Um real desviado da Saúde faz uma diferença gigante. É um comprimido que vai faltar. Um soro faltando. Milhões desviados se configuram em sentença de morte.
É o dinheiro do balão de oxigênio. Das cirurgias ginecológicas, dos medicamentos para tratamento de média e alta complexidade. Do salário dos médicos concursados.
Apesar disso, João Maia, deputado federal potiguar pelo Progressistas, acha que é normal que roubem o dinheiro da saúde.
João Maia tripudia na cara dos mais humildes quando diz que uma investigação que apura desvio de milhões na gestão Allyson Bezerra (União Brasil) é insignificante.
João Maia normaliza a roubalheira pra defender seu candidato a governador.
João Maia ignora a dor e o sofrimento de quem precisa de atendimento nas UBS’s de Mossoró, onde falta quase tudo, pra defender o patrão da esposa.
Alguém precisa dizer a João Maia que é estupidez defender o indefensável. Que é imoral trocar a dignidade por conveniência política. Que é desumano esconder o roubo de quem deixa pessoas morrer por falta de medicamentos, exames e médicos para atender aos doentes.
João Maia deveria pedir desculpas públicas à população por ter dito um disparate tão grande. E até se retratar com a Polícia Federal (PF) e Controladoria Geral da União (CGU), que pegaram a gestão Allyson Bezerra roubando o dinheiro da saúde. Insignificante é quem passa pano pra algo tão grave, João Maia!!!!
Allyson
Do Blog do Dina
O Que Você Vai Ler
Documentos da Operação Mederi mostram que Poliana Rezende Dantas, Diretora Financeira I da Secretaria Municipal de Saúde de Mossoró entre 2024 e 2025, foi citada em pelo menos 9 interceptações ambientais realizadas entre maio e junho de 2025 na sede da distribuidora de medicamentos DISMED. As informações são parte da investigação a que o Blog do Dina teve acesso com exclusividade. Segundo decisão do desembargador federal Rogério Fialho Moreira, do TRF-5, ela ocupa a 5ª posição numa estrutura de 9 pessoas — descrita como “contato de confiança dentro da Secretaria Municipal de Saúde”, cuja participação, conforme a decisão, seria indispensável para a execução do esquema investigado.
Poliana foi nomeada pelo prefeito Allyson Leandro Bezerra Silva — o topo da estrutura segundo a mesma decisão — por portaria de 31 de janeiro de 2025. Vinte e três dias antes da nomeação, os documentos do TRF-5 registram trocas de mensagens entre ela e Oseas Monthalggan Fernandes da Costa, sócio da DISMED e um dos principais operadores do esquema investigado.
A defesa dela foi procurada pelo Blog do Dina para se manifestar e afirmou que, em razão do processo estar em sigilo, não tinha como contribuir com os esclarecimentos solicitados pela reportagem.
Os autos obtidos pelo Blog do Dina registram: “verificou-se trocas de mensagens entre Poliana e o investigado Oseas Montalgghan, que foram realizadas nos dias 07, 08, 09, 14, 15, 16 e 17 de janeiro de 2025.”
São sete dias de mensagens com o sócio da DISMED. O conteúdo das mensagens não foi transcrito nos documentos disponíveis ao Blog do Dina — é uma das lacunas da apuração. Vinte e três dias após a última mensagem registrada, Poliana estava nomeada Diretora Financeira da SMS.
“A Poliana dá carona”
A primeira escuta ambiental em que Poliana é citada pelo nome é de 9 de maio de 2025. Sidney — representante comercial que atuava como intermediário da DISMED — comunica a Oseas que Mossoró havia recebido um ofício licitatório e que ele havia entregado o documento à Diretora Financeira:
“MOSSORÓ recebeu o ofício, viu, hoje! POLIANA, pra POLIANA, dá CARONA. Ela disse que segunda-feira respondia.”
OSEAS: “Show de bola!”
