Minha memória – Nossas histórias – Parte II

por Ugmar Nogueira
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* Márcio Alexandre

 

O último ano do Ensino Médio, na Escola José Martins de Vasconcelos. Era 1994, um ano que ainda não acabou. Para o bem. Foi um dos mais marcantes daquela década. Uma preciosidade. Histórico, romântico, inspirador. Pra mim, um divisor de águas.

Foi naquele ano que servi ao Tiro de Guerra (TG), e fiz disso, para mim, uma das melhores experiências que poderia ter tido.

Essa semana, revendo algumas fotos, encontrei os registros mnemônicos físicos daqueles momentos especiais. As fotografias não me trazem lembranças. Elas provam que as memórias que tenho são de coisas reais. Marcantes. Indeléveis.

Dos amigos que já tinha, alguns estavam na mesma turma que eu: os saudosos Firmino e Ildônio; meu compadre Wendel Abreu e Elineudo (que conhecia desde o Fundamental, na Escola Padre Sátiro).

Ir para o TG era uma festa. Daquelas que a gente constroi no nosso imaginário. Com as sensações que só a gente sente. Naquele mundo em que todos participam, mas é você quem define o papel de cada um. E todo mundo desempenha um papel especial.

Calça jeans, camisa branca e botas eram as peças repetidas do guarda-roupa e sempre nos deixavam como o mais bonito dos rapazes. O mais feliz dos seres vivos. Os mais realizados da espécie humana.

Uma bicicleta com câmbio Shimano, aros de alumínio e canote alto deixava no chinelo qualquer Ferrari vermelha.

A tiracolo, um walkman. Amarelo. Com três opções: rádio AM, rádio FM e fita cassete. Esta última opção era onde fazíamos valer nossa vontade musical. Duas chances de mesclar os hits que mais curtíamos. No meu caso, o lado A era para músicas nacionais. No lado B, internacionais. Quase invariavelmente gravadas durante o flashback da 105 FM, que era apenas musical. Nenhum locutor a interromper nossa volta ao passado. Às vezes, a vinheta nos acordava.

Em 1994, foi um pouco diferente. O roteiro musical teve que mudar um pouco. Por um grande motivo. A MGM havia lançado em novembro de 1993 o álbum So Far So Good, do canadense Bryan Adams. Um estouro. Um dos álbuns mais massas da história. Monopolizou toda a fita.

Em 1994, quem tinha bom gosto musical, muitos sonhos e algum juízo escutava “So Far So Good” quase 24 horas por dia. Todos os dias.

O álbum abria com “Summer of 69”. Hino do rock, essa pancada compôs o disco Reckless, de 1984. Tão forte que soava inédita. Na sequência, a inesquecível balada “Straight from the Heart”, do disco “Cuts Like a Knife”, de 1983.

São 14 faixas icônicas e é um pecado não citá-las todas, até porque tem na lista as superbaladas “(Everything I Do) I Do It for You” (tema do filme Robin Hood, 1991), a sempre tocada Heaven (do também inigualável Reckless) e “Please Forgive Me” (a única faixa inédita do So Far So Good. Assistam ao clipe).

Além delas, as também sensacionais, “It’s Only Love”, “Can’t Stop This Thing We Started”, “Do I Have to Say the Words?”, “This Time”, Cuts Like a Knife, “Run to You”, “Somebody” (power), “Kids Wanna Rock” e Heat of the Night.

São 62 minutos e 28 segundos de puro êxtase. Saía de casa sempre mais cedo para escutá-lo todo durante a viagem. A então estreita Presidente Dutra, avenida da morte, não metia medo algum. Não tinha como sentir nada negativo quando se sabe o que se quer e se ouve o que vale a pena ouvir.

* Professor e jornalista

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