O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força em Brasília após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para discutir os detalhes da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho no Brasil.
Além dos impactos trabalhistas, a aproximação política entre Hugo Motta e Lula também é vista nos bastidores como estratégica para fortalecer alianças políticas e ampliar apoio dentro do Congresso Nacional.
Após o encontro, Hugo Motta apresentou os principais pontos considerados inegociáveis da proposta, que prevê mudanças graduais nas relações de trabalho sem redução salarial para os trabalhadores.
Entre os pontos centrais da PEC estão:
- implantação da escala 5×2;
- redução da jornada semanal de 44 para 40 horas;
- manutenção integral dos salários;
- implementação gradual das mudanças.
Segundo o texto debatido, os dois dias de folga semanais passariam a valer 60 dias após a promulgação da PEC. Já a redução da carga horária ocorreria em etapas: inicialmente duas horas a menos após 60 dias e, posteriormente, mais duas horas em até 12 meses.
Defensores da proposta afirmam que a medida poderá melhorar a qualidade de vida, saúde mental e produtividade dos trabalhadores brasileiros. Por outro lado, setores empresariais demonstram preocupação com possíveis impactos econômicos, incluindo aumento nos custos operacionais das empresas.
Durante a reunião também foi debatida a situação dos Microempreendedores Individuais (MEIs). Hugo Motta defende mudanças que permitam aos MEIs contratar funcionários e ampliar o teto anual de faturamento, atualmente limitado a R$ 81 mil por ano.
A expectativa é que a PEC seja analisada ainda nesta semana na comissão especial da Câmara dos Deputados. Caso avance, seguirá para votação no plenário da Câmara e posteriormente para o Senado Federal.
O governo federal trabalha para aprovar a proposta antes do período eleitoral, enquanto setores econômicos e sindicais seguem acompanhando os desdobramentos da discussão.