Segundo investigadores, a “carona” no contexto da investigação refere-se à adesão a atas de registro de preços de outros entes, mecanismo pelo qual Mossoró poderia contratar a DISMED sem processo licitatório próprio. O ofício era o passo formal para acionar esse mecanismo — e passava pela mesa de Poliana.
O Plano de Visita Privada
Quatro dias depois, em 13 de maio de 2025, as escutas registraram Oseas planejando uma reunião particular com a diretora.
“Eu falei com ELA (POLIANA) ontem: amanhã quando você tiver sozinha, você ligue pra mim que eu quero falar um particular com você. Se ela não ligar hoje, aí amanhã eu vou lá. Eu vou na hora do almoço que é horário de [inaudível] é reduzida. Doze hora eu queria tá lá. Aí eu vou, vou começar conversando com ela pra mim ver até onde vai dar pra ir.”
Investigadores apontam que a preferência pelo horário do almoço e pela condição de “estar sozinha” indica intenção de contato fora do ambiente de trabalho formal. A expressão “ver até onde vai dar pra ir” é analisada, segundo os documentos, no contexto do esforço para ampliar o volume das Ordens de Compra de Mossoró.
A Estratégia de Pressão
No mesmo dia, a interceptação registra Nenen — outro integrante do grupo — instruindo Oseas sobre como convencer Poliana a aumentar o valor mensal das contratações. A referência é o volume de medicamentos de municípios menores:
“Agora você tem que dizer, olhe POLIANA… você tem que dizer a ela o seguinte: olhe, POLIANA, eu vou dá o exemplo de uma cidade como JOSÉ DA PENHA, aí você diz, JOSÉ DA PENHA consome cem mil por mês.”
OSEAS: “Não, Governador consome cem mil, cento e cinquenta!”
NENEN: “Aí como é que MOSSORÓ em um mês só consome trezentos mil? Não tem lógica não, porra! MOSSORÓ era no mínimo ali era quinhentos mil conto no mês!”
O argumento era simples: se municípios menores consomem proporcionalmente mais, Mossoró deveria elevar suas OCs de R$ 300.000,00 para pelo menos R$ 500.000,00 mensais. A instrução era direcionada a ser apresentada diretamente a Poliana.
O Modelo em Word
Em 15 de maio de 2025, Sidney relata a Oseas os detalhes de uma reunião presencial que teve com a diretora:
“E eu fui, eu tive com POLIANA e ela me mandou, Sidney eu recebi o ofício, mas faça o seguinte: peça só pra ele fazer essa notificação, porque pra cada empresa ela pediu um ofício separado. Ela me deu até o bicho no Word do sistema lá, eles tão colocando…”
Segundo investigadores, Poliana forneceu ao representante da DISMED um modelo oficial em formato Word — extraído do sistema da Prefeitura — para padronizar a documentação que a distribuidora precisava apresentar. A PF indica que esse dado reforça o papel de facilitadora atribuído a ela na estrutura investigada.
A Nota de R$ 231.000,00
O episódio mais direto nas escutas envolve uma nota fiscal específica. Em 2 de junho de 2025, Moabe Zacarias Soares — outro sócio da DISMED — liga para o número de Poliana:
“POLIANA, boa tarde! Ei, duas coisas eu vou lhe perturbar: Eu levei muito cedo… de manhã no meio da rua, lá perto do Itaú. Eu buzinei e você não viu não. É… dia 28 foi paga uma nota de R$ 231.000,00. Eu queria que você visse pra mim pra gente… dar baixa. E outra coisa: É, deu certo você responder aquela… de SÃO MIGUEL?…”
O detalhe do buzinado “no meio da rua, perto do Itaú” indica que Poliana e Moabe se conheciam além do ambiente institucional. O pedido central: localizar no sistema da prefeitura a nota de R$ 231.000,00 paga em 28 de abril de 2025 e dar baixa na contabilidade.
Minutos depois, em outra escuta do mesmo dia, Oseas comenta sobre a mesma nota: “Essa nota aqui só tem COMISSÃO de 15 mil, de MOSSORÓ.” Segundo investigadores, R$ 15.000,00 corresponderia à comissão/propina embutida no pagamento.
