A cidade de Nova York poderá se tornar pioneira em uma proposta ousada: a criação de supermercados públicos para enfrentar a alta no preço dos alimentos e ampliar o acesso a produtos básicos.
A iniciativa é liderada pelo prefeito Zohran Mamdani, que pretende implementar um modelo híbrido nos próximos meses. Nele, a prefeitura será proprietária dos imóveis, enquanto a operação cotidiana ficará sob responsabilidade de empresas privadas.
O objetivo central é reduzir o impacto da inflação alimentar, que acumulou alta de cerca de 66% na última década na cidade. Pelo modelo proposto, itens essenciais como leite, pão e ovos deverão ser vendidos pelo preço de custo de aquisição no atacado, garantindo maior acessibilidade à população.
Além disso, os supermercados públicos buscam enfrentar os chamados “desertos alimentares” — regiões onde grandes redes não atuam por baixa rentabilidade, limitando o acesso da população a alimentos de qualidade.
A proposta, no entanto, gera debates. Enquanto a prefeitura defende a medida como essencial para a segurança alimentar e justiça social, pequenos comerciantes demonstram preocupação com a concorrência subsidiada pelo poder público. Parte da população também questiona a prioridade do investimento diante da crise habitacional enfrentada pela cidade.
A primeira unidade será instalada no bairro do Harlem, e a meta da gestão é expandir o modelo para os cinco distritos de Nova York até o fim do mandato. O investimento estimado é de cerca de 70 milhões de dólares.



