Profissionais do Programa Incluir procuraram o Portal Boca da Noite para apresentar novos esclarecimentos sobre a situação enfrentada por auxiliares da educação inclusiva na rede municipal de Mossoró. O contato ocorreu após a repercussão da matéria publicada nesta quarta-feira (27), relatando o caso de uma auxiliar ferida durante atuação em sala de aula na Escola Municipal Maurício Fernandes.
O auxiliar do programa, Flávio Roberto de Oliveira Duarte, solicitou a correção de informações relacionadas à qualificação dos profissionais que atuam no Incluir. Segundo ele, aproximadamente 80% dos auxiliares possuem formação superior completa ou estão em fase de conclusão da graduação.
“São profissionais capacitados para exercer suas funções dentro das salas de aula”, destacou Flávio, que é cientista social, estudante de Pedagogia, ex-conselheiro tutelar e auxiliar do Programa Incluir na Escola Municipal Maurício Fernandes.
Apesar disso, o profissional afirma que o programa enfrenta problemas estruturais graves e necessita de melhorias urgentes. Entre as principais reclamações estão a baixa remuneração, a sobrecarga de trabalho e a quantidade insuficiente de auxiliares nas unidades escolares.
De acordo com Flávio, existem salas com cinco ou seis crianças com necessidades específicas sendo acompanhadas por apenas um profissional de apoio.
Outro ponto criticado é o modelo atual de contratação. Segundo os auxiliares, os trabalhadores atuam através de termo de voluntariado, sem garantia de direitos trabalhistas. A categoria defende a criação de contratos formais de trabalho.
Sobre o caso ocorrido na escola municipal, Flávio esclareceu que apenas um auxiliar ficou ferido durante um momento de contenção de uma criança em situação de desregulação. O profissional perdeu uma falange de um dos dedos, sofreu lesão em outra parte da mão e precisou passar por cirurgia no Hospital Regional Tarcísio Maia, sendo socorrido inicialmente pela direção da unidade escolar.
Os auxiliares também apontam que uma das maiores reclamações de pais e mães de crianças atípicas é a ausência de terapias oferecidas pela rede pública de saúde.
“A educação vem cumprindo seu papel através dos auxiliares, ainda que em número insuficiente, porém falta maior suporte terapêutico às crianças neurodivergentes”, afirmou.
Os profissionais defendem ainda que o município realize convocações mensais de novos auxiliares para atender a crescente demanda nas escolas da rede municipal de ensino.