“Está Desconfiada” — e o “Aval”
Em 29 de maio de 2025, dois registros indicam que a relação com Poliana atravessava um momento de tensão. No arquivo, Oseas tenta ligar para ela sem sucesso e interpreta a dificuldade:
SIDNEY: “Ei! Vou lá em POLIANA agora!”
OSEAS: “Deixe eu ligar: POLIANA! POLIANA!” [tenta e não consegue falar]
OSEAS: “…Eu acho que está desconfiada…”
OSEAS: “ARROCHA ESSA DAÍ!”
SIDNEY: “Essa o que?”
OSEAS: “Essa, essa LICITAÇÃO!”
Poucos minutos depois,, a discussão gira em torno da necessidade de uma autorização formal:
OSEAS: “É! Mas eu perguntei: POLIANA precisa dar o aval em cima?”
SIDNEY: “É, porque assim, pra não deixar que a coisa cresça em relação a esse cara aí!”
Investigadores entendem que o “aval” se referia a uma autorização formal de Poliana sobre alguma etapa do processo licitatório. Havia um secretário — identificado nos documentos como “esse cara” — que estava criando obstáculos à tramitação.
A decisão do desembargador Rogério Fialho Moreira classifica a participação de Poliana como “indício posicional e funcional” — e aponta a “impossibilidade de execução do esquema sem sua participação ou omissão deliberada.”
O Portal da Transparência da Prefeitura de Mossoró registra o pagamento de R$ 4.978.999,75 à DISMED Distribuidora de Medicamentos entre 1º de julho de 2024 e 1º de julho de 2025 — exatamente o período em que Poliana Rezende Dantas ocupou cargos financeiros na Secretaria Municipal de Saúde.
Aplicando a distribuição descrita pelos próprios sócios da DISMED nas escutas de maio de 2025 — 15% de propina para o prefeito, 10% para a assessora, 25% de lucro da empresa e 50% em medicamentos entregues —, o valor estimado de propina gerado apenas pelos contratos de Mossoró no período chegaria a R$ 1.244.749,94. A parcela do prefeito Allyson seria de R$ 746.849,96. Os valores são uma projeção baseada na fórmula das escutas e não foram confirmados de forma individualizada pelos investigadores.
O prefeito Allyson Bezerra insiste em dizer que deu o maior reajuste da história do piso do magistério em Mossoró. “É mentira”, ressalta a professora Marleide Cunha.
Dirigente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (SINDISERPUM) e vereadora, Marleide desmente com dados a farsa repetida pelo gestor mossoroense.
“A verdade é que, na história do piso do magistério em Mossoró, ele foi o ÚNICO gestor que ZEROU o reajuste dos professores por três anos: 2021, 2023 e 2025”, destaca a docente.
Nas três oportunidades em que respeitou a Lei do Piso, Allyson repassou um percentual de reajuste de 42,68%, atrás de Fafá Rosado, que concedeu 46% de reajuste, em três anos.
Allyson figura no topo do rankung negativo, ao ser o único prefeito que não respeitou a lei do piso em três anos: 2021, 2023 e 2025. Coincidentemente, ele concedeu reajuste nos anos eleitorais: 2022, 2024 e esse ano (em que ele pretende ser candidato a governador).
“Os números provam que ele Allyson é o prefeito que mais desvalorizou professores”, finaliza.
Veja abaixo vídeo de Marleide Cunha mostrando as mentiras de Allyson sobre o reajuste do piso:
Investigadores da Polícia Federal estimam que o prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra, e uma mulher identificada até agora apenas como Fátima, foram destinatárias de R$ 833 mil reais em propinas da Dismed, empresa no centro de uma investigação de fraudes em contratos de saúde que envolve Mossoró e outros municípios. As informações são parte da investigação a que o Blog do Dina teve acesso com exclusividade.
