Alvo principal da Operação Mederi, o prefeito de Mossoró e pré-candidato ao governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra (União), está sendo investigado por suposto envolvimento em rede de propinas e fraudes em licitações da área da Saúde. A Polícia Federal (PF) identificou uma conta laranja, em nome de uma menor de idade, utilizada por operadores dessa rede.
Como eixo do esquema está a companhia Dismed, que teria como sócio-administrador o empresário Oseas Monthalggan. Ele está sendo apontado como responsável por organizar e determinar a entrega de propinas para agentes públicos.
Ainda conforme informações da PF, o esquema na área da Saúde, que incluía fraude em licitações, chegou aos municípios de Serra do Mel, Mossoró, Paraú, São Miguel, José da Penha e Tibau, todos no Rio Grande do Norte.
As investigações apontaram, ainda, que a filha de Oseas Monthalggan e Roberta Ferreira Praxedes da Costa, esposa do sócio da Dismed e proprietária da Drogaria Mais Saúde, também envolvida no esquema, teve a conta bancária usada pelos pais para lavar dinheiro.
“Cliente não aparenta possuir capacidade econômico-financeira para movimentar tal volume de recursos. Suspeita-se de movimentação de recursos de terceiros, notadamente de seu pai, para fins de sonegação fiscal”, destacou a PF.
Em outra análise dos investigadores, a maior parte das saídas de dinheiro da Drogaria Mais Saúde foi direcionada para a filha de Roberta e Oseas. A conta dela recebeu R$ 427 mil, entre julho de 2022 e junho de 2023.
“Matemática de Mossoró”
O principal cliente da Drogaria Mais Saúde era a cidade de Serra do Mel, a 250 quilômetros de Natal. De 2024 a 2025, o município de apenas 13 mil habitantes pagou à empresa R$ 1,4 milhão.
Por trás das transferências estaria o ex-vice-prefeito de Serra do Mel e indicado pela PF como sócio, de fato, da Dismed, José Moabe Zacarias Soares (PSD).
Moabe foi candidato a prefeito em 2024 e teria operado junto a Oseas os pagamentos de propina em Mossoró e nos outros municípios que estão sendo investigados pela Operação Mederi.
Moabe e Oseas, em um diálogo interceptado, contam detalhes do que chamam de “Matemática de Mossoró”, esquema que, segundo os investigadores, atenderia às demandas de Allyson Bezerra em relação ao repasse de propinas.
“Olhe, Mossoró, eu estudando aqui. Como é a matemática de Mossoró. Tem uma ordem de compra de quatrocentos mil. Desses quatrocentos, ele entrega duzentos. Tudo a preço de custo! Dos duzentos ele vai e pega trinta por cento, sessenta R$ 60.000,00, então aqui ele comeu R$ 60.000,00! Fica R$ 140.000,00 pra ele entregar cem por cento. Dos cento e quarenta ele R$ 70.000,00. Setenta com sessenta é meu, R$ 130.000,00. Só que dos cento e trinta nós temos que pagar cem mil R$ 100.000,00 a Allyson e a Fátima, que é dez por cento de Fátima e quinze por cento de Allyson. Só ficou trinta mil R$ 30.000,00 pra a empresa!”, afirmou Oseas Monthalggan, em maio de 2025.
“O topo do esquema”
Os investigadores consideram que o prefeito de Mossoró e seu vice, Marcos Bezerra (PSD), operavam “o topo do esquema”, além de receber “propina em porcentuais definidos sobre os contratos” com a Dismed. Bezerra também foi alvo de busca e apreensão no âmbito da Operação Mederi.
“Em relação a Allyson e Marcos, há referências nominais específicas nas conversas indicando recebimento de valores”, apontou a PF.
“No nível intermediário, estariam os gestores administrativos, que garantiriam as condições institucionais para funcionamento do sistema. No nível operacional, estariam os fiscais e gestores de contrato que viabilizariam concretamente as entregas parciais mediante atestados. Externamente à administração pública, estariam os empresários, que operacionalizariam o esquema no âmbito privado”, ressaltou a investigação.
Imagem: Monthalggan e Allyson são apontados pela PF como dois dos principais integrantes do esquema criminoso
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