É no mínimo desonesto o trabalho de quem se diz jornalista e quer induzir equivalência entre as fotos do ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o com o presidente Lula (PT).
É difícil crer inclusive que quem o faz o faz de vontade própria. Impossível não acreditar em “crime encomendado”.
Allyson quis tirar a foto com Bolsonaro. Logo após vencer as eleições de 2020 “desabou” de Mossoró e foi a Brasília encontrar o golpista. Como se tivesse ido “prestar” contas de alguma coisa ou agradecer por algo. Foi firmar terreno, como se estivesse atrás de garantias no campo do extremismo. Sequer divulgou em sua agenda oficial. Aliás, a cidade nem sabia onde ele estava.
A foto com Lula, protocolar, foi de má vontade. Foi em Mossoró e, na condição de prefeito, ficaria muito “ruim na foto” se ele não aparecesse no retrato.
Com Bolsonaro, o sorriso farto dos quem ficam à vontade com os que jogam no campo da corrupção.
Com Lula, o sorriso amarelo dos que se sentem incomodados ao lado dos grandes.
Quem busca sugestionar equivalência presta um desserviço à sociedade e trai o Jornalismo. Usa dois fatos diferentes de um sujeito desonesto pra construir imagem de gestor correto.
Reproduzir o discurso mentiroso de quem faz da mentira plataforma não é Jornalismo, é Assessoria de Imprensa. Não deixar isso claro a quem lê é ser desonesto. Quem faz isso é um sabujo. Uma enganador. Um falsário. Assim como quem paga-lhe para produzir a enganação.
Não é pelas fotos, é pelas intenções. A reprodução de uma pauta que declaradamente ajuda a um candidato. A narrativa ampliada de uma mentira vendida como verdade.
É triste ver o Jornalismo usado por gente tão ruim. Inclusive pra fingir que é bom.

