Auditoria do Tribunal de Contas pede suspensão imediata da licitação do Nogueirão

Análise técnica identifica irregularidades e sugere suspensão da obra: “negócio pode ir à ruína”

por Ugmar Nogueira
A+A-
Reiniciar

Do Blog do Barreto

 

Uma auditoria da Diretoria de Controle de Infraestrutura e Meio Ambiente (DIA) do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN) colocou sob suspeita o processo licitatório para a construção do novo Estádio Municipal Nogueirão e do novo Centro Administrativo de Mossoró. O relatório técnico, assinado em 18 de março de 2026, aponta falhas graves que variam de desrespeito a prazos legais à falta de viabilidade econômica do projeto.

A Prefeitura de Mossoró fez uma cessão onerosa de 35 anos para que a iniciativa privada construa e faça a gestão do estádio no bairro Nova Betânia. Em troca, parte do terreno seria permutada para a construção de um centro administrativo municipal. O investimento total está estimado em R$ 40.923.794,05.

Principais Falhas Apontadas

De acordo com a Representação nº 01/2026-DIA, a gestão municipal cometeu “flagrante descumprimento” às normas do Tribunal:

  • Prazos Desrespeitados: A documentação deveria ter sido enviada ao TCE com 120 dias de antecedência à publicação do edital, o que não ocorreu.
  • Risco Contratual: O edital não possui uma Matriz de Alocação de Riscos, item obrigatório pela Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021) para este regime de contratação. Segundo o auditor Vladimir Sérgio de Aquino Souto, isso gera insegurança e afasta investidores — tanto que apenas uma empresa apresentou proposta.
  • Valores sem Base: O Tribunal afirma que não há memória de cálculo ou pesquisa de mercado que justifique os preços e avaliações imobiliárias apresentados no certame.

Alerta de “Negócio Inviável”

O ponto mais crítico da reportagem técnica é a análise financeira do projeto. O TCE sustenta que o modelo proposto pode levar o negócio “à ruína”.

Os cálculos da auditoria indicam que seriam necessários 333 meses (quase 28 anos) apenas para amortizar o investimento inicial, sem que a prefeitura recebesse qualquer pagamento de outorga nesse período. Sob a ótica do mercado, considerando uma taxa de retorno comum de 8%, o investidor teria um prejuízo de R$ 12 milhões.

“O empreendimento se mostra completamente inviável… o contratado terá como resultado do negócio um prejuízo no montante significativo de 12 milhões de reais”, afirma o relatório.

A equipe de auditoria propôs ao Conselheiro Relator, Antônio Gilberto de Oliveira Jales, a concessão de uma medida cautelar para suspender a licitação imediatamente.

Publicidade

Postagens relacionadas

Deixe um comentário

* Ao usar este formulário, você concorda com o armazenamento e o manuseio dos seus dados por este site.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Assumiremos que você está ok com isso, mas você pode optar por não participar se desejar. Aceitar Leia mais