* Márcio Alexandre

A gente tem uns mantras prontos. Para respostas rápidas. Para elogios instantâneos. Para postagens felicitatórias. Neles, desejamos: saúde, amor e paz. Quase sempre nessa ordem. Há vezes, acrescentamos fé.

A verdade é que sempre necessitamos de tudo isso. Para enfrentar todo o resto. Mas se nos fôssemos pedido para escolher apenas um, qual escolheríamos?

Sempre achei que a saúde seria o primeiro dos dons que gostaríamos de receber. Provei, talvez da maneira mais doída o quanto doi não a ter. 

Após cerca de 40 anos de trabalho, passei um dia sem trabalhar. Sexta-feira. Sextei de cama. Não sem antes ter que ir ao hospital para uma picada de formiga na pele e alguns medicamentos no corpo por via intravenosa.

Melhorei, mas gostaria mesmo era de ter ficado bom. Ter de volta aquilo que acho que sempre tenho em bom nível: saúde. Não queria gastar o atestado médico. Nem sempre acontece o que a gente quer.

A coriza, os estrondos que arruinavam laringe e faringe e deixaram “as cruz” doídas mostravam que não dava para voltar à rotina. A secreção que se despedia do corpo quase involuntariamente alertava que além de me recolher para melhorar minha condição clínica, ficar em casa também significava proteger outros. Meus colegas da UERN. Meus alunos. A equipe da escola, enfim. Era necessário resignar-se. E o fiz.

Quando as articulações permitiam, deixava a cama rumo à mesa e cadeira. Na tentativa de não me sentir tão inválido. Tão combalido. Já desnecessário. E aqui, começo a provar que a saúde é mesmo o nosso maior bem.

Em casa, há mais tempo para tudo. Quando é por doença, sem condição para fazer quase nada.

Tentei tirar um projeto antigo da gaveta. Não saiu com a qualidade que queria.

Quis engatar novas leituras ao que já estou lendo. Não encantou como deveria.

Busquei me aventurar em pequenas tarefas domésticas. O corpo não respondia. Até dormir foi ruim.

O sono parece provocado por antialérgicos. O encanto da leitura parece superficial. O gosto das comidas some. Até a falta de gosto da água fica estranho.

Ao fim e ao cabo, saiu apenas essa crônica. Quase lúgubre. Moribunda. Meio escatológica. Sem a vitalidade de outros escritos. Mas com a certeza de que mesmo combalido, não desisto de escrever. 

E olha que foi apenas uma gripe. Pesada, é verdade. Mas que reafirma o que disse no início: saúde é nosso bem maior. Inclusive para se desejar, atrair, buscar, almejar, exercitar, todos os outros. Se está desfrutando dela agora, aproveite. Bom domingo. Com amor, paz, fé. E saúde. Em doses cavalares.

* Professor e jornalista

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