aparecer. Mesmo em meio à pandemia, a governadora Fátima Bezerra tem tocado projetos, realizado ações e cumprido compromissos com os servidores, tendo quitado 3 das 4 folhas salariais deixados por Robinson, de triste memória.
Para a UERN, o olhar de Fátima tem sido de apreço, afeto e valorização. As melhores notícias foram dadas nessa semana. Para a universidade, a garantia do respeito à vontade soberana da comunidade acadêmica na escolha do(a) reitor(a) e vice ao abolir as famigeradas listas tríplices.
Democrata, Fátima nomeou em maio os primeiros colocados na consulta desse ano. A posse seria apenas em setembro, mas Cicília Maia e Chico Dantas já sabiam, de forma garantida e antecipada, que seriam investidos nos cargos para os quais foram escolhidos por professores, alunos e servidores.
Para o futuro, um anúncio dos mais esperados: a UERN vai ter sua autonomia financeira em breve. A governadora vai enviar projeto à Assembleia Legislativa para garantir essa grande conquista.
Para a melhoria da oferta de seus serviços, aumento no número de professores e servidores, com assinatura da autorização para realização de concurso público.
Com tais gestos, Fátima engrandece sua biografia, e torna a UERN ainda mais gigante. E deixa uma certeza: os ataques que a universidade sofria no governo Robinson eram o desejo da atrasada elite do atraso potiguar tentando tirar dos mais humildes uma das poucas oportunidades que ainda tem: uma universidade pública, gratuita e de qualidade.
* Professor e jornalista
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