* Márcio Alexandre

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vai ser preso. Não é exercício de futurologia, advinhação ou desejo. É fato. A Polícia Federal (PF) tem colhido farto material que prova aquilo que todo mundo sempre soube: o golpe planejado – e parte dele posto em prática – e que tinha como grande beneficiário o ex-capitão, ao que tudo indica tinha também como grande artífice, o próprio Bolsonaro.

Pois bem: o ex-presidente queria presença vitalícia no comando do país. Para isso, o Brasil viraria uma ditadura. Ou se consumaria como tal já que os seus 4 anos à frente da Presidência da República chegaram muito próximo disso: o aparelhamento da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) é apenas um ponto a corroborar as intenções golpistas, antidemocráticas e, portanto, ditatoriais de Bolsonaro.

A operação de hoje da PF escancarou de vez como o golpe foi planejado e até posto em prática. Lembremos que a explosão de um caminhão-tanque no aeroporto de Brasília não se confirmou por incompetência dos golpistas.

Tudo o que se sabe, tudo o que se tem apurado, aponta para Jair Bolsonaro como um dos grandes envolvidos nos atos: de construção de narrativas sobre fraudes em urnas à revisão de minutas golpistas.

A ditadura que Bolsonaro queria reinaugurar no Brasil não permitiria a qualquer acusado de qualquer crime o que ao ex-presidente está sendo permitido: o respeito ao devido processo legal. O respeito às leis, aos ditames, aos ritos investigatório/persercutório.

Pois bem. É essa a razão pela qual aquilo que muita gente torce ainda não ocorreu: a prisão de Bolsonaro.

Entre os caminhos prováveis e previstos em lei, o próximo passo a ser dado deve ser a manifestação da Procuradoria Geral da República (PGR) no sentido de oferecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra o ex-presidente. Caso esta seja aceita, abre-se uma ação penal e, nesse caso, Bolsonaro passa à condição de réu. Será no curso desse processo e, claro, ao final dele, que a prisão do ex-presidente será decretada.

Por tudo o que está posto, claro está que Bolsonaro não pode reclamar nem de perseguição, nem de atropelo, nem desrespeito ao rito das coisas. Está tudo dentro da lei. Seguindo regras, normas e meios que o sistema de governo que Bolsonaro queria no Brasil não franquearia a nenhum brasileiro que discordasse dele.

Tudo segue, pelo que se tem até agora, funcionando como um relogiozinho. Claro, que como instrumento marcador de tempo, uma hora ele estará anunciando que chegou o momento em que todos os envolvidos no golpismo e terrorismo terão pago por seus crimes. Inclusive Bolsonaro. Tic-tac, tic-tac, Tic-tac.

* Professor e jornalista

 
 
 

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