Ao analisar o conjunto de saques que os sócios da Dismed fizeram em espécie a PF conclui que os valores são em torno de 27%. Na chamada ‘Matemática de Mossoró’, os sócios da Dismed aparecem detalhando que, no caso de Mossoró, os cálculos tinham uma configuração própria, por envolver 25% de propinas para o prefeito e 10% para uma mulher de nome Fátima.
A Mossoró é atribuído um modelo próprio porque é a cidade onde fica mais aparente que nas compras de medicamentos, na verdade, pelo menos 50% do dinheiro era desviado para bancar corrupção, segundo investigadores da PF, numa cadeia de eventos que envolveria operadores financeiros, fiscais e empresários.
O que diz o prefeito
O prefeito Alysson Bezerra tem negado as acusações. Ele sustenta que colabora com a Justiça, tem interesse na resolução dos casos e vai provar usa inocência. Alysson também tem dito que implantou um sistema de transparência para evitar fraudes em compras de medicamentos em Mossoró e que a matemática que conhece é a do que ele fez de investimentos pela cidade. O prefeito requereu ao TRF-5, onde tramita o caso, o levantamento do sigilo do inquérito policial, se somando a pedidos da PF, para que, conforme argumentou, as pessoas tirem suas conclusões sobre o que está nos autos.
Os Saques e Mais Prefeituras
A PF detalha que só a Dismed recebeu R$ 8.152.668,82 em créditos de prefeituras. Foram 213 transferência entre contas, 100% identificados. Nesse mesmo período, realizou R$ 2.210.000,00 em 70 saques eletrônicos, o que corresponde a 27% dos créditos. É aqui que a PF estabelece um vínculo lógico.
“Esse comportamento é compatível, em tese, com a narrativa constante da Informação de Polícia Judiciária nº 076.2025, colhida por escuta ambiental, segundo a qual haveria repasse de 25% a agentes específicos (“…10% de FÁTIMA e 15% de ALLYSON…”), indicando possível uso de saque em espécie para
pagamento de propinas” descrevem os investigadores.
citado (25%) aponta um valor teórico de propina de ~R$ 833.177,57 apenas para esse ente. Por analogia, é plausível que o saldo dos R$ 2,21 milhões sacados em espécie tenha servido para repasses proporcionais a outras prefeituras.”
Municípios
O material acessado pelo Blog do Dina envolve citação e menção explícita de negociação de propinas em municípios que não foram alvo da Operação Mederi. Num dos documentos consultados pela reportagem, a PF lista em pelo menos 20 dezenas as cidades que transferiram recursos para Dismed e precisam ser objeto de apuração.
Noutros casos, os encaminhamentos citando prefeitos, vices ou parentes já foram suficientes para a PF pedir providências para abertura de investigação à parte. O Blog do Dina acompanha a investigação e deverá trazer novidades.

Ficam cada vez mais entrelaçadas as relações do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil) com o esquema de desvio de dinheiro da saúde do município. A cada nova descoberta, a situação do gestor fica ainda mais complicada, sugerindo sua proximidade com a cena do crime. Principalmente pela relação próxima dele com alguns suspeitos, com outros envolvidos e com alguns que estão no meio das investigações da Polícia Federal (PF).
Três fatos recentes anunciados pela imprensa, principalmente pelo Blog do Dina e Diário do RN apontam nessa direção e é quase impossível desviar o rumo das coisas.
Quarta-feira (25/2), por exemplo, o que dominou o noticiário foi a revelação de que uma servidora da gestão do prefeito Allyson Bezerra recebeu R$ 430 mil da Dismed. A Dismed é a empresa que vendia remédios à prefeitura de Mossoró, entregava apenas metade do valor contratado e dividia o produto do roubo com membros da organização criminosa. Para a Polícia Federal, Allyson Bezerra está no topo desse esquema,
Uma revelação surpreendente e que parte da mídia não deu muita atenção (à exceção do Diário do RN) foi a de que Marianna Almeida (PSD), prefeita de Pau dos Ferros, também contratou com a Dismed. O problema? Ela comprou benzetacil para toda a população da cidade. Foram adquiridas 29 mil ampolas de Benzetacil 1.200.000 UI, ao custo de R$ 152 mil, além de 45 mil ampolas de Dexametasona. Pau dos Ferros tem população estimada de 30 mil pessoas.
Mas tem algo mais instigante na relação Marianna Almeida x Dismed x Allyson Bezerra. É que a prefeita de Pau dos Ferros, com relação política de proximidade com a governadora Fátima Bezerra (PT), inclusive sendo cogitada a compor como candidata a vice a chapa governista a ser encabeçada por Cadu Xavier, de repente se “bandeou” para o lado do prefeito de Mossoró. Claro que o fato de ambos (Marianna e Allyson) estarem com relações suspeitíssimas com a Dismed é pura coincidência.
O segundo fato intrigante é a revelação feita dando conta e que uma servidora da prefeitura de Mossoró recebeu R$ 430 mil da Dismed (sempre ela). A pessoa em questão atuou como ocupante de cargo comissionado, portanto, de confiança do gestor. Claro: outra grande coincidência.
Um terceiro fato interessante foi Almir Mariano, homem de confiança de Allyson Bezerra ter sido alvo da Operação Mederi (que investiga a roubalheira toda) e durante a batida dos policiais terem sido encontrados mais de R$ 57 mil em dinheiro em sua casa. As notas não foram encontradas em caixas de isopor porque aí seria coincidência demais.
Não é coincidência, porém, que o prefeito siga silente. Que não venha a público dizer que estranha que alguém de sua gestão receba centenas de milhares de reais da empresa investigada por roubar a prefeitura que ele comanda. E que durante a investigação do roubo alguém tão íntimo seu seja flagrado com tanto dinheiro em espécie.
Tem muita coisa nesse caldeirão de revelações. Claro que o resultado é um caldo difícil de digerir.
URGENTE: TRE/RN anula sentença e admite Irmã Ceição em ação que pode cassar Allyson e seu vice
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE nº 0600126-95.2024.6.20.0033) ganhou novo rumo após decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte, em Natal.
O Tribunal anulou a sentença de primeiro grau que havia absolvido o prefeito Allyson Leandro Bezerra Silva (União Brasil) e determinou a reabertura da instrução processual.
Além disso, o TRE/RN acatou o pedido de ingresso da ex-candidata Maria da Conceição Cesário (Irmã Ceição) e de seu então candidato a vice, Dr. Edson Lobão, como assistentes na ação.
A decisão recoloca o processo em fase decisiva.
Quebra de sigilo e perícia contábil judicial – Após a reabertura da instrução, o Ministério Público Eleitoral e Irmã Ceição apresentaram pedidos considerados centrais para o aprofundamento das investigações:
Quebra do sigilo bancário das contas da Prefeitura no período de 2021 a 2024;
Quebra do sigilo bancário das empresas de publicidade contratadas pelo Município;
Realização de perícia contábil judicial especializada para rastrear o fluxo financeiro;
Exibição detalhada de notas fiscais, empenhos, liquidações e relatórios de mídia.
O objetivo é verificar, com base técnica e judicial, se houve irregularidades na execução de contratos de publicidade institucional e se tais condutas tiveram reflexo eleitoral.
Influenciadores e blogs entram na linha de apuração – A perícia contábil judicial também busca identificar eventual participação de influenciadores digitais e blogs considerados alinhados politicamente ao prefeito.
A investigação pretende esclarecer se houve repasses de recursos públicos para produção ou divulgação de conteúdos e se essa estrutura de comunicação pode ter beneficiado eleitoralmente o prefeito e seu vice.
Processo pode impactar Mossoró e o RN – Caso fique comprovado abuso de poder político ou econômico, a legislação eleitoral prevê cassação de mandato, inelegibilidade e multa.
O caso ganha dimensão ainda maior porque Allyson Bezerra é apontado como pré-candidato ao Governo do Estado.
Com a sentença anulada, a instrução reaberta e novos pedidos de produção de prova, a AIJE passa a ter potencial para influenciar diretamente o cenário político de Mossoró e do Rio Grande do Norte.
A 4ª Vara Cível da Comarca de Mossoró julgou improcedente a ação movida pelo prefeito Allyson Leandro Bezerra Silva contra os responsáveis pelo Portal “Na Boca da Noite”.
A sentença foi proferida pelo juiz Dr. Manoel Padre Neto, que analisou a controvérsia envolvendo publicação jornalística sobre gastos da gestão municipal com locação de veículos.
A demanda foi ajuizada em face de Francisco Ugmar Nogueira e Manoel Nivaldo de Oliveira, responsáveis pelo portal. O prefeito alegava que o conteúdo teria divulgado informações inverídicas e imputado irregularidades na utilização de recursos públicos, requerendo a retirada da publicação e indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil.
Os réus foram representados pelos advogados Edson Lobão e Edson Júnior, que defenderam que a reportagem foi elaborada com base em dados extraídos do Portal da Transparência do próprio Município, inclusive com a divulgação de “prints” das informações públicas ali constantes, sustentando o exercício regular da liberdade de imprensa e de expressão.
Ao decidir o caso, o magistrado entendeu que não houve comprovação de má-fé ou deturpação intencional das informações. Destacou que os dados utilizados estavam acessíveis ao público e que, tratando-se de agente político no exercício do cargo, o grau de fiscalização social é ampliado.
A sentença também citou o entendimento do Supremo Tribunal Federal (SFT) no julgamento da ADPF 130, segundo o qual a liberdade de imprensa possui posição preferencial no sistema constitucional, sendo vedada a censura prévia e admitida apenas responsabilização posterior em caso de abuso comprovado — o que não foi reconhecido no caso concreto.
Com isso, a ação foi julgada improcedente, a liminar anteriormente concedida foi revogada e o prefeito foi condenado ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios fixados em 15% sobre o valor da causa.
A decisão representa uma derrota judicial relevante para o chefe do Executivo municipal na tentativa de responsabilizar o veículo de comunicação pela publicação da matéria.
Processo nº 0823319-37.2023.8.20.5106
Sentença proferida em 21 de fevereiro
A operação Mederi, desenvolvida pela Polícia Federal (PF) e Controladoria Geral da União (CGU) e que alcançou o o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil) – um dos seus principais alvos – vem causando muitos estragos.
Os principais acusados de envolvimento no esquema de roubo de dinheiro da saúde de Mossoró estão sob medidas restritivas, como uso de tornozeleiras eletrônicas, impedimento de se comunicar entre si, além de apreensão e sequestro de bens. Na parte financeira, pelo menos R$ 1 milhão de reais já foi apreendido, sendo R$ 700 mil com um advogado, R$ 290 com um dos sócios da empresa Dismed (utilizada pelos acusados para cometer os crimes) e R$ 57.600,00 com Almir Mariano, ex-secretário de Saúde de Mossoró, e homem de confiança de Allyson Bezerra.
O prefeito mossoroense não foi atingido – ainda – por medidas restritivas mais sérias, embora alguns aparelhos eletrônicos seus tenham sido apreendidos (celulares e Macbooks), tem sofrido os impactos das investigações que, registre-se, o colocam no topo do suposto esquema criminoso.
Allyson até que tentou disfarçar que não sentiu o baque. Logo após receber a batida dos policiais em sua casa no residencial Ninho, o prefeito fez vídeo para as redes sociais. Demonstrou aparente segurança, fingiu que a situação não era grave, sugestionou que tinha convidados os agentes federais para um café e mentiu que estava colaborando com as investigações.
No entanto, à medida que o efeito do vídeo foi se diluindo no tempo, conforme as suas mentiras foram sendo descobertas e na proporção que a fumaça de suas cortinas foi se dissipando no ar, Allyson passou a dar reais demonstrações do impacto da operação em sua vida e em sua caminhada para a disputa pelo Governo do Estado.
