O aumento no uso de medicamentos injetáveis para perda de peso, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, tem gerado preocupação entre especialistas da área da saúde. Apesar da popularização nas redes sociais e da busca crescente por resultados rápidos, médicos alertam que o uso desses fármacos sem orientação adequada pode trazer riscos.
De acordo com o endocrinologista Vinicius Lira da Câmara, professor da Universidade Potiguar (UnP), o termo popular contribui para uma percepção equivocada sobre esses medicamentos. “A expressão passa a ideia de algo simples, como se fosse apenas um recurso estético. Na verdade, são medicamentos desenvolvidos para tratar doenças metabólicas”, explica.
Essas substâncias atuam imitando hormônios intestinais, como o GLP-1 e, em alguns casos, o GIP. Entre os principais efeitos estão a sensação prolongada de saciedade, a redução do apetite, o atraso no esvaziamento gástrico e a melhora no controle da glicose no sangue.
Por isso, o uso é indicado principalmente para pessoas com obesidade ou com sobrepeso associado a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e apneia do sono. Também podem ser recomendados para pacientes com diabetes que necessitam de melhor controle glicêmico.
O especialista reforça que o tratamento da obesidade deve ser encarado como questão de saúde, não de estética. “A obesidade é uma doença crônica e multifatorial. O uso de medicamentos faz parte de um conjunto de estratégias terapêuticas, assim como em outras condições”, destaca.
Alerta para pancreatite
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou o monitoramento de possíveis casos raros de pancreatite aguda associados a essa classe de medicamentos. A medida faz parte do sistema de farmacovigilância, que acompanha a segurança dos produtos após sua liberação no mercado.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode causar dor abdominal intensa e persistente, geralmente na parte superior do abdome, podendo irradiar para as costas, além de náuseas, vômitos e mal-estar.
Segundo Vinicius, é fundamental que pacientes estejam atentos aos sintomas. “Diante de dor abdominal intensa e contínua, a orientação é procurar atendimento médico imediato. Em caso de suspeita, o uso do medicamento deve ser interrompido até avaliação”, orienta.
Risco do uso sem orientação
Outro ponto de preocupação é a utilização desses medicamentos sem prescrição médica ou adquiridos por vias informais, como internet e comércio irregular.
“O problema não está no medicamento em si, mas no uso sem indicação clínica e sem acompanhamento profissional. Cada paciente precisa ser avaliado individualmente, considerando riscos, benefícios e histórico de saúde”, afirma o endocrinologista.
Antes da prescrição, é necessária uma avaliação completa, incluindo cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), investigação de doenças associadas e exames laboratoriais. O uso responsável e supervisionado é essencial para garantir a segurança e eficácia do tratamento.


