O diagnóstico recente de pielonefrite divulgado pela atriz Carolina Dieckmann chamou a atenção para uma doença que, apesar de pouco conhecida pela população, pode representar um risco significativo à saúde quando não tratada de forma rápida e adequada.
A pielonefrite é uma infecção bacteriana que atinge os rins e a pelve renal — estrutura responsável por coletar a urina produzida pelos rins. Diferentemente da infecção urinária comum, que geralmente permanece restrita à bexiga, essa condição pode comprometer um órgão vital e provocar complicações graves.
Segundo o médico nefrologista e professor da Universidade Potiguar (UnP), Felipe Guedes, a doença merece atenção especial porque os rins possuem intensa circulação sanguínea, facilitando a disseminação das bactérias para outras partes do organismo.
“Quando a infecção alcança a corrente sanguínea, pode desencadear uma sepse, uma resposta inflamatória grave que coloca a vida do paciente em risco”, explica o especialista.
Sintomas nem sempre são os esperados
Um dos principais desafios para identificar a pielonefrite é que ela nem sempre apresenta os sintomas clássicos da infecção urinária, como dor ou ardor ao urinar.
Em muitos casos, os primeiros sinais incluem:
- febre alta;
- calafrios;
- suor intenso;
- dor na região lombar;
- perda de apetite;
- mal-estar generalizado;
- cansaço intenso.
Segundo os especialistas, alguns pacientes sequer apresentam desconforto urinário, o que pode retardar a procura por atendimento médico e aumentar o risco de agravamento da doença.
Mulheres estão entre os principais grupos de risco
Embora possa atingir qualquer pessoa, a pielonefrite ocorre com maior frequência em mulheres. Isso acontece porque a uretra feminina é mais curta, facilitando a entrada de bactérias até a bexiga e, posteriormente, aos rins.
Outros fatores que aumentam o risco da doença incluem:
- diabetes;
- baixa imunidade;
- transplante renal;
- uso prolongado de sonda urinária;
- cálculos renais;
- retenção frequente da urina.
O hábito de adiar a ida ao banheiro também pode favorecer a multiplicação de bactérias no trato urinário.
Diagnóstico rápido faz toda a diferença
O diagnóstico costuma ser realizado por meio do exame de urina, complementado pela urocultura, que identifica o microrganismo responsável pela infecção e orienta a escolha do antibiótico mais eficaz.
Nos casos leves, o tratamento pode ser feito em casa com antibióticos prescritos pelo médico. Já pacientes com infecção mais grave podem necessitar de internação hospitalar para receber medicação intravenosa.
A rapidez no início do tratamento reduz significativamente o risco de complicações, como insuficiência renal aguda e sepse.
Prevenção ajuda a proteger os rins
Algumas medidas simples podem reduzir o risco de desenvolver pielonefrite:
- beber bastante água diariamente;
- evitar segurar a urina por longos períodos;
- tratar corretamente qualquer infecção urinária;
- manter hábitos adequados de higiene;
- controlar doenças como diabetes.
Saúde renal merece acompanhamento
Os especialistas também alertam que muitas doenças renais evoluem silenciosamente, sem provocar sintomas nas fases iniciais.
Por isso, exames simples, como a dosagem da creatinina no sangue e o exame de urina, são importantes para avaliar o funcionamento dos rins, especialmente em pessoas que fazem parte dos grupos de risco.
A orientação é procurar atendimento médico diante de sintomas como febre persistente, dor lombar intensa ou suspeita de infecção urinária. O diagnóstico precoce continua sendo a melhor forma de evitar complicações e preservar a saúde dos rins.