Inicialmente, as aparições – públicas e midiáticas – minguaram. Até mesmo os vídeos nas redes sociais, além de serem em quantidades menores, estão mais sóbrios, com menos pulinhos, gritos mais contidos, sorrisos cada vez mais amarelos e narrativa mais cadenciada. Parece que todo o entusiasmo que motivava as gravações foi levado junto com os celulares e Macbooks.
Nos vídeos, agora, há menos plateia e Allyson parece não querer ser protagonista sozinho. Em alguns, aparece acompanhado de secretários. Num deles, por exemplo, aparece ao lado de Morgana Dantas, secretária de Saúde. Morgana é apontada pela PF como integrante do grupo que teria roubado milhões da Saúde de Mossoró.
Sempre afeito a aparições públicas e performances escalafobéticas, Allyson agora quase não é visto. No carnaval, mergulhou completamente. Ninguém o viu nem sabe de quem o tenha visto.
Até então envolvido em tratativas políticas quase diárias em diversos municípios potiguares e, principalmente, habituê dos órgãos de imprensa aliados – especialmente da capital – Allyson abandonou essas duas frentes.
Quem o acompanha sabe que o principal impacto da Operação Mederi foi a mudança na forma como o prefeito se comunica com seus eleitores. Essa é uma certeza. Mas há uma dúvida. Não se sabe se a metamorfose é resultado do que já veio ou do que ainda está por vir.
Ministério Público Federal denuncia prefeito por liderar esquema em contratos da saúde
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o prefeito afastado de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), a mulher dele, Sirlange, e outras 11 pessoas sob suspeita de participação em um esquema de desvio de recursos públicos na área da saúde. A acusação envolve contratos firmados entre a prefeitura e a organização social Iase (Instituto de Atenção à Saúde e Educação). O casal nega irregularidades.
Manga está fora do cargo desde novembro, por decisão do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), tomada durante a fase de investigação. Na denúncia apresentada no fim de janeiro, o Ministério Público Federal atribui ao prefeito os crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Cabe agora à Justiça decidir se aceita a acusação. Se isso ocorrer, os denunciados se tornarão réus. As informações são da Folha de São Paulo.
Segundo os procuradores, o prefeito era “peça-chave” de uma organização criminosa estruturada para desviar verbas municipais por meio de contratos direcionados ao Iase. O caso surgiu a partir de investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Rio Grande do Sul, após a interceptação de um áudio que mencionava Manga logo depois das eleições de 2020. A informação foi compartilhada com autoridades paulistas, que aprofundaram a apuração.
De acordo com a denúncia, houve 2 contratos entre a prefeitura e o Iase. O 1º teria sido firmado sem licitação, com base em uma situação emergencial que, segundo o MPF, não existia. O 2º passou por chamamento público, mas o edital já estaria direcionado à entidade. Em uma das conversas anexadas ao processo, o então secretário de Administração, Fausto Bossolo, disse estar “suando frio” antes de saber o resultado da seleção. Depois de confirmar que o Iase havia vencido, escreveu que ficou “mais tranquilo” e mencionou um “susto”. Bossolo também foi denunciado.
A defesa afirmou ter confiança de que provará a inocência dele e sustentou que a contratação não passou por sua pasta. Os procuradores pedem o confisco de bens dos envolvidos, ressarcimento dos valores apontados como desviados e indenização de R$ 7 milhões à União e ao município, metade para cada ente.
A denúncia sustenta que parte da propina chegava ao casal por meio de intermediários, entre eles o empresário Marcos Mott e o pastor Josivaldo Batista de Souza, concunhado do prefeito. Em buscas, foram apreendidos R$ 646 mil na casa de Mott e R$ 700 mil na residência do pastor. Relatório de inteligência financeira apontou depósitos de R$ 237 mil em cédulas de pequeno valor, algumas danificadas. O MPF afirma ainda que uma planilha paralela atribuída ao pastor registrava entradas e saídas de recursos do esquema. A defesa de Manga declarou que a denúncia decorre de investigação “completamente nul” e afirmou que o prefeito é alvo de perseguição política. O Iase negou irregularidades e disse que demonstrará a legalidade dos contratos nos autos, que tramitam sob segredo de Justiça. O Poder360 procurou a assessoria de Rodrigo Manga para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do tema. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital. (Fonte: Poder 360)
MATEMÁTICA DE MOSSORÓ – Rodrigo Manga é um dos ídolos do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que afirma nas redes sociais se inspirar como gestor no prefeito sorocabano. Por ironia do destino, Allyson está sendo acusado pela Polícia Federal (PF) de ser o suposto líder de um esquema de roubo de dinheiro da saúde de Mossoró.
Veja mais abaixo:
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil) parece disposto a esticar ao máximo a corda em narrativa sobre o esquema de desvios de dinheiro da saúde em sua gestão.
Alvo da operação Mederi, realizada pela Polícia Federal e Controladoria Geral da União (CGU), Allyson ainda não deu uma única explicação sobre a roubalheira que os investigadores dizem ter encontrado em seu governo.
Ancorado em seu poderio midiático, o prefeito tem feito jogadas que ajudam a deixá-lo bem junto a parte do seu eleitorado, mas não o livra de possíveis consequências jurídicas e penais que as investigações devem sugerir.
Ocorre que a tática de Allyson é perigosa e às vezes beira a ilegalidade. Além de desafiar a PF e a CGU.
Na mais recente – e perigosa – jogada, Allyson afirmou que pediu à Justiça que tornasse as investigações públicas. Não se sabe se é verdade, porque ele havia dito que estava colaborando com as investigações e documentos da operação mostram que ele se negou a fornecer as senhas dos aparelhos eletrônicos apreendidos com ele (celulares, computadores, hd’s, etc).
Allyson Bezerra tem faltado com a verdade ou omitido informações importantes das investigações. Ele não revelou, por exemplo, que pediu à Justiça para ser informado sobre a adoção de medidas restritivas, como o uso de tornozeleira eletrônica. Obviamente que o pedido foi negado.
O prefeito, por outro lado, faz postagens que induzem as pessoas a pensar que ele não tem nenhuma responsabilidade sobre as irregularidades descobertas até agora pela operação.
Numa delas, ele recortou trechos da descrição dos materiais apreendidos em sua casa, mostrando apenas que teria sido apreendido somente um caderno no qual aparecem anotações religiosas.
Não posta, por exemplo, que foram encontradas volumosas quantias em dinheiro com pessoas próximas a ele e com as quais ele tem relação política e pessoal. Casos de Oseas Monthalggan (sócio da empresa Dismed, usada no esquema criminoso, de acordo com a PF) e Almir Mariano (homem de sua confiança e para o qual ele já delegou cuidar de secretarias importantes, como a da Saúde).
Mariano foi flagrado pela PF com maís de R$ 57 mil em dinheiro. Com ele também foi encontrado uma BMW, veículo que custa pode custar até R$ 1 milhão de reais.
Ao omitir essas informações e mentir sobre atos seus (como a negativa das senhas), Allyson Bezerra não está se defendendo, nem apenas enganando seus seguidores. O prefeito está colocando a opinião pública contra os investigadores.
Allyson se comporta como se a investigação fosse pessoal, como se estivesse sendo perseguido e como não estivesse ele sendo apontado pela PF como um dos líderes do gigante esquema de roubo de dinheiro público descoberto em sua gestão.
O prefeito atua para colocar os investigadores e até a Justiça Federal na condição de vilões. Como se tivessem sido eles os flagrados roubando o dinheiro do contribuinte mossoroense.
É uma estratégia. Mas algo muito perigoso, sobretudo porque a investigação é técnica, e as instituições envolvidas são sérias e não agem por ouvir dizer. Só foram a casa do prefeito porque havia indícios de sua participação. Com essa postura de agir contra as investigações, Allyson faz aumentar a possibilidade de ser alvo de medidas legais, como as que ele pediu para ser avisado quando elas vierem. Devem vir. Mas sem prévias manchetes em jornais.